Vigilância Sanitária do DF fiscaliza retirada de lotes da marca Ypê

Estabelecimentos comerciais de todo o Distrito Federal foram orientados a suspender imediatamente a venda de produtos do lote 1 da marca Ypê desde a última sexta-feira. A determinação foi feita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que através da Vigilância Sanitária local, da Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) pode orientar os estabelecimentos comerciais. O JBr conversou com um representante dos supermercados do DF e com consumidores sobre a ação, que foi feita após o órgão de fiscalização sanitária identificar irregularidades no processo de fabricação de detergentes, lava-roupas e desinfetantes de todos os lotes com a numeração terminada em 1.

Em nota, a SES-DF destacou que, por meio da Vigilância Sanitária e após o recebimento do alerta emitido pela Anvisa, foram adotadas imediatamente as medidas previstas para comunicação e verificação do recolhimento dos produtos da marca Ypê suspensos pela agência reguladora.

A pasta de Saúde esclareceu ainda que os núcleos regionais de vigilância sanitária foram acionados para orientar os estabelecimentos comerciais quanto ao recolhimento dos itens. “Nas grandes redes varejistas e distribuidoras, a comunicação também ocorre por meio das entidades representativas do setor, que realizam a retirada preventiva dos produtos das prateleiras”, salientou.

Além disso, a pasta apontou que as ações de fiscalização e verificação seguem em andamento em todo o Distrito Federal. O foco dessa fiscalização mais intensa são os estabelecimentos de menor porte, pois, segundo a SES-DF, é onde o fluxo de comunicação pode demandar maior tempo.

O procedimento adotado prevê que os produtos recolhidos permaneçam armazenados pelos próprios estabelecimentos até o contato e orientação do fabricante para devolução ou substituição. Foi reforçado também que, neste momento, não há definição de pontos públicos específicos para o descarte dos itens.

A resolução colocada em prática

Givanildo de Aguiar, vice-presidente da Associação de Supermercados do Distrito Federal (Asbra) e gerente da rede de supermercados Veneza, contou ao JBr que a resolução foi enviada pela Anvisa por questão de segurança, cautela e precaução. “Os mercados estão de prontidão. Na grande maioria, tenho certeza absoluta que todos estão agindo preventivamente para retirar esses lotes de detergente e lava-roupas dessa empresa, a Química Amparo”. Ele explicou ainda que os produtos dessa marca já não estão mais no ponto de venda, atendendo à resolução da agência.

Além disso, Givanildo afirmou que, por zelar pelo bem-estar dos clientes, o protocolo está sendo seguido pelos estabelecimentos. “Mesmo que não tenha nada confirmado, a gente optou por retirar os produtos das nossas prateleiras”, disse. Ele afirmou ainda que, caso sejam encontrados produtos do lote específico nos mercados, a princípio ainda não se tem falado em multa. “O que temos é a orientação para a retirada do produto, até porque deve ser aplicada alguma punição ou penalidade quando há qualquer tipo de resistência por parte do comércio, da indústria ou de qualquer parte envolvida.”

Mas ele acredita que isso não ocorre com nenhum dos associados da Asbra. “Nós tratamos de resolver essa situação da melhor maneira possível e, claro, tendo sempre uma boa parceria, uma boa comunicação e um bom trato com os órgãos fiscalizadores”. Tudo isso, acrescentou Givanildo, é pensando no consumidor final e na boa relação de consumo. “É aquela política da boa vizinhança. Nós temos aplicado uma boa relação de consumo para com o nosso cliente”, comentou.

Ele afirmou ainda que, após a determinação ter sido divulgada, a agência reguladora deu um prazo de 72 horas, a partir do dia 8, para que as empresas que comercializam o produto e encontraram nas prateleiras o referido lote, com a terminação do número 1, tivessem o tempo hábil de se organizar para retirar o item de circulação.

Os consumidores que forem às compras nesses dias podem encontrar ainda produtos da marca, mas Givanildo explicou que se trata de itens de lotes que não estão comprometidos. “Veja só, os clientes com certeza vão encontrar os produtos da marca, só que já não mais com essa numeração que está contida naquela resolução que a Anvisa nos passou”, ressaltou. Ele também salientou que todos os lotes são diferentes e os produtos referentes ao lote com final 1 já foram retirados da gôndola. “Os demais continuam aptos para o consumo e uso cotidiano.”

Para o cliente que não está seguro de usar produtos da marca e que tenha comprado algum, Givanildo orientou que apresente o cupom fiscal no estabelecimento onde realizou a compra. “Ou até mesmo o cliente que colocou o CPF na nota; o produto estando intacto, ele pode trocar. Por gentileza, vá à loja onde adquiriu, em qualquer um dos supermercados de Brasília, pois uma coisa pela qual o supermercado sempre zelar pela boa relação de consumo”, finalizou Givanildo, com uma indicação do que os consumidores podem fazer.

O consumo e o custo-benefício

A consumidora e dona de casa Maria Aparecida de Ângelo, 68 anos, usava produtos da marca antes da polêmica surgir, pelo detergente ser mais em conta do que os outros nas prateleiras dos mercados. “Eu comprava muito, mas eu parei porque o estoque está grande lá em casa”, afirmou. Ela costumava adquirir muitos itens tanto dessa empresa quanto de outras igualmente conhecidas, como a Minuano. “Na hora que resolver toda essa questão e o meu estoque acabar, eu vou continuar comprando da marca Ypê”, completou.

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Maria Aparecida de Ângelo 

A atendente de padaria Socorro Inocêncio, de 67 anos, não se sentiu afetada quando ficou sabendo que os produtos da marca Ypê poderiam estar contaminados. “É muito raro eu comprar qualquer um detergente. Às vezes eu compro só por uma emergência. Mas geralmente eu uso o que estiver mais em conta”, destacou. Para ela, os produtos Ypê costumam ser muito bons e baratos, e já chegou até a usar, mas foi antes da polêmica surgir.

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Socorro Inocêncio 

Acostumada a revezar entre marcas como Minuano, Oeste e Olimpol, a consumidora considera que a escolha dela é guiada por motivos econômicos e não necessariamente pelo receio com o lote específico. “Eu vou pelo preço. Se o Minuano está por R$ 2 e o Ypê está mais caro, eu levo o mais barato”, afirmou. Socorro não acha que a solução seja parar de usar a marca definitivamente. “Eu já usei antes e o Ypê é muito bom, ele rende e é mais concentrado que os outros. Quando essa situação passar, vou continuar do mesmo jeito: se o que estiver em conta não for do lote contaminado, eu levo”, completou.

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