Suposto atraso em obra causa atrito entre jesuítas e empreiteira

Na 601 Norte, o sagrado e o mundano se encontraram. Dona de um espaçoso terreno numa das quadras mais próximas à Esplanada dos Ministérios, a Associação Jesuíta de Educação e Assistência Social (Ajeas), reclama um prejuízo de quase R$ 90 milhões por um acordo firmado com uma empreiteira. De acordo com o portal Platô BR, em 2020, a associação firmou acordo com o grupo Venâncio Participações (VPAR) para a construção de quatro torres no local. A VPAR nega irregularidades ou atrasos. 

A ideia era capitalizar a instituição católica por meio de contratos de aluguel com a administração pública, tanto a federal, quanto a distrital. Em troca, a VPAR ficaria com parte das torres para si. Três dos prédios tinham cronograma para 2023, mas a entrega não foi efetuada. Assim, a documentação fundiária não teria sido providenciada – o que a VPAR também nega. 

Está ratificada em contrato uma multa diária de R$ 1 mil por eventuais atrasos nas obras. Cerca de 41 meses depois, o principal prejuízo se dá na impossibilidade de utilizar o terreno com outros objetivos e, claro, de não poder usar as torres, que geraria cerca de R$ 2,24 milhões mensais para cada um dos prédios alugados. 

A Ajeas é mantenedora do Centro Cultural Brasília, junto à paróquia de Santo Inácio de Loyola, localizada na mesma quadra. Entre missas e celebrações religiosas, o local também oferta oficinas, diálogos e debates voltados à comunidade. Procurados, nem a VPAR, nem a associação retornaram às tentativas de contato da reportagem.

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