O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (19), a Operação Juros Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes envolvendo descontos realizados na folha de pagamento de servidores públicos do Distrito Federal.
Ao todo, estão sendo cumpridos 50 mandados de busca e apreensão em endereços localizados em Brasília, São Paulo e Paraná, por determinação do Conselho Especial do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT).
Entre os alvos da investigação estão o Banco de Brasília (BRB), a BRB Serviços S.A., a Secretaria de Economia do Distrito Federal, o Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev-DF), a plataforma PicPay e entidades associativas supostamente ligadas ao esquema.
De acordo com as apurações, um decreto legislativo editado em 2024 teria criado uma espécie de cobrança embutida nos contracheques dos servidores, mecanismo que, segundo as investigações, teria facilitado a ocorrência das fraudes. Após a edição da norma, a folha de pagamento do Governo do Distrito Federal passou a ser operada pelo PicPay.
No âmbito da operação, a Justiça também determinou o bloqueio de R$ 90 milhões em recursos do PicPay, medida que busca garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos e aos servidores prejudicados.
A ação é coordenada pela Vice-Procuradoria-Geral de Justiça, pela Promotoria de Defesa do Consumidor e pelo Gaeco.
As diligências ainda atingem atuais e ex-dirigentes das instituições investigadas. Entre os nomes citados estão Ney Ferraz Júnior e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, que atualmente está preso.



