Moradores e trabalhadores da Quadra 301 da Avenida Parque Águas Claras, na região administrativa, relatam sensação de insegurança ao circular pela área, especialmente à noite. No local onde funcionava um bar, um grupo de pessoas em situação de rua passou a ocupar o espaço, o que tem gerado reclamações sobre barulho, conflitos e abordagens a pedestres.

Em frente ao Residencial Siena, a porteira Luciene Castro, de 35 anos, afirma que as queixas são frequentes. Segundo ela, houve uma ação recente da Administração Regional de Águas Claras para retirada e acolhimento do grupo, mas o acampamento teria sido retomado no mesmo dia.
O advogado Hercílio de Faveri Neto, de 54 anos, ex-síndico do condomínio, disse que o caso já foi comunicado diversas vezes aos órgãos competentes, sem que tenha sido apresentada uma solução definitiva. “A polícia fez varreduras para localizar possíveis armas brancas. Já o DF Legal, em conjunto com a administração regional, promoveu operações de desocupação, com retirada de pessoas e pertences, mas a ocupação foi retomada pouco tempo depois”.

Hercílio acrescenta que, em algumas ocasiões, também foram realizadas ações sociais, com a presença de equipes de saúde e distribuição de alimentos. Ainda assim, moradores seguem preocupados com o possível uso de drogas e com atividades irregulares no local.
Relatos de abordagens e ameaças
Um dos episódios foi com o estudante André Cipriani, de 21 anos, que disse ter sido abordado ao sair do supermercado com a namorada. Segundo ele, a situação teve início após a recusa em dar dinheiro. “Estava saindo do Superbom e me pediram dinheiro. Eu não dei, e a pessoa me xingou e quase veio para cima”, contou.

Funcionários e clientes do mercado também demonstram desconforto com a presença constante do grupo em frente ao estabelecimento. O gerente Bruno Lisboa, de 38 anos, afirma que a movimentação ocorre diariamente, com maior intensidade à noite, o que tem gerado reclamações.
“É algo constante aqui em frente. Não há um horário específico, mas à noite a movimentação aumenta. Muitos clientes reclamam. Já houve operação da administração, mas o grupo voltou. Não há continuidade nas ações”, disse.
Ele também relata um episódio de tensão dentro do mercado. “Um fiscal de caixa já foi ameaçado aqui. Isso aconteceu quando tentaram pegar produtos e não permitimos. Com isso, ficaram nervosos e fizeram ameaças”.
DF Legal informa novas ações
Em nota ao Jornal de Brasília, a Secretaria de Estado de Proteção da Ordem Urbanística (DF Legal) esclarece que são feitos trabalhos rotineiros de acolhimento em todo o Distrito Federal e ressalta que casos de ameaça ou violência devem ser comunicados diretamente à polícia.
O órgão também informa que foram realizadas quatro ações recentes em Águas Claras no primeiro semestre deste ano. “Nas oportunidades, a Quadra 301 foi visitada, as pessoas encontradas receberam atendimento multissetorial do GDF e estruturas precárias foram removidas”, explicou.
A pasta acrescenta que novas operações estão previstas para as regiões administrativas na segunda semana de junho, no âmbito da Coordenação Executiva da Política Distrital da População em Situação de Rua, sob coordenação da Casa Civil e com participação das demais secretarias. A medida, no entanto, ainda depende de formalização por meio do Protocolo de Ações Integradas.