Transformar o Distrito Federal em referência nacional em segurança pública é uma das principais promessas apresentadas por Kiko Caputo (Novo) na corrida pelo Palácio do Buriti. O candidato defende uma ampla modernização do setor, com maior integração entre as forças de segurança, investimento em inteligência e tecnologia e políticas que vão da prevenção nas escolas ao enfrentamento do crime organizado e dos delitos cibernéticos.
Caputo afirma que o planejamento não deve ficar restrito aos quatro anos de mandato. Sua proposta é estabelecer uma estratégia de longo prazo para o DF, com horizonte de três décadas. “Nós temos um plano para pensar nos próximos 30 anos, para devolver serviço público de qualidade para o Distrito Federal, porque ninguém aguenta mais essa sensação de insegurança”, declarou. A segurança pública tem ampliado seu peso nos orçamentos estaduais: levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que estados e DF gastaram R$ 131,2 bilhões na área em 2025, alta de 6,2% em relação ao ano anterior.
Entre as principais apostas do candidato está a criação de um sistema mais integrado entre polícias, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, trânsito e centros de comando. O plano prevê ampliar o compartilhamento de informações e recorrer a ferramentas como drones, videomonitoramento inteligente, cercamento eletrônico, reconhecimento de placas e análise de dados. A intenção é permitir que diferentes órgãos identifiquem padrões e respondam de maneira coordenada a ocorrências.
O combate ao crime organizado também ocupa espaço de destaque. Caputo propõe fortalecer as estruturas de inteligência, modernizar perícia digital, identificação biométrica e laboratórios e criar uma Câmara Técnica dedicada à análise das organizações criminosas. Outro projeto é instituir uma política distrital específica contra o narcotráfico e o tráfico de armas, reunindo investigação, repressão, recuperação de ativos e cooperação com autoridades federais e estados vizinhos.
Crimes digitais e proteção às vítimas
Uma nova estrutura dentro da Polícia Civil aparece entre as propostas. Caputo pretende criar um Departamento de Combate aos Crimes Cibernéticos, reunindo equipes especializadas, inteligência digital e perícia, além de parcerias com órgãos federais, universidades e centros de pesquisa. O crescimento desse tipo de criminalidade e a necessidade de fortalecer a atuação das polícias civis no enfrentamento aos crimes cibernéticos já vêm sendo discutidos nacionalmente.
O programa ainda prevê reforço da proteção a mulheres vítimas de violência doméstica e sexual, crianças, adolescentes, idosos e pessoas com deficiência. Segurança, saúde, assistência social e Justiça seriam integradas para acompanhar casos de maior risco e monitorar medidas protetivas. Nas escolas, a proposta combina policiamento especializado, monitoramento, inteligência territorial e protocolos de resposta para situações de emergência.
Caputo também quer levar tecnologia ao atendimento de acidentes e desastres. Chamadas de emergência poderiam receber imagens enviadas diretamente pelos cidadãos e utilizar dados de satélites e câmeras urbanas antes mesmo da chegada das equipes. Na segurança rural, a promessa é ampliar policiamento especializado e comunicação direta com produtores, enquanto pontes, barragens, sistemas de transporte e outras infraestruturas consideradas críticas teriam planos permanentes de monitoramento e contingência.
Outro eixo envolve quem trabalha nas forças de segurança. O candidato promete investimentos de longo prazo em unidades, veículos, equipamentos, comunicação e centros de comando, além de acompanhamento psicológico, formação continuada e programas de saúde para os profissionais. No sistema penitenciário, a proposta prevê fortalecer a Polícia Penal, combater comunicações ilícitas dentro das unidades e ampliar educação, trabalho e qualificação profissional para reduzir a reincidência.
Para Caputo, a estratégia precisa ir além do policiamento ostensivo. Seu plano reúne prevenção, investigação, tecnologia, sistema penitenciário, proteção social e preparação para emergências sob uma mesma política. A promessa é usar essa integração para reduzir a sensação de insegurança e colocar Brasília entre as referências brasileiras no setor.

