Um sangramento inesperado revelou uma gravidez ectópica para Tamires Rodrigues, de 28 anos, que precisou de cirurgia de emergência para remover uma das trompas. Após a perda, ela entrou em depressão e perdeu a vontade de sair da cama. Encaminhada pela unidade básica de saúde, Tamires encontrou apoio no Ambulatório de Saúde Mental Perinatal do Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib).
No ambulatório, a paciente recebeu acompanhamento com psiquiatra e equipe especializada, o que a ajudou a reorganizar seus pensamentos e lidar com o medo. Em uma nova gestação, marcada por ansiedade e pré-eclâmpsia, Tamires continuou o suporte e hoje celebra a maternidade com a filha Geovana, de 8 meses. “Sem esse apoio, eu não teria conseguido”, relata.
Pioneiro no país, o ambulatório atende mulheres com transtornos mentais graves no período gravídico-puerperal, incluindo depressão, ansiedade, transtorno bipolar, estresse pós-traumático e transtornos psicóticos. A coordenadora Maria Marta Freire explica que o foco é oferecer cuidado médico, psicológico e, em casos graves, internação.
As pacientes chegam por encaminhamento do Sistema de Regulação da Secretaria de Saúde (SES-DF). O serviço inclui consultas individuais e grupos terapêuticos, como o pré-natal psicológico coordenado pela psicóloga Alessandra Arrais, que aborda rede de apoio, manejo de emoções e prevenção da depressão pós-parto.
A psicóloga Cristina Azevedo destaca que problemas na saúde mental materna podem afetar o vínculo com o bebê, a amamentação e o desenvolvimento infantil. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que cerca de 10% das gestantes e 13% das mulheres no pós-parto desenvolvem transtornos mentais, principalmente depressão, com riscos de suicídio em casos graves.
A iniciativa integra a campanha Maio Furta-Cor, que promove a conscientização sobre saúde mental materna e incentiva o acesso ao tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS). O acompanhamento pode se estender por até um ano e meio após o parto.
O serviço também envolve residentes de diversas áreas da saúde, como a psicóloga Bruna Adorno e a médica Letícia Santana, que enfatizam a importância de um cuidado integral e humanizado, considerando o contexto familiar da paciente.
*Com informações da Agência Brasília


