O candidato ao Governo do Distrito Federal Leandro Grass (PT) prometeu mudar o modelo de gestão da saúde pública e devolver à Secretaria de Saúde o comando da área caso seja eleito. A proposta foi apresentada nesta segunda-feira (14/9), durante entrevista ao DF1, da TV Globo. Na conversa, Leandro também apresentou mudanças para a segurança pública, assistência social e educação e voltou a defender uma revisão das despesas e dos benefícios fiscais do DF.
Na avaliação de Grass, o atual modelo de gestão da saúde precisa ser revisto. O candidato afirmou que o IGES-DF deverá passar por mudanças e defendeu uma estrutura que combine maior autonomia administrativa com mecanismos de controle e transparência.
Segundo Leandro, o instituto consome mais de R$1 bilhão por ano dos recursos da saúde pública, mas não entrega os resultados esperados. O candidato afirmou ainda que o modelo acabou criando uma disputa de espaço com a Secretaria de Saúde, principalmente na atenção primária.
A crítica do candidato foi direcionada à relação entre interesses públicos e privados dentro do instituto. Grass afirmou que, quando era deputado distrital, denunciou contratações que, segundo ele, envolviam pessoas sócias de médicos que trabalhavam no próprio IGES.
“O IGES é pago, mas ele não cumpre as metas e tem problemas de corrupção. Inclusive eu, quando era deputado, denunciei no IGES a contratação de pessoas que eram sócias de médicos que trabalhavam no instituto”, afirmou.

Leandro Grass, em entrevista ao DF1 nesta segunda-feira
Na sequência, o candidato citou o que classificou como uma mistura entre interesses públicos e privados e mencionou suspeitas de irregularidades em contratos.
“Eu vi que havia ali uma certa confusão do público e do privado, uma aplicação de recurso, superfaturamento de contrato. O secretário de saúde foi preso com uma denúncia que eu levei”, disse.
Grass defendeu que a Secretaria de Saúde volte a concentrar o comando da área, enquanto o modelo de gestão do instituto seria reformulado. A proposta, segundo ele, também prevê o aproveitamento de profissionais que atuam na ponta e mudanças na estrutura administrativa.
A reorganização da rede viria acompanhada da ampliação das UBSs, com mais equipes e especialistas. O objetivo para Leandro, é fortalecer o atendimento perto de casa e reduzir a pressão sobre os hospitais.
Durante a entrevista, Grass afirmou que a espera média para uma consulta no DF chega a 254 dias. Também disse que cerca de R$200 milhões em recursos federais para a saúde teriam sido devolvidos no último ano por falta de utilização.
O candidato prometeu ainda concluir obras de unidades hospitalares em Ceilândia, São Sebastião e Recanto das Emas, além da UPA do Guará.
Câmeras corporais
Na segurança pública, Leandro afirmou ter mudado de posição sobre o uso de câmeras corporais por policiais. Em 2022, segundo o próprio candidato, a tecnologia não era tratada por ele como prioridade. Agora, ele defende a adoção dos equipamentos como forma de proteger tanto os agentes quanto a população.
“Mudei porque estamos vendo que a tecnologia é uma aliada da polícia. É bom para o policial porque protege de desacatos, de agressões. Ele fica amparado em termos de informação daquilo que aconteceu no seu dia a dia de trabalho. E é bom para a população também que tem ali a garantia de que essa relação com a força policial vai ser também registrada”.
A medida faria parte de uma política mais ampla de monitoramento. Grass propôs a criação da Rede Sentinela, com centrais regionais de acompanhamento de imagens funcionando 24 horas por dia. A intenção, segundo ele, é descentralizar o monitoramento e aproximar as estruturas de segurança das regiões administrativas.
“O meu monitoramento é um monitoramento que vem com ação. Não é só ficar observando o que está acontecendo na rua”.
O candidato também defendeu o fortalecimento do policiamento comunitário e a realização de concursos periódicos para recompor os efetivos das polícias Civil e Militar e do Corpo de Bombeiros. Segundo ele, o déficit de profissionais é um dos obstáculos para ampliar a presença policial.
Aluguel social para evitar situação de rua
Na área social, Grass apresentou uma proposta de aluguel social de R$600 mensais para pessoas em situação de vulnerabilidade. A medida, segundo o candidato, teria como objetivo agir antes que a pessoa chegue à situação de rua.
Leandro citou uma estimativa de cerca de 10 mil pessoas que já estariam nas ruas ou em situação de vulnerabilidade para chegar a essa condição. Ele também relacionou o problema à fila da Codhab.
A proposta faz parte do programa que o candidato quer implementar. “Para quem não tem casa, a moradia primeiro. Para quem está em sofrimento mental, CAPS. Para quem precisa de trabalho, profissionalização e acesso à renda e assim por diante”,.
Grass também se posicionou contra a adoção de internações involuntárias para pessoas em situação de rua. Para ele, o procedimento depende de decisão médica e deve seguir os critérios previstos em lei.
Contas e benefícios fiscais
Para financiar parte das propostas, Grass afirmou que pretende revisar benefícios fiscais concedidos pelo Distrito Federal, além de contratos e despesas do governo.
O candidato declarou que o DF enfrenta um déficit fiscal de cerca de R$5 bilhões e questionou o volume de renúncias concedidas a grandes empresas. Segundo ele, haveria aproximadamente R$13 bilhões em benefícios fiscais que precisam ser reavaliados.
A estratégia, de acordo com Leandro, seria revisar as renúncias e cortar despesas que considera supérfluas para direcionar recursos a áreas como saúde, educação e segurança.
Na entrevista, o candidato também afirmou ser contrário à privatização do BRB e defendeu uma auditoria sobre a operação envolvendo o banco e o Banco Master. Para ele, a população não deve arcar com eventuais prejuízos decorrentes do caso.
Ao longo da entrevista, Grass apresentou as propostas como parte de um projeto de mudança na gestão do Distrito Federal, com a promessa de reorganizar serviços públicos e rever contratos, gastos e estruturas administrativas.



