Distrito Federal consolida rede de 85 escolas de educação do campo

O Distrito Federal consolidou uma das maiores redes de educação do campo do país, com 85 escolas distribuídas em regiões como Planaltina, Paranoá, Brazlândia e Ceilândia. Essa estrutura posiciona a rede pública do DF entre as que mais concentram unidades voltadas ao ensino no meio rural no Brasil.

Além de garantir matrículas, essas escolas reduzem distâncias históricas em territórios remotos, onde deslocamentos até áreas urbanas podem levar horas. Elas promovem permanência escolar, segurança e continuidade dos estudos, funcionando também como pontos de encontro comunitários, integrando rotina escolar e vida no campo.

Em 17 de abril, data do Dia do Campo, as unidades realizaram atividades que envolveram estudantes, professores e famílias, reforçando o papel das escolas na formação integral e no fortalecimento de vínculos comunitários.

No Centro de Ensino Fundamental (CEF) Bonsucesso, em Planaltina, mais de 500 estudantes participaram de uma programação ao ar livre na Chácara 49, incluindo caminhada coletiva e ações educativas sobre conscientização ambiental e qualidade de vida. O estudante Miguel Gonçalves destacou a experiência: “Além de ser uma atividade muito rica, amplia nossa visão. Em vez de ficar só na escola, a gente aprende também fora dela, conhecendo árvores importantes, rios e muitas outras coisas que fazem parte do nosso território.”

Na Escola Classe (EC) Guariroba, alunos criaram maquetes representando moradias e elementos do cotidiano local, com exposição que reuniu familiares e moradores. A mãe Luciete Moura, de Zaion Moura, enfatizou: “Facilita muito e tem mais segurança. Temos mais acesso aos professores, cria vínculo e isso se fosse na cidade não teria como.”

Na área rural de Ceilândia, todas as escolas do campo da região, como a EC Jiboia, o CEF Boa Esperança, a EC Lajes da Jiboia, o CED Incra 9 e a EC Córrego das Corujas, mobilizaram atividades em alusão à data. A coordenadora intermediária Thailisa Katiele Batista de Oliveira destacou: “Celebrar o Dia do Campo é reconhecer a trajetória dessas comunidades e valorizar uma educação conectada ao território, à cultura local e às vivências dos nossos estudantes. Essas escolas cumprem um papel fundamental para garantir acesso, permanência e aprendizagem.”

A mãe Amanda Oliveira, de 28 anos, reforçou a importância: “A escola aqui perto faz toda a diferença. Sem ela, seria muito mais difícil garantir o acesso das crianças à educação.”

A rede de escolas do campo no DF vai além dos números, atuando como eixo estruturante em regiões com forte presença de áreas produtivas e comunidades tradicionais. Elas desenvolvem atividades que dialogam com a realidade rural, promovendo educação ambiental, valorização do território e práticas pedagógicas conectadas ao cotidiano. Essa capilaridade contribui para reduzir desigualdades, diminuindo a evasão escolar e ampliando o acesso, fortalecendo o vínculo entre estudantes e escolas.

As ações do Dia do Campo, realizadas em diferentes regiões administrativas, reafirmam o papel das escolas como espaços de aprendizagem, convivência e pertencimento. No DF, a educação do campo segue como política estruturante da Secretaria de Educação (SEEDF), fazendo diferença no presente e no futuro para quem vive longe do centro.

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