Delegada das mulheres no DF defende atuação de acompanhamento psicossocial para combater violências

Por Duda Barreto e Rafael de Paula

Titular da Delegacia das Mulheres do DF, Karen Langkammer afirmou, nesta semana, que nenhuma pessoa atendida que passou por acompanhamento psicossocial no Núcleo Integrado de Atendimento à Mulher (NUIAM) tornou-se vítima de feminicídio. 

O núcleo é uma iniciativa da PCDF que busca prestar um atendimento psicológico, jurídico e humanizado às mulheres vítimas de violência doméstica e registrou 24 mil ocorrências no ano de 2025. No total, ocorreram 50 mil casos de violência doméstica no DF no ano passado. Entretanto, a estimativa é que 26 mil não foram registrados.

“Quando a mulher vai no núcleo, não é um número. Ela é uma pessoa”, explica a delegada.

“Essa violência sempre vai crescer, se a gente não interromper, ela chega no ápice dela, incluindo feminicídio”, acrescenta. 

O ciclo de violência, explicado pela delegada, consiste em 3 etapas. A primeira é a tensão, marcada por desavenças cotidianas no relacionamento. A segunda é a da violência, psicológica ou física. A terceira é a fase da “Lua de Mel”, na qual o agressor tenta se “reconciliar” com a vítima, o que gera uma chantagem emocional. 

Acompanhamento psicológico

A professora de psicologia Luciana Bareicha, de 55 anos, do Centro Universitário de Brasília, compartilhou que o funcionamento do atendimento psicossocial prevê quatro atendimentos emergenciais, de um hora cada, com o objetivo de amparar a mulher e coletar informações úteis para o processo de queixa. 

O atendimento, de acordo com a pesquisadora, consiste em uma conversa com uma psicóloga, que escuta ativamente, acolhe e orienta a vítima, e se necessário a encaminha para outros profissionais da área de saúde mental. Ela também afirma que esse acompanhamento é fundamental para conscientizar as mulheres vítimas. 

“Existem fatores culturais, a ideia de que a mulher precisa ser submissa ao homem, então, as meninas, desde crianças, vão sendo colocadas no lugar onde elas devem servir aos homens” expôs acerca da dificuldade das vítimas saírem de situações abusivas. 

Roda de conversa

A roda de conversa sobre o tema ocorreu no evento científica Conecta, promovgido pelo Centro Universitário de Brasília.

“Falar sobre o assunto é fazer com que a gente tenha mais consciência sobre o que é o ciclo da violência doméstica e dos abusos sexuais que existem na sociedade e como a gente pode denunciar”, afirma Luciana Bareicha.

Para denunciar qualquer tipo de violência doméstica, ligue para o número 190, ou 197 (denúncia anônima).

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

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