O comércio do Distrito Federal registrou uma receita bruta de R$ 132,2 bilhões em 2024, aponta a Pesquisa Anual do Comércio (PAC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (29). A participação do DF na receita bruta de revenda do comércio da Região Centro-Oeste corresponde a 14,2%, é o menor percentual entre todos os estados da região apesar do montante expressivo levantado pela pesquisa.
A PAC considera os três principais segmentos do setor: comércio de veículos automotores, peças e motocicletas; comércio por atacado; e comércio varejista. Do total da receita bruta registrada em 2024, cerca de R$ 56,7 bilhões foram gerados no comércio varejista (42,9%); R$ 56,0 bilhões vieram do comércio por atacado; e R$ 19,5 bilhões do comércio de veículos automotores, peças e motocicletas.
De acordo com o IBGE, a atividade comercial compreende as empresas que se dedicam à revenda de mercadorias ou representação comercial, seja diretamente ao consumidor final – como é o caso do comércio varejista, seja para um consumidor intermediário, que, por exemplo, pode vir a fazer uso profissional, no caso do comércio por atacado. O comércio de veículos automotores, peças e motocicletas, por sua vez, comporta empresas que podem exercer, simultaneamente, tanto as vendas no varejo como no atacado.
Para o presidente do Sistema Fecomércio-DF, José Aparecido Freire, os resultados confirmam a importância estratégica do comércio para a economia da capital, especialmente na geração de empregos e na sustentação do consumo. “Os dados da Pesquisa Anual de Comércio demonstram a dimensão e a capilaridade do setor no Distrito Federal. São mais de R$ 132 bilhões em receitas, quase 25 mil estabelecimentos e 164 mil pessoas ocupadas, números que revelam a contribuição direta do comércio para a geração de renda, oportunidades e desenvolvimento nas regiões administrativa”, comentou Freire.
Sebastião Abritta, presidente do Sindicato do Comércio Varejista do DF (Sindivarejista-DF), comentou o destaque que recebeu o comércio varejista na PAC 2024. “O consumo aumentou, sobretudo, nas áreas de maior população, como São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Houve crescimento também no total de empresas, estes fatores acumulados explicam os resultados”, disse Abritta. Apesar da liderança do varejo, o presidente do Sistema Fecomércio-DF ressaltou que ainda existem desafios para esse setor:
“O varejo se destaca por concentrar a maior parte dos empregos e das empresas, mas ainda possui desafios importantes, como a necessidade de ampliar a produtividade, melhorar a qualificação profissional e fortalecer a competitividade das empresas. E consequentemente, aumentar a remuneração, que também enfrenta barreiras, como juros elevados, encargos sobre a folha, carga tributária, burocracia, insegurança jurídica e margens reduzidas”, avaliou Freire.
Para Alaor Gomes Neto, presidente do Sindiatacadista-DF, a PAC 2024 também reforça a relevância do setor atacadista para a economia do DF. “Mais do que abastecer a população brasiliense, o DF consolidou-se como um importante hub logístico do Centro-Norte do país. As empresas instaladas aqui atendem mercados de diversos estados, como Goiás, Tocantins, Maranhão, Piauí, Bahia, entre outros, gerando riqueza, arrecadação tributária e milhares de empregos para o Distrito Federal”, afirmou.
De acordo com ele, esse protagonismo exige um olhar estratégico do poder público. “Para que o setor continue crescendo, atraindo investimentos e ampliando sua capacidade de distribuição, é fundamental investir em infraestrutura, especialmente em logística, mobilidade e áreas adequadas para expansão das empresas. O atacado tem enorme potencial para impulsionar ainda mais o desenvolvimento econômico do DF, desde que encontre um ambiente favorável para continuar investindo e gerando oportunidades”, completou.
DF teve média salarial de R$ 2.400
A PAC 2024 traz também a variável de salário médio no mercado de trabalho no comércio, medida em múltiplos do salário mínimo (s.m.) vigente em cada ano. No Distrito Federal, as empresas comerciais pagaram, em média, 1,7 s.m. em 2024. No período analisado, o salário mínimo no Brasil era de R$ 1.412,00 por mês. Com isso, o salário médio no mercado de trabalho no comércio na capital em 2024 era de cerca de R$ 2.400. Segundo a pesquisa, esse valor coloca o DF, ao lado de Goiás, como os menores salários médios da região Centro-Oeste no ano retrasado. O estado de Mato Grosso apresentou a maior média salarial da região (2,1 s.m.), seguido pelo estado do Mato Grosso do Sul com média de 1,8 s.m.
Os gastos com salários, retiradas e outras remunerações das empresas comerciais, em 2024, no Distrito Federal, chegaram a R$ 5,1 bilhões. Destes, R$ 3,4 bilhões (66,7%) foram gastos no comércio varejista; R$ 1,0 bilhão (20,5%), no comércio atacadista e R$ 650,0 milhões (12,8%), no comércio de veículos automotores, peças e motocicletas. Com relação à remuneração no comércio do DF, Freire pontuou que empresas mais produtivas e financeiramente saudáveis têm melhores condições de gerar empregos, qualificar trabalhadores e ampliar salários de forma consistente. “Esse é um compromisso permanente da Fecomércio-DF com os sindicatos, o setor produtivo, os trabalhadores e o poder público”, finalizou.
Outros dados da pesquisa
A PAC permite revelar os dados referentes à margem de comercialização, que representa a diferença entre a receita líquida de revenda (maior parcela da receita operacional líquida proveniente da venda de mercadorias) e o custo das mercadorias revendidas, ou seja, se as vendas cobriram os custos. A margem de comercialização das empresas comerciais, em 2024, no Distrito Federal, alcançou R$ 26,7 bilhões. Desse total, R$ 15,7 bilhões (58,8%) foram gerados pelo comércio varejista; R$ 8,3 (31,0%) bilhões vieram do comércio atacadista e R$ 2,7 bilhões (10,2%) do comércio de veículos automotores, peças e motocicletas.
Sobre pessoas ocupadas no setor em 2024, as empresas comerciais do DF ocupavam 164,6 mil pessoas. A maior parte delas estava no comércio varejista (74,6%). O comércio atacado (15,0%) aparece na sequência, e o de veículos automotores, peças e motocicletas completa a lista (10,4%).
Com relação ao número de unidades locais com receita de revenda das empresas comerciais no Distrito Federal, em 2024 foram registradas 24,9 mil unidades locais. Desse total, 19,2 mil unidades (77,0%) pertenciam ao comércio varejista; 3,5 mil (14,1%) ao comércio atacadista e 2,2 mil (8,9%) ao comércio de veículos automotores, peças e motocicletas, evidenciando a predominância do comércio varejista na estrutura empresarial do setor comercial do Distrito Federal.
Realizada anualmente pelo IBGE desde 1996, a PAC retrata a estrutura e o desempenho das empresas do setor comercial no Brasil, fornecendo informações essenciais para o planejamento de políticas públicas e para a tomada de decisões do setor privado. A pesquisa tem como unidade de investigação a empresa comercial, definida como aquela cuja principal fonte de receita é a atividade de comércio. Segundo o IBGE, os dados da PAC são produzidos com base no Cadastro Central de Empresas (Cempre), alimentado por pesquisas econômicas do instituto e por registros administrativos.
