Com quatro anos de mandato pela frente, a governadora Celina Leão destacou algumas das prioridades de sua nova gestão. Ao Jornal de Brasília, dois dias após ser eleita, a mandatária reforçou que seguirá nas ruas em contato com a população para defender as demandas da comunidade e recursos do Distrito Federal. as mulheres e a representatividade feminina. Ela pretende construir um “governo com alma”, voltado para a atenção aos idosos, jovens e pessoas mais vulneráveis.
Para Celina, a campanha eleitoral com a presença nas ruas, foi uma experiência enriquecedora que ela vai levar para sua gestão. “A nossa energia, a nossa emoção. Isso vai fazer parte do nosso mandato de quatro anos.” Ao comentar sobre suas caminhadas pelas regiões administrativas do DF e o diálogo que teve com a população, ela agradeceu ao Jornal de Brasília pela cobertura: “Vocês estavam todos os dias acompanhando cada uma das nossas ações. E agora vamos seguir com as entregas, porque a população tem muita expectativa no nosso trabalho. E eu vou poder honrá-los trabalhando muito, cada vez mais.”
A chefe do Executivo comentou sobre a preservação dos recursos do Distrito Federal — pauta que ela já vinha defendendo em agendas recentes, onde esteve em uma mobilização com a bancada do DF em torno das ameaças de mudanças nas regras do Fundo Constitucional (FCDF). A defesa do fundo continuará sendo prioridade no novo mandato. Questionada sobre como pretende conduzir essa relação com a União e proteger a receita da capital diante do cenário político e fiscal nacional após as votações, Celina reconheceu o resultado que reelegeu Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para seu quarto mandato como presidente, e afirmou que também foi eleita pela escolha do povo. Ela apostou no perfil conciliador para manter a interlocução com o Palácio do Planalto: “Eu sou uma mulher capaz de fazer um diálogo institucional pela minha cidade. Acho que isso também foi algo importante, que a população votou em mim sabendo disso. Então, a gente vai estar pronta para dialogar e, todas as vezes que o DF precisar, nós vamos, sim, estar dialogando com o Governo Federal.”
Uma das principais questões durante a corrida eleitoral foi a crise no Banco de Brasília (BRB), e Celina afirmou que a estratégia para lidar com os desafios envolvendo o banco no próximo governo começa pelo otimismo com foco na pacificação do ambiente de gestão com o fim do período eleitoral. Para a gestora, o encerramento das disputas nas urnas tende a dar uma acalmada nas pressões e abrir espaço para soluções institucionais: “A estratégia continua da mesma forma. Eu acho que a questão eleitoral passando, como passou já, vai trazer uma amenidade, uma situação mais tranquila para a gente resolver”, avaliou.
Durante a campanha, Celina havia assumido o compromisso de manter o banco, descartando qualquer intenção de privatização. Em outra agenda no mesmo dia, a governadora reafirmou a busca por uma solução rápida e técnica. Na ocasião, ela reforçou que a disputa eleitoral contaminava as tratativas e, já nos primeiros dias pós-pleito, contou que recebeu telefonemas sobre isso e tem a expectativa de resolver as demandas com serenidade: “Eu tenho um lado, mas aquilo que for importante pela cidade vou falar e tratar. Sobre o BRB, por exemplo, e todas as vezes que a cidade precisar buscar o Governo Federal para uma tratativa, vou fazer”, pontuou.
Celina salientou que seu foco principal nestes próximos quatro anos seguirá sendo a saúde, assim como foi nestes meses em que assumiu o Palácio do Buriti. Para resolver o problema do atendimento médico na rede básica de saúde e melhorar o serviço entregue, ela contou que muitas coisas estão sendo feitas. “São várias ações, várias frentes: o Expresso da Saúde, reformas dentro dos hospitais, contratação de médicos, entrega de UPAs”, citou.
Como legado de sua gestão à frente do GDF, Celina reforçou que seu objetivo é atender as pessoas, com foco em grupos como a população em situação de vulnerabilidade, famílias atípicas, idosos, jovens e mulheres. “Eu quero deixar o legado de um governo com alma, uma gestão que atendeu as pessoas mais humildes, que cuidou das mulheres, que cuidou dos idosos e dos nossos jovens.”
Ela tem a expectativa de deixar também um legado focado em grandes obras e infraestrutura. Ela citou os estudos de viabilidade para a construção da Linha 2 do Metrô e de duas linhas do VLT, conectando áreas periféricas à Esplanada dos Ministérios e ao Aeroporto, como algo que pretende levar a fundo nesta nova etapa. “E eu acho que o legado também é para as mulheres, de que elas conseguem sim romper barreiras e entregar algo muito melhor.” Ela comentou ainda sobre a representatividade feminina como resultado do que os eleitores escolheram para o DF: “É a representatividade feminina, para aquelas que votaram na gente e para aquelas que não votaram também. Hoje a gente governa para todos e eu tenho certeza que nós vamos fazer um governo de muitos trabalhos.”


