Acessibilidade em parques de diversões garante inclusão em momentos de lazer

O recesso escolar é o período perfeito para passeios, viagens e visitas a parques temáticos que fazem parte da programação de muitas famílias brasileiras. Mas, para pais e mães de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), essas nem sempre são experiências simples. A sensibilidade sensorial, filas, o excesso de estímulos e a falta de acessibilidade ainda podem representar questões que limitam o momento de lazer.

No DF, pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) têm garantido por lei o direito à meia-entrada em parques temáticos e de diversões, e o benefício se estende a um acompanhante. A regra vale em todo o território nacional e é respaldada, no Distrito Federal, pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência.

Pensando nos pais, mães e responsáveis de crianças com autismo, iniciativas de inclusão adotadas por parques temáticos ganham cada vez mais relevância. Um dos parques do DF que aplicam políticas de inclusão, é o Parque Nicolândia que, como o proprietário do estabelecimento, Marcelo Gomes, explicou, adota uma medida que garante passe livre e acesso à pulseira VIP para pessoas com deficiência (PCDs) e pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Para ele, isso acaba proporcionando mais conforto às famílias durante a visita.

Marcelo explicou que é necessário que o visitante esteja acompanhado de um responsável, que adquire a pulseira pelo valor de R$ 50,00 nos dias de semana e R$ 70,00 aos finais de semana e feriados, exclusivamente na bilheteria do parque. Para ter acesso ao benefício, é preciso apresentar o laudo ou a carteirinha de identificação, além do RG, presencialmente na bilheteria, independentemente da idade.

Para ele, iniciativas como esta ajudam a promover acessibilidade e inclusão, elementos essenciais para que todas as crianças tenham a oportunidade de viver experiências de lazer de forma segura, acolhedora e com mais conforto. “Durante o recesso escolar, quando muitas famílias buscam opções de entretenimento, garantir esse acesso significa permitir que crianças com deficiência e autistas participem plenamente das atividades, fortalecendo a convivência familiar, a socialização e o sentimento de pertencimento.”

Além de proporcionar momentos de diversão, ele acredita que a inclusão permite também o desenvolvimento social e emocional das crianças, incentiva o respeito às diferenças e reforça a importância de espaços de lazer preparados para receber todos os públicos. “É uma forma de tornar a experiência mais inclusiva, garantindo que nenhuma criança fique de fora das atividades por falta de acessibilidade”, finalizou.

Um outro exemplo, mas a nível nacional é o Beto Carrero World, que oferece o Passaporte Kelly, benefício destinado a pessoas com TEA, deficiência intelectual, múltipla e outras condições contempladas pelo programa. O ingresso gratuito foi criado em homenagem a Kelly Murad, filha caçula de Beto Carrero, e tem como objetivo ampliar o acesso ao lazer, proporcionando experiências mais acolhedoras e acessíveis para visitantes e suas famílias.

Desenvolvimento infantil

Atuando diretamente com famílias de crianças atípicas, especialistas acreditam que medidas como essas representam oportunidades reais de participação social, autonomia e pertencimento. Para a fonoaudióloga Paula Anderle, o acesso ao lazer é parte fundamental do desenvolvimento infantil. “Quando falamos sobre inclusão, não estamos falando apenas de educação e saúde. A criança precisa estar inserida em todos os ambientes da sociedade, inclusive nos espaços de diversão.”

Segundo ela, as experiências vividas durante passeios e viagens contribuem para o desenvolvimento da comunicação, da interação social, da autonomia e para a construção de memórias afetivas. “Quando um parque se prepara para receber crianças autistas, ele está criando oportunidades para que elas participem plenamente dessas vivências”, afirma.

A terapeuta ocupacional Catiuscia Homem destaca que a previsibilidade e a adaptação dos ambientes são fatores que fazem a diferença para muitas famílias. “Muitas crianças autistas apresentam desafios relacionados ao processamento sensorial. Ambientes muito barulhentos, com excesso de estímulos visuais ou longos períodos de espera podem gerar desconforto significativo”, disse. Desta forma, a especialista acredita que, quando o local oferece recursos de acessibilidade, orientações adequadas e alternativas que respeitem essas necessidades, a experiência se torna mais segura e prazerosa para toda a família.

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