Cerca de 18,1% das escolas da rede pública do Distrito Federal ficaram sem nota no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica 2025 (Ideb). De 811 unidades, 147 não tiveram seu desempenho calculado. O motivo foi o baixo número de alunos para a realização da prova do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), já que o exame requer pelo menos 80% dos alunos matriculados ou o mínimo de dez alunos por turma.
A falta dos dados afeta principalmente os níveis finais da trajetória escolar. De acordo com os dados do Ideb 2025, o grupo sem nota é composto por 73 escolas dos anos finais do ensino fundamental e 74 colégios de ensino médio. Os testes para os anos iniciais são feitos por amostragem, por isso essa etapa não sofreu o mesmo impacto.
O “ponto-cego” estatístico
Carlinhos Costa, especialista em educação pública e sócio-fundador do Os Pedagógicos, argumenta que a ausência desses indicadores cria uma grave lacuna para a gestão. “Se muitas escolas ficam sem Ideb, então há um ponto cego estatístico. Isso não impede o planejamento por completo, há outros bancos de dados, mas limita sua precisão”, alerta o especialista.
Costa reforça que o Ideb é uma ferramenta importante, já que combina aprendizagem e fluxo escolar, o que permite um acompanhamento mais aproximado do crescimento da escola ao longo dos anos. Ele também destaca que o prejuízo é maior após a pandemia do Covid-19. “Se dados comparáveis estão ausentes em parte dessa jornada, então quanto os alunos perderam, quanto recuperaram e quais dificuldades permaneceram serão mais difíceis de avaliar”, explica o especialista.
O silêncio de quem ficou de fora
Colégios antigos da capital brasileira, como o Centro de Ensino Médio Asa Norte (Cean), enfrentam um apagão pedagógico há seis anos, sem notas divulgadas desde 2019 o diretor do Cean, Claudinei de Oliveira, relata que na última prova o clima foi um empecilho para a movimentação dos alunos até a escola, apesar da de terem se organizado para o teste. “A prova do Saeb foi aplicada dia 3 de novembro de 2025, dia esse com muita chuva no CEAN, o que resultou na baixa adesão”.
De acordo com o diretor, a falta desses dados dificulta a rotina de planejamento da escola. “Entendemos que a indisponibilidade de dados do Ideb dificulta o acompanhamento dos resultados e a realização de uma análise mais precisa do desempenho da escola para planejar estratégias de melhorias”, afirma Claudinei.
Ele ressalta que a escola trabalha para identificar estudantes que vêm faltando muito, e destaca que o caso da prova do Saeb foi uma ausência pontual influenciada por condições excepcionais.
A estratégia da Secretaria
A Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) afirma que a identificação “ND” tem que ser analisada caso a caso. “Não significa, necessariamente, que a escola não tenha aplicado a avaliação ou que tenha deixado de atingir um único requisito específico de participação”, explicou a Secretaria. O registro de dados do Saeb 2025 afirma que, das 618 escolas elegíveis, somente 546 participaram e 488 atingiram o quórum mínimo para a publicação dos resultados.
Para tentar preencher o vazio deixado pelo Ideb nas 147 unidades, o governo aposta em um sistema interno. “É utilizado o SipaeDF, sistema permanente de avaliação da rede, que monitora por escola e por Coordenação Regional o desempenho em língua portuguesa e matemática, além de frequência escolar, fluxo e recomposição de aprendizagens”, declara a Secretaria em nota.
A SEEDF informou que houveram ações na tentativa de ampliar a participação estudantil em 2025. “As principais iniciativas incluem a realização de visitas de sensibilização às escolas, o acompanhamento sistemático da participação dos estudantes e a articulação das equipes regionais para identificar unidades com necessidade de maior mobilização, além de mobilização da rede e divulgação de informações nas redes sociais e nos canais institucionais”, informou o órgão.



