UOL/FOLHAPRESS
Um advogado expulso da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) foi preso nesta terça-feira (27) no Distrito Federal suspeito de dar um golpe de quase R$ 1 milhão em uma mulher de 79 anos.
A vítima conheceu o homem há três anos quando procurava ajuda espiritual. Segundo a investigação, ela havia acabado de perder uma ação judicial e foi atrás de um vidente, já falecido, que atendia na rodoviária do Plano Piloto. A identidade da idosa não foi divulgada para preservá-la.
O vidente, então, apresentou o falso advogado a ela. Durante a aproximação, ele convenceu a idosa a investir em um terreno em Águas Lindas de Goiás, um imóvel que estaria sendo alvo de ação de usucapião e poderia beneficiá-la.
Sob o pretexto do investimento imobiliário, ele fez com que a mulher a transferisse R$ 981 mil ao longo dos três anos. Segundo a Polícia Civil, esses valores jamais resultaram em qualquer retorno financeiro ou comprovação de aquisição do imóvel.
O criminoso chegou a contratar um advogado legítimo para representá-lo no procedimento de usucapião. Em depoimento aos investigadores, no entanto, o profissional contou que recebeu apenas R$ 35 mil a título de honorários iniciais. “O que reforça a desproporcionalidade entre os valores entregues pela vítima e o efetivo custo do procedimento judicial”, entendeu o delegado Wellington Barros Pereira.
Ainda não há informações sobre o destino do valor total. Não foi revelado, até o momento, se o homem adquiriu o empreendimento imobiliário para si ou se usou a quantia para outras finalidades.
A situação foi denunciada à polícia pelo irmão da vítima, 67. Ele contou que o suspeito estava na porta da casa da mulher para tentar pegar mais dinheiro. As equipes foram até o local e o prenderam em flagrante.
O suspeito negou o crime. O homem alegou que foi até a residência dela apenas para levar um contrato de prestação de serviços advocatícios e que passou a auxiliá-la como “amigo” por entender que ela era uma pessoa “sozinha e vulnerável”.
A reportagem entrou em contato com a OAB para questionar o motivo da expulsão. Não houve retorno até o momento, mas o espaço segue aberto para manifestação.


