Terceiro andar de prédio em Taguatinga desabou

Um prédio com pavimento térreo e três andares residenciais foi isolado pela Defesa Civil após a queda de parte da marquise frontal. O desabamento ocorreu na última quarta-feira em Taguatinga, na CNC 2, lote 13, e felizmente, não houveram vítimas. Foram identificados riscos à integridade física de moradores e pedestres devido ao possível desprendimento de partes da sacada. Além disso, a vistoria técnica também concluiu  que a estrutura apresentava falhas estruturais graves. A Secretaria de Segurança Pública (SSP/DF), por meio da Subsecretaria do Sistema de Defesa Civil (Sudec), agora monitora as obras de contenção e a regularização documental do imóvel.

O prédio de uso comercial e residencial passou por uma vistoria técnica, realizada por volta das 21h, após o atendimento do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF). Durante a inspeção, foram constatadas infiltrações e a queda parcial da marquise frontal que, de acordo com a Defesa Civil, se encontrava apoiada sobre a laje e a sacada do terceiro pavimento, o que caracterizou a situação de risco.

A análise técnica também observou anomalias estruturais com potencial de progressão, incluindo risco de desabamento da platibanda e da sacada do terceiro andar. Caso isso ocorresse, segundo a vistoria, a consequência seria a queda de elementos construtivos sobre pedestres, moradores e veículos. O edifício fica próximo ao Hospital Anchieta; no local, funciona uma clínica de fisioterapia e, nos pavimentos residenciais, dois dos apartamentos contam com moradores.

A Defesa Civil isolou a área como uma das medidas imediatas adotadas logo após o ocorrido. Também foi realizada a instalação de bandejas de contenção e a retirada da platibanda e da marquise que estavam apoiadas sobre a sacada do terceiro andar, com o objetivo de eliminar o risco de queda de materiais.

A subsecretaria agora aguarda a apresentação de um laudo técnico, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), para assegurar a segurança estrutural da edificação, identificar as causas das anomalias verificadas e indicar as soluções necessárias para a mitigação dos riscos. “A Secretaria de Segurança Pública segue acompanhando o caso, reforçando que a atuação da Defesa Civil tem como prioridade a preservação da vida e a prevenção de acidentes”, finalizou o órgão em nota.

Demolição e previsão de retorno

Rafael Schroder, engenheiro civil e de segurança do trabalho, é o responsável pelo acompanhamento do edifício que sofreu o colapso estrutural da marquise. Para a equipe de reportagem do JBr, ele contou que agora está sendo feito o trabalho de demolição das áreas de risco. “A gente tem uma estrutura que já sofreu um colapso estrutural e tem mais duas estruturas que precisam ser retiradas.”

Segundo ele, entre os próximos 10 a 15 dias, o foco será voltado para restabelecer o estado de uso da edificação, para que as pessoas possam retomar suas rotinas de forma normal e utilizar novamente as unidades residenciais e comerciais. Ele afirmou que esse tipo de patologia ocorre por conta de infiltrações.

Rafael descreveu que a laje sofre com a infiltração contínua. “É um processo que leva anos e, com ela, ocorre a perda de seção de aço: uma corrosão que acontece na armadura da laje e que acaba ocasionando esse colapso”, completou. Ele acrescentou que os moradores só poderão entrar na edificação para retirar roupas, móveis, documentos, remédios e outros pertences depois que a retirada das partes que oferecem risco de colapso iminente for realizada.

Relato de livramento

A dona de casa Rosilene Rodrigues da Silva, 55 anos, acredita que passou por um livramento. Ela mora com a filha no terceiro andar, justamente onde ocorreu o desabamento. Na hora em que a marquise caiu, Rosilene tinha saído para comprar um açaí. “A gente está bem fisicamente, graças a Deus não aconteceu nada. Foi Deus que me deixou de fora, porque se eu volto, seria bem na hora da queda”, relatou. Ao retornar, ela encontrou ambulâncias e bombeiros no local e entrou em desespero até conseguir falar com a filha, que estava no imóvel mas conseguiu descer em segurança.

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Fotos da moradora do prédio Rosilene Rodrigues da Silva

Credito Amansa Karolyne

A Defesa Civil e a Secretaria de Desenvolvimento Social (SEDES) ofereceram abrigo, mas as duas optaram por ir para a casa de outra filha de Rosilene. Apesar de terem onde dormir, a preocupação agora é com os bens que ficaram para trás, já que elas aguardam autorização para retirar remédios de pressão e roupas para o trabalho. “Para morar não temos, mas para dormir temos onde ir. Só não temos onde colocar os móveis, como cama e geladeira. A casa da minha outra filha é pequena e já tem duas crianças, então ficamos sem abrigo definitivo por enquanto”, desabafou.

Rosilene acredita que o livramento foi geral, pois o local costuma ser muito movimentado, ainda mais a noite. “As pessoas estão sempre passando e, graças a Deus, ninguém estava ali no momento e não tinha nenhum carro estacionado”, destacou. Morando há apenas sete meses no prédio, ela contou que o curto período já foi marcado por outros problemas estruturais. No final de 2025, ela chegou a perder uma cama nova devido a uma infiltração severa misturada à sujeira de pombos que vinha do teto durante as chuvas.

Sem saber o que o futuro reserva, ela tenta manter a calma enquanto se organiza com as filhas. “Minha cabeça está a mil, mas Deus está na frente de tudo. Agora é esperar o laudo e ver o que vai acontecer, esperando que a gente consiga um lugar para recomeçar”, finalizou.

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