Os estudantes do Distrito Federal interessados em cursar graduação, pós-graduação ou programas de idiomas no exterior terão a oportunidade de tirar dúvidas diretamente com representantes de universidades estrangeiras no dia 27 de março, durante a edição do Salão do Estudante, em Brasília. Considerado o maior evento de educação internacional da América Latina, a feira reunirá mais de 50 expositores de países como Estados Unidos, Alemanha, Portugal e Nova Zelândia.
Durante o evento, representantes das instituições estarão disponíveis para conversar com o público sobre opções de cursos, destinos e processos de admissão no exterior. A programação é voltada principalmente para brasileiros que desejam iniciar ou complementar a formação acadêmica fora do país. De acordo com Priscilla Gomes, diretora de Eventos da BMI/THE – Times Higher Education, os destinos mais procurados pelos estudantes do Distrito Federal seguem uma tendência nacional. “Os Estados Unidos continua sendo o país mais procurado para estudos no exterior, tanto para graduação quanto para pós-graduação, principalmente porque o país possui mais de 5 mil instituições que oferecem esses cursos”, afirma.

De acordo com a diretora, outros destinos também têm ganhado destaque entre os brasileiros. “Em seguida aparece o Canadá, que também é muito procurado, inclusive para programas de ensino médio. Em terceiro lugar está Portugal, que cresceu muito nos últimos anos, principalmente desde que as universidades portuguesas começaram a aceitar a nota do Exame Nacional do Ensino Médio como forma de ingresso (Enem)”, destaca.
Segundo ela, o público interessado em estudar fora é formado, principalmente, por jovens que estão concluindo o ensino médio. A maioria dos visitantes do evento tem entre 17 e 19 anos e busca iniciar uma graduação no exterior. Além disso, ela destaca que é frequente a participação de profissionais recém-formados, geralmente entre 21 e 23 anos, que procuram programas de pós-graduação para fortalecer o currículo. Entre as áreas mais procuradas pelos estudantes brasileiros estão cursos ligados à tecnologia, engenharia, design e saúde. Para Priscilla, a principal motivação para buscar uma formação internacional está relacionada às oportunidades profissionais. “Em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, ter uma experiência acadêmica internacional pode representar um diferencial importante”, explica.
Além da formação acadêmica, a experiência no exterior ainda contribui para o desenvolvimento pessoal. Segundo a diretora, o contato com outras culturas amplia a visão de mundo e fortalece a formação acadêmica e profissional dos estudantes. Para quem deseja ingressar em programas no exterior, os processos de admissão variam conforme a instituição e o país escolhidos. A diretora explica que, em geral, as universidades exigem histórico escolar, análise do currículo acadêmico e comprovação de proficiência no idioma em que o curso será realizado. Dependendo do destino, também podem ser exigidos outros documentos durante o processo de candidatura, além do pagamento de taxas administrativas relacionadas à matrícula ou à análise da documentação.

O tempo de permanência no exterior varia de acordo com o tipo de curso escolhido. Programas de idiomas costumam ter duração mais curta, podendo variar de cerca de 15 dias a um mês. Já os cursos de graduação geralmente duram entre três e quatro anos, enquanto programas de pós-graduação podem variar de um a três anos, dependendo da área e do país. “O Salão do Estudante funciona como essa ponte direta entre o aluno e a instituição, permitindo que o estudante esclareça dúvidas, conheça melhor os programas e tenha contato com representantes oficiais”, reforçou. Na edição de Brasília, alguns destinos devem atrair maior interesse dos estudantes brasilienses. Além dos Estados Unidos, países europeus têm ganhado espaço, especialmente para programas de pós-graduação. Universidades alemãs estarão entre os destaques da feira, apresentando oportunidades de graduação e pós-graduação para estudantes brasileiros.
Durante o evento, os participantes ainda poderão conhecer as formas de apoio oferecidas pelas universidades para estudantes internacionais, incluindo orientação sobre acomodação, acesso a serviços de saúde, integração cultural e adaptação à vida no campus. “Algumas universidades trazem ex-estudantes para compartilhar suas experiências durante a feira, permitindo que futuros estudantes conversem diretamente com quem já viveu essa experiência e entendam melhor como é estudar e viver no exterior”, pontuou Priscila.
Formação internacional

A trajetória da brasiliense Camile Montenegro, 32 anos, ilustra os caminhos possíveis para quem deseja estudar fora do país. Aos 17 anos, ela conquistou uma bolsa de estudos no Japão e permaneceu por cinco anos no país, onde estudou idioma, fez curso profissionalizante em cinema e concluiu o bacharelado em Belas Artes. Atualmente, é mestre em antropologia, trabalha com projetos de audiovisual e segue carreira na área de diplomacia. “Eu consegui uma bolsa e tinha escolha entre dois lugares, Rússia, para medicina, e Japão, onde pude optar por audiovisual e artes. Acabei escolhendo algo que já era um sonho”, conta.
Segundo ela, o interesse pela cultura japonesa também influenciou a decisão. “Eu gostava muito de desenho animado, de mangá, e ir para o Japão foi como viver uma parte do que eu lia”, relata. A decisão de estudar fora, no entanto, não foi simples. Camile conta que a família inicialmente reagiu com preocupação. “Eu tinha 17 anos quando consegui a bolsa e 18 quando fui. No começo, eles não queriam deixar, achavam que eu era muito nova para ir para o outro lado do mundo, mas depois aceitaram”, afirma. Ela recomenda a experiência para outros estudantes. “Isso abre os seus olhos para outros modos de viver, outras culturas e formas de pensar. É muito diferente da realidade de quem passa a vida inteira no mesmo ambiente”, diz. Apesar dos benefícios, Camile destaca que também enfrentou desafios, como a adaptação cultural e a solidão. “A falta de uma rede de apoio e a dificuldade de adaptação foram alguns dos principais desafios. Mas, ao mesmo tempo, foi uma experiência muito rica, principalmente pelo contato com pessoas de diferentes partes do mundo”, afirma.
Para participar do Salão do Estudante, é necessário realizar inscrição prévia pela internet. O cadastro é gratuito, leva cerca de cinco minutos para ser preenchido e gera um convite individual, que pode ser apresentado na entrada do evento de forma digital ou impressa. Mais informações sobre o evento e a programação estão disponíveis no site oficial do Salão do Estudante.

Serviço: Salão do Estudante
Brasília – 27 de março
Horário: 14:00 – 17:30
Local: Centro de Eventos e Convenções Brasil 21
Endereço: SHS Qd 06, SHS, 01 – Conjunto A – Asa Sul

