O secretário da Família do Distrito Federal e ex-deputado distrital, Rodrigo Delmasso, é o convidado desta semana do JBr Entrevista – o programa de política do Jornal de Brasília. De olho no cenário eleitoral, ele defendeu a unificação da direita para as próximas eleições como estratégia para evitar o avanço da esquerda no DF.
Durante a conversa, Delmasso detalhou o papel da secretaria na regularização fundiária de templos religiosos de todas as denominações, criticou o uso de púlpitos para fins eleitorais e reforçou sua lealdade ao governador Ibaneis Rocha (MDB), defendendo que o seu partido, o Republicanos, mantenha o apoio ao atual grupo político enquanto articula palanques para o Senado.
JBr: Secretário, explique a função da Secretaria da Família do DF?
A secretaria nasceu com o objetivo de aproximar o governo do segmento religioso e das entidades de assistência social. O foco principal é a regularização fundiária. Muitas instituições não entendiam o “governês” das leis e decretos. O governador Ibaneis acertou na criação da pasta, tanto que vimos um crescimento no número de entidades que receberam seus títulos definitivos. Atuamos com todos: espíritas, católicos, evangélicos, mórmons e, inclusive, facilitamos a legislação para que instituições de matriz africana pudessem comprovar o marco temporal e regularizar seus terrenos. O Estado é laico e a política pública deve atender a todos.
Anteriormente, a pasta também cuidava da Juventude, mas houve uma separação. Como o senhor avalia essa mudança?
Foi uma decisão política do governador para dar protagonismo ao grupo do ex-senador Paulo Octávio, nomeando o André Kubitschek. No entanto, mantivemos uma gestão compartilhada em projetos como o “Jovem Candango” e o “Projove Digital” para garantir que a política pública não sofresse interrupção devido à troca de gestão.
O senhor é pastor e foi deputado por dois mandatos com uma defesa rigorosa do cristianismo. Como analisa o uso de templos religiosos como palanques políticos?
Precisamos separar as coisas. Sou contra utilizar o culto ou a missa para pedir votos; o cidadão está ali para adorar a Deus. Agora, é legítimo que a instituição apresente membros qualificados como candidatos à sociedade, pois fazemos parte dela. O Parlamento é a expressão da diversidade. Eu, como conservador, debatia com o deputado Fábio Félix (PSol), que é progressista, mas sempre com respeito. Votamos juntos em pautas de interesse do DF e divergimos no campo ideológico. O convencimento deve vir pela maioria e pelo debate, não pelo uso indevido do púlpito.
O senhor mencionou o ex-deputado Wasny de Roure como um exemplo dessa diversidade. Como era essa relação?
O Wasny é um exemplo interessante. Ele é fundador do PT, do campo progressista. Em missões oficiais, presenciei ele orando e lendo a Bíblia no quarto. Isso mostra que existe diversidade dentro do segmento evangélico. Embora a maioria hoje tenda ao conservadorismo, há progressistas sérios no meio.
Como o senhor vê as movimentações recentes após as definições do PL com Bia Kicis e Michelle Bolsonaro ao Senado?
O cenário está aberto. Meu temor é a fragmentação do campo da centro-direita. Se houver divisão, especialmente para o Senado, corremos o risco de entregar a vaga para a esquerda, que tem nomes fortes como Erika Kokay (PT) e Leila Barros (PDT). Se a direita não tiver grandeza para unificar o discurso e abrir mão de egos, o projeto pode ir por água abaixo. Unificada, a direita no DF é imbatível.
O Republicanos já definiu o apoio?
Não falo pelo partido, mas defendo a lealdade. O governador Ibaneis foi muito correto com o Republicanos, dando espaços importantes no governo. Temos o Gustavo Rocha, chefe da Casa Civil, como pré-candidato a vice na chapa da Celina Leão (PP). Minha posição interna será defender o apoio oficial à reeleição do grupo do governo e o apoio a Michelle Bolsonaro para o Senado. No mundo político, a lealdade virou peça rara, mas precisamos dar o exemplo.
Qual sua análise sobre a crise envolvendo o BRB e o Banco Master na CLDF?
É preciso coerência. Se o deputado defende que o BRB continue sendo um patrimônio público do DF, ele precisa votar a favor da capitalização do banco para evitar uma intervenção do Banco Central. Quem é a favor da privatização, que seja honesto e diga isso na tribuna. Quanto à investigação da Polícia Federal sobre a compra do Banco Master, a justiça deve seguir seu curso. O que não podemos é usar a crise para fazer política do “quanto pior, melhor”. Isso prejudica a população. A Câmara tem a oportunidade de ser a solução, desde que os parlamentares mostrem grandeza.



