Projeto transforma vida de jovens com a prática do remo aliada à saúde mental

Impacto social é um dos lemas do Filhos da Nação. Nascido às margens do Lago Paranoá, o projeto foi idealizado por Gabriela Speziali e Tiago Souzza com o objetivo de transformar vidas de jovens do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA) através do esporte e do autoconhecimento. O impacto já é tamanho que o Filhos da Nação ganhou projeção internacional, sendo escolhido para integrar o Brazil Conference 2026 nos campus da Harvard University e do MIT, nos Estados Unidos.

O Jornal de Brasília foi até o clube Ascade, onde as crianças e adolescentes fazem as atividades do projeto, para conversar com Gabriela, que vai representar o Centro-Oeste no Brazil Conference 2026. O evento é uma das maiores conferências sobre o Brasil realizadas fora do país, e vai acontecer entre os dias 27 e 29 de março. Gabriela contou sobre o projeto que garantiu essa indicação e sobre a importância de dar visibilidade aos jovens que estão à espera de um lar.

“O projeto existe desde 2017. Ele foi fundado por mim e pelo Tiago, que é meu marido, porque a gente perdeu uma bebê e ficou pensando se adotaria ou não uma criança. Em vez de adotar uma criança só, a gente juntou as nossas habilidades e resolveu adotar o máximo possível. Então foi um ‘match’ de um casal que não teve filhos com várias crianças que sonham com um lar e uma família”, explicou Gabriela.

Com isso, o público-alvo do Filhos da Nação é justamente os jovens que estão no SNA, uma plataforma do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que organiza e integra dados de crianças e adolescentes em situação de acolhimento institucional ou familiar. Gabriela relatou que a ação foi crescendo com o passar dos anos, e hoje já conta com recursos incentivados de cinco grandes empresas.

O projeto utiliza esportes a remo, como canoa havaiana e stand up paddle, aliados aos princípios da psicologia junguiana, promovendo fortalecimento emocional, autoestima, pertencimento e ampliação de perspectivas de futuro. Atualmente atende mais de 300 crianças e adolescentes por ano e já beneficiou, direta e indiretamente, mais de 3 mil pessoas desde sua criação.

“Hoje a gente tem equipe, os equipamentos são nossos. Os recursos servem para o ônibus que traz as crianças, o lanche, pagar a equipe para estar aqui. Então a gente faz a remoterapia com eles [jovens]. E nesse momento de projeto incentivado, eu fui escolhida. A questão de Harvard é que eles fazem uma seleção de cinco pessoas no Brasil que eles veem potencial para serem embaixadores da Brazil Conference. Esses embaixadores, eles têm um poder de ir lá levar a voz da região que eles estão representando, levar a causa que eles defendem, o projeto com o qual eles trabalham e fazer isso ganhar amplitude”, comentou Gabriela.

Gabriela e Tiago começaram o projeto em 2017 após perderem após um momento difícil no qual perderam um bebê. Foto: Vítor Ventura/Jornal de Brasília
Gabriela e Tiago começaram o projeto em 2017 após perderem após um momento difícil no qual perderam um bebê. Foto: Vítor Ventura/Jornal de Brasília

Esporte e autoconhecimento

Um dos jovens que participa do Filhos da Nação é Arthur, 16, morador de Ceilândia. Ele já faz parte do projeto há cinco meses e relatou que é uma experiência transformadora. “Como eu faço parte do serviço de acolhimento, chegou essa proposta lá [de participar do projeto]. Eu queria ir porque não tinha muita coisa para fazer e eu gosto de ter a mente ocupada”, contou o adolescente.

Ele falou sobre como a atividade com o remo passou a transformar a vida dele. “Eu parei de fumar, antes eu fumava cigarro. Parei porque vi que fazendo a remoterapia eu não ia dar conta fumando porque você precisa de muito esforço. Foi algo que me motivou a parar de fumar”, disse Arthur.

Thiago Vieira é atleta e um dos voluntários que esteve desde o início do projeto em 2017. Ele acompanha a rotina dos jovens tanto na canoa havaiana quanto no stand up paddle. “Os dois são esportes a remo. Um você vai sentado [canoa havaiana], o outro você vai em pé [stand up paddle]. Nos dois a gente consegue trabalhar muita coisa importante. No primeiro, o trabalho em equipe, o respeito com o colega, não deixar ninguém para trás, todo mundo remando junto, em sincronia. No segundo, você consegue superar limites já que é mais sozinho. Trabalha muito essa questão de coragem e resiliência”, explicou Thiago.

Com a participação em Harvard, o Filhos da Nação deve ampliar sua visibilidade e passar a ter repercussão internacional, levando ao mundo uma iniciativa brasileira que nasceu no Paranoá e hoje se consolida como referência no atendimento a crianças e adolescentes em situação de acolhimento.

“Dessa forma nós recebemos aqui, nesse Lago Paranoá incrível, meninas e meninos e trabalhamos com eles, de uma forma lúdica no que a gente chama de um consultório a céu aberto, questões como confiança no outro, confiança em si mesmo, autoestima e determinação. Com isso a gente contribui também para que eles tenham uma saúde mental melhor, com menos sintomas de ansiedade, menos sintomas de depressão e mais sonhos em relação ao futuro”, completou Gabriela.

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