Projeto da UnB alia recuperação ambiental e agricultura familiar no Cerrado


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Com foco na recuperação do solo e da vegetação nativa em áreas de agricultura familiar, o projeto Agroflorestando tem promovido a integração entre ciência, práticas agrícolas e inovação social no Distrito Federal. Coordenada pela professora Cristiane Gomes Barreto, do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (CDS/UnB), a iniciativa conta com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do DF (FAPDF), por meio do Edital Learning 2023.

Estruturado em três eixos, fortalecimento comunitário, análise de recursos naturais (como mudas e sementes nativas) e oficinas de inovação social, o projeto tem mobilizado estudantes de mestrado e doutorado, agricultores e jovens do meio rural. A proposta é incentivar o uso sustentável da terra e criar soluções coletivas para desafios ambientais do Cerrado, como os incêndios florestais.

Troca de saberes e impacto social

Entre as ações realizadas, destacam-se oficinas com foco em tecnologias sociais. Uma delas, voltada para jovens do Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Agricultura Familiar (PADEF), tratou do uso sustentável do solo e recuperação ambiental. Outra reuniu agricultores, brigadistas e especialistas em prevenção ao fogo, resultando na criação de metodologias comunitárias para enfrentamento de queimadas — problema recorrente na região.

Os resultados já começam a aparecer. Do ponto de vista acadêmico, o Agroflorestando gerou cerca de dez trabalhos apresentados em congressos científicos, além de artigos submetidos e três pesquisas em andamento. No aspecto social, foi criada uma associação de jovens agricultores no assentamento Osiel Alves, importante passo para a gestão coletiva de projetos locais. No campo ambiental, há registro do retorno de espécies da fauna, incluindo aves, répteis e pequenos mamíferos, às áreas em restauração.

Desafios e soluções de baixo custo

Apesar dos avanços, o projeto também enfrentou obstáculos. O custo elevado de mudas nativas e um incêndio que atingiu uma das áreas restauradas exigiram soluções criativas da equipe. Em resposta, foram desenvolvidos cinco protótipos de baixo custo para prevenção e combate ao fogo, além de equipamentos adaptados para o contexto da agricultura familiar, hoje já replicados em outras localidades do DF.

O apoio da FAPDF foi fundamental para viabilizar bolsas de pesquisa e possibilitar a participação direta de agricultores nas atividades do projeto, sem comprometer suas rotinas produtivas. Segundo a coordenadora, essa integração entre ciência e comunidade é um dos maiores legados do Agroflorestando.

“O apoio da FAPDF foi fundamental para garantir que o projeto pudesse unir ciência, comunidade e sustentabilidade, deixando um legado duradouro para o Cerrado”, afirma Cristiane Gomes Barreto.

Agora, a iniciativa avança para uma nova etapa: a construção de uma fábrica comunitária, que será gerida pela associação criada no assentamento. O espaço vai concentrar os protótipos desenvolvidos nas oficinas e servirá como centro de produção de soluções sustentáveis, criando alternativas de renda e fortalecendo a agricultura familiar no Distrito Federal.


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