O temor de um lugar antes inseguro nas passagens subterrâneas se transforma em tranquilidade. Nesta quarta (4), o Governo do Distrito Federal inaugurou as primeiras câmeras para monitoramento das passagens subterrâneas do Plano Piloto. A primeira passarela com equipamentos em plena operação é a da 103/203 norte, uma das mais movimentadas da Asa Norte. No local, transeuntes contaram ao Jornal de Brasília as melhorias que reconhecem na travessia.
São quatro câmeras, sendo duas apontadas para o Eixo W e duas para o Eixo L. Outras 12 estão instaladas, mas ainda sem energia para funcionamento, na Asa Sul. Ao todo, neste primeiro teste, serão quatro passagens subterrâneas monitoradas.
Auxiliar de serviços gerais, Alzirene Negalho, 52 anos, passa por ali de segunda a sexta, seja na ida para o trabalho ou na volta para casa. Ela chegou a ser um exemplo do que se quer evitar na mesma passagem onde a Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF), em parceria com a Novacap, ligou os primeiros aparelhos. Em setembro do ano passado, Alzirene perdeu um celular recém-comprado num assalto à mão armada, no início da noite – um dos 951 roubos a transeuntes registrados em 2025 no Plano Piloto.
“Era muito difícil passar aqui. A gente passava porque era o jeito, tem que trabalhar, mas é complicado”, pontua. “Tem vezes que a gente tem que passar e tem pessoas deitadas. Eu espero que melhore, nós estamos precisando de melhoras, mas a gente ainda tem medo”, finaliza.
Luciana Soares, 42, que também já foi assaltada em uma passarela do gênero, preferia se arriscar no trânsito do Eixo Rodoviário a pegar as passagens exclusivas para pedestres. “Quando eu descia e via que estaria sozinha, ou se tinha um homem na passarela, eu já tentava atravessar por cima mesmo. Aqui eu tinha certeza que ia ser assaltada. Ou coisa pior”, conta. Outro medo de Soares é a possibilidade de crimes sexuais. “Eu tinha muito medo de passar por aqui, só que agora, com as câmeras, eu já fico mais segura”,
Tranquilidade para os trabalhadores
De certa forma, a segurança também afeta o comércio. Pedro Ferrari, 23, entrega refeições de bicicleta no Plano Piloto, e, em geral, tem receio de passar “por baixo” do eixo rodoviário. “Muitas vezes tem pessoas suspeitas e eu fico com medo”, diz o rapaz, que há cinco meses trabalha como entregador de aplicativos. “Para mim é muito mais segurança, porque se acontece algo com o pedido, a corda sempre arrebenta no lado mais fraco, que sou eu. Com a câmera, tenho como mostrar o que aconteceu”, celebra.
Ferrari ainda aponta que a reorganização das passarelas, com pinturas acolhedoras e, sobretudo, boa iluminação, é um fator a mais na sensação de segurança do local. A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), por meio do Copom, realiza o monitoramento das imagens durante 24h.



