A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou, na tarde desta segunda-feira (23), a operação Boa Noite, Cinderela, que culminou no cumprimento de dois mandados de prisão preventiva contra duas mulheres, ambas de 26 anos, investigadas pela prática de roubos. A ação foi conduzida por equipes da 15ª Delegacia de Polícia.
De acordo com as investigações, as suspeitas utilizavam aplicativos e redes sociais para marcar encontros com homens. Durante os encontros, ofereciam bebidas adulteradas com medicamentos capazes de provocar sonolência intensa e reduzir a capacidade de reação das vítimas. Após a perda de consciência, os alvos eram roubados e tinham valores subtraídos por meio de transferências bancárias e uso indevido de cartões.
O esquema passou a ser investigado em novembro de 2025, após um homem de 53 anos relatar ter sido vítima do golpe em um motel localizado na QNM 15, em Ceilândia. Segundo o relato, ele desmaiou depois de ingerir a bebida oferecida pelas investigadas e só recuperou a consciência horas mais tarde.
Nesse intervalo, foram realizadas transferências e compras que totalizaram cerca de R$ 19,5 mil. Parte do dinheiro foi enviada via PIX para contas associadas às suspeitas, além de transações feitas em máquinas de cartão vinculadas a elas.
Durante a apuração, os policiais identificaram um segundo caso com o mesmo modus operandi ocorrido em Águas Lindas de Goiás, ampliando a suspeita de que outras vítimas possam existir.
As investigações também revelaram que, após os crimes, as mulheres intimidavam as vítimas, insinuando que poderiam acusá-las falsamente de estupro. Segundo a polícia, elas mencionavam a suposta existência de material genético como forma de constranger os homens e gerar medo de exposição pública, o que teria contribuído para a subnotificação dos crimes.
Diante da gravidade dos fatos e da possibilidade de novas vítimas, a autoridade policial solicitou as prisões preventivas e mandados de busca nos endereços das investigadas. As ordens judiciais foram cumpridas em 13 de fevereiro, em Águas Lindas de Goiás, onde elas residem. Na ocasião, as suspeitas não foram localizadas, pois haviam viajado para o estado da Bahia durante o período do carnaval.
Durante as buscas, os policiais apreenderam medicamentos possivelmente utilizados nos crimes, munições e outros materiais que podem contribuir para o esclarecimento completo dos fatos.
As duas mulheres foram indiciadas por roubo circunstanciado pelo concurso de pessoas, crime cuja pena pode chegar a 15 anos de prisão. Uma delas também responderá por posse ilegal de munição de uso permitido, com pena prevista de um a três anos de detenção.
Segundo a Polícia Civil, a divulgação dos nomes e das imagens das investigadas tem como objetivo possibilitar que outras eventuais vítimas as reconheçam e procurem uma delegacia para registrar ocorrência.


