Por Larissa Barros
Após casos recentes de agressão contra mulheres no Distrito Federal, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) reforçou o alerta sobre a importância da denúncia como principal ferramenta para interromper o ciclo da violência. A pasta destaca que o enfrentamento à violência contra a mulher é uma responsabilidade compartilhada entre o poder público e a sociedade. Segundo o Senado Federal, em 2025, cerca de quatro mulheres foram mortas por dia por razões de gênero.
Segundo a SSP-DF, a participação da população, especialmente por meio de denúncias feitas por vizinhos, familiares ou testemunhas, é fundamental para romper um ciclo que, muitas vezes, se mantém em silêncio. Registros em vídeo, quando realizados de forma responsável, também podem auxiliar na apuração dos fatos e permitir a adoção de medidas imediatas pelas forças de segurança.
No Distrito Federal, o eixo “Mulher Mais Segura”, do programa Segurança Integral, concentra ações preventivas e o uso de tecnologias voltadas à proteção de mulheres em situação de violência, especialmente no âmbito doméstico e familiar. Entre as iniciativas, está o incentivo à denúncia como forma de ampliar a notificação dos casos e reduzir a subnotificação, permitindo que a rede de apoio atue de maneira mais eficiente.
Além das ações da segurança pública, a Secretaria da Mulher do Distrito Federal (SMDF) tem ampliado as políticas voltadas à proteção e à autonomia feminina. Segundo a pasta, nos últimos quatro anos, o investimento do Governo do Distrito Federal em políticas públicas para mulheres cresceu 743%, passando de R$10,3 milhões, em 2020, para R$86,9 milhões, em 2024.
Atualmente, a Secretaria atua por meio de cinco subsecretarias. A Subsecretaria de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres (Subev) assistiu 2.207 mulheres, totalizando 16.609 atendimentos, e realizou outros 10.309 atendimentos a 1.649 homens autores de violência nos Espaços Acolher. A Casa Abrigo acolheu 116 mulheres e 105 dependentes, enquanto a Casa da Mulher Brasileira de Ceilândia recebeu 6.265 mulheres, com mais de 13 mil atendimentos.
Para a secretária da Mulher, Giselle Ferreira, o acolhimento é essencial para que mulheres consigam romper o ciclo da violência. “Às mulheres que vivem qualquer tipo de violência doméstica, é importante reforçar que elas não estão sozinhas. Existe um caminho possível de acolhimento e proteção. Procurar ajuda é um gesto de amor por si mesma. A violência não define a sua história”, afirma.
Na prática, esse ciclo de violência é vivido por mulheres como Elisa, de 21 anos, que sofreu agressões do padrasto. Segundo ela, o relacionamento da mãe com o agressor começou em 2020 e, desde o início, já apresentava sinais de controle e comportamento abusivo. “Ele dizia que minha mãe não podia usar certas roupas e controlava o tempo dela fora de casa. No começo, parecia brincadeira, mas aquilo já era um alerta”, relata.
Com o passar do tempo, as agressões se intensificaram e atingiram também Elisa. “A violência foi crescendo, principalmente quando eu reagia. Eram agressões verbais, psicológicas e ameaças constantes. A gente vivia com medo, e isso afetava muito o psicológico da minha mãe”, conta.
Em 2022, a situação chegou ao limite, quando Elisa foi ameaçada com uma faca dentro de casa. “Ele veio para cima de mim com uma faca. Minha mãe precisou ficar entre nós dois. Depois disso, consegui uma nova medida protetiva”, explica.
Hoje, Elisa reforça a importância de buscar ajuda e ouvir quem está ao redor. “Muitas vezes, quem está de fora percebe sinais que a gente, dentro da relação, não consegue ver. O agressor tenta manipular e isolar. É importante ouvir quem quer o nosso bem, principalmente quando há filhos envolvidos”, afirma.
O combate à violência contra a mulher exige o envolvimento de toda a sociedade. Familiares, amigos, vizinhos e colegas de trabalho devem ficar atentos a sinais como isolamento, medo, controle excessivo e marcas físicas, e não se calar diante de suspeitas de agressão.A denúncia pode ser feita de forma anônima e é um ato de proteção à vida. O silêncio, muitas vezes, contribui para a continuidade da violência e para desfechos mais graves. Ao acionar as forças de segurança, o cidadão não está se envolvendo indevidamente, mas cumprindo um papel essencial de cuidado coletivo e responsabilidade social. A SSP-DF reforça que prevenir a violência contra a mulher é um compromisso permanente e que a atuação conjunta entre Estado e sociedade é decisiva para salvar vidas. As queixas podem ser feitas de forma anônima pelos canais Ligue 180, 197, ou diretamente nos equipamentos da Secretaria da Mulher.



