Operação da PCDF mira trio suspeito de se passar por policiais para extorquir vítimas

A Polícia Civil do Distrito Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (28), a Operação Unmask para desarticular um grupo suspeito de extorsão baseada em fraude psicológica. A ação foi conduzida pela 8ª Delegacia de Polícia (Estrutural), com apoio da Polícia Civil do Estado de São Paulo, e resultou no cumprimento de três mandados de prisão temporária, quatro de busca e apreensão e no bloqueio de valores superiores a R$ 250 mil vinculados aos investigados.

As apurações indicam que os suspeitos se passavam por policiais civis e utilizavam o nome da própria 8ª DP para abordar a vítima por telefone e aplicativos de mensagens. Com discurso técnico, referências a procedimentos reais e uso de termos jurídicos, o grupo afirmava que havia uma investigação criminal em curso, estratégia que visava conferir aparência de legitimidade e provocar temor imediato.

Sequestro psicológico e exigências financeiras

Segundo a investigação, a vítima foi submetida por vários dias a um rígido controle emocional. Os criminosos orientavam que não fossem procurados advogados, familiares ou outras autoridades, sob a alegação de que qualquer contato externo poderia resultar em prisão preventiva ou agravamento da suposta situação criminal. Esse contexto de intimidação contínua caracterizou o chamado sequestro psicológico, elemento central do crime de extorsão apurado.

A exigência de dinheiro era apresentada como cumprimento de falsas medidas cautelares. A vítima era induzida a realizar transferências bancárias, principalmente via PIX, para contas indicadas pelo grupo, sob justificativas como “regularização”, “garantia patrimonial” ou “prova de colaboração com a investigação”. As cobranças eram reiteradas e progressivas, sempre acompanhadas de novas ameaças.

Indícios de lavagem de dinheiro e atuação estruturada

As diligências apontaram que os valores obtidos eram movimentados por meio de contas de pessoas físicas e jurídicas, sugerindo o uso de terceiros e empresas de fachada, além de possíveis mecanismos de lavagem de dinheiro. A análise de dados bancários e digitais também revelou uma atuação organizada, estável e contínua, com divisão de tarefas e emprego sistemático de recursos tecnológicos.

A Polícia Civil investiga, em tese, os crimes de extorsão, associação criminosa e lavagem de dinheiro. As apurações seguem para identificar outras vítimas e eventuais integrantes do esquema. A corporação reforça que nenhuma unidade policial exige pagamentos ou transferências financeiras e orienta que tentativas desse tipo sejam imediatamente comunicadas às autoridades.

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