Especialista dá dicas de como reduzir estresse com as crianças nas férias escolares

Durante as férias escolares, a convivência entre pais e filhos tende a se intensificar. Uma pesquisa de 2023 da IWG, rede global de coworking, revelou que 62% dos pais consideram estressante conciliar as atividades profissionais com a atenção às crianças durante esse período. Com isso, o Jornal de Brasília separou algumas dicas da doutora em Educação, Leia de Almeida, para uma convivência mais leve durante o recesso escolar.

No final do ano e início de janeiro, apesar de ser o período das férias de Eurípedes Gonçalves, quem toma o tempo do instrutor é a netinha Maria Valentina, de apenas 2 anos. De recesso da creche, ela fica com energia de sobra para gastar ao longo do dia. Como os pais trabalham, sobra para o avô cuidar dela nesse período. “Moro em Anápolis e passo o final de ano aqui [no Gama] também para cuidar da minha neta, já que a mãe está trabalhando”, explica.

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Foto: Vitor Ventura / Jornal de Brasília

Eurípedes admite que às vezes falta energia para acompanhar a pequena Maria Valentina. Mas se falta para ele, para ela sobra: “Essa aqui já desceu para brincar na brinquedoteca do condomínio duas vezes hoje. Ela gosta muito de brincar, é bem ativa”, conta. Apesar da canseira, a rotina vai ficando mais fácil ao longo dos dias, e a pequena Maria Valentina consegue aproveitar bem as férias antes de voltar para a creche. Mas até lá, quem não pode perder o pique é o avô.

Segundo Leia de Almeida, a quebra da rotina pode elevar o nível de estresse e o atrito entre pais e filhos, muitas vezes intensificados pela pressão por proporcionar lazer e pela sobrecarga de responsabilidades. Então a primeira dica que a especialista dá é sobre a importância de manter uma rotina.

“Durante o período de férias, é fundamental preservar uma rotina que contemple momentos de lazer, mas também horários regulares. A manutenção de horários para dormir e acordar contribui para a preservação do ritmo biológico das crianças, refletindo diretamente em seu desenvolvimento físico, mental e emocional”, afirma. Além disso, segundo ela, comunicação e planejamento participativos também ajudam. “Envolver os filhos em algumas decisões, como a definição da programação das atividades, pode favorecer o sentimento de participação e reduzir situações de frustração”.

Falando em comunicação, Leia argumenta que devido ao aumento do convívio familiar com os filhos, algumas preocupações já existentes com certos comportamentos, tais como birras, agressividade, apatia, isolamento, rebeldia ou problemas relacionados ao sono e à alimentação acabam se acentuando. “É importante desenvolver ainda mais a sensibilidade para buscar compreender as causas e os motivos disso estar acontecendo. A escuta atenta, o diálogo é sempre a melhor alternativa. Busque se conectar com a criança, com o adolescente, com seu filho ou sua filha. Desligue também das suas telas por algum momento e olhe no olho deles e delas, explique o motivo de suas preocupações ou curiosidades com afeto e empatia”, afirma.

Cuidados com os pequenos

Outra questão levantada pela especialista é o cuidado com as crianças. Ela cita que é importante limitar, por exemplo, o uso de telas durante as férias escolares. O aumento do uso de celulares, tablets e computadores é comum nesse período, mas o excesso pode afetar negativamente o sono, a concentração e a interação social. Desse modo, Leia sugere que sejam estabelecidos horários específicos para o uso da tecnologia, equilibrando-os com brincadeiras e atividades físicas.

Com essas atividades e brincadeiras, orienta a especialista, os pais precisam ter cuidado redobrado. Ela pontua que durante as férias há um crescimento nos acidentes envolvendo crianças. Na semana passada, o JBr mostrou que nos meses de janeiro, julho e dezembro de 2024, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência do Distrito Federal (SAMU-DF) registrou 694 atendimentos a crianças de até 12 anos.

Para Leia, os riscos de acidentes envolvendo os pequenos é reduzido com os pais conversando com os filhos sobre os perigos, tanto em casa quanto em ambientes ao ar livre. Além disso, a vigilância de um adulto também é essencial, já que as ocorrências mais comuns de acidentes com crianças envolvem quedas, afogamentos, queimaduras e intoxicações.

De acordo com a especialista, promover ambientes seguros e protetivos também significa cuidar das relações sociais das crianças. “É importante que estejam sempre acompanhadas por pessoas confiáveis, evitando situações de constrangimento ou exposição a riscos emocionais. A atenção dos adultos deve incluir a observação de possíveis mudanças de comportamento, que podem sinalizar desconforto ou experiências negativas. Dessa forma, a proteção vai além do físico, abrangendo também o bem-estar emocional e social, assegurando que as férias sejam vividas com segurança, alegria e tranquilidade”, destaca Leia.

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