Espaço artístico na Ceilândia defende resistência e ancestralidade

Redação Jornal de Brasília/Agência UniCeub
Por Por Amani Sofya e Luigi Oliveira

A Casa Akotirene, um espaço artístico na Ceilândia, promove mais do que samba no período de carnaval, como do último final de semana. Os organizadores do espaços consideram o local como uma espécie de quilombo urbano que promove cultura na periferia, e, assim, resistência e ancestralidade. 

No último final de semana, por exemplo, a Casa Akotirene, teve uma parceria com a ONG Jovem de Expressão. A presidente da Casa, Joice Marques, disse que o samba no local nasceu de um sonho de honrar a história da mulher negra e africana que dá o nome ao espaço.

“Não bastava ela dar o nome para a casa, porque aí a honra é nossa, mas que a gente fizesse uma movimentação especialmente para celebrar a Akotirene e tantas outras mulheres negras”, disse. 

A presidente pontua, também, a importância da realização de um evento como esse na Ceilândia. “Fazer esse evento aqui, cheio de mulheres negras e da comunidade daqui, é uma realização”.

No samba, houve apresentações musicais de DJ Ketlen, Fernanda Jacob, Kika Ribeiro, Sambadelas, Gig de Samba da Loba como atrações oficiais.

As cantoras Gija Barbieri e Romana de Sá também fizeram breves apresentações não previstas no cronograma oficial. Dessa forma, os intervalos entre as apresentações foram preenchidos pela voz da mestra de cerimônia Bia Blackman e pela intérprete de libras Ana Julia, seguindo de acordo da proposta de acessibilidade do evento.

Espaço artístico

Para além das apresentações musicais, a organização do evento proporcionou a venda de comidas e bebidas.

Também, dois stands para venda de artesanatos foram erguidos no exterior das instalações, o que, para a empreenderora Brisa Santana, é muito importante.

A ideia é reiterada por Ruth Jade, responsável por um estande. “A Ceilândia é o espaço cultural em si”.

Brisa Santana, também responsável pelo Coletivo de Mulheres Empreendedoras do P Norte, menciona que sua relação com a Casa Akotirene é antiga.

Ela já fez outras exposições no local e indicou alguns adolescentes para os cursos que a Casa proporciona.

Esses cursos, segundo a presidente do espaço, são focados em estratégias de formação e profissionalização. Há capacitação em temas como informática, costura, barbearia, estética e percussão.

“A gente tem um compromisso realmente com a educação, a preparação dos nossos jovens para disputar um espaço de trabalho lá fora com mais dignidade”, diz Joice Marques.

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