Os deputados distritais João Cardoso (Avante) e Rogério Morro da Cruz (PRD), que votaram contra o projeto de socorro ao Banco de Brasília (BRB), afirmaram nesta quarta-feira (4) que, apesar de terem indicados no Poder Executivo local exonerados pelo governador Ibaneis Rocha (MDB), continuarão no apoio ao Palácio do Buriti.
As retaliações vieram logo após a votação mais apertada de todo o atual governo, que conseguiu a aprovação do Projeto de Lei 2.175/2026 por 14 a 10 – apenas um votos além do mínimo necessário de 13.
Morro da Cruz, que tinha indicados na Administração de São Sebastião, disse que votou contra o projeto levando em consideração ao que achava melhor para o Distrito Federal, mas que isso não significa ser contra projetos governistas.
“Eu continuo na base para votar projetos que sejam bons para a população, não esse [socorro ao BRB]. Não posso votar esses projetos no escuro, até porque sou luz”. “Eu não saí da base”, afirmou.
João Cardoso teve indicados exonerados no Diário Oficial do DF (DODF), nesta quarta-feira, também nega que esteja fora da base de Ibaneis, mesmo diante do levante contra o projeto. Entretanto, espera conversar com o chefe do Executivo local.
“Eu não conversei ainda com o governo sobre essa situação. Meu voto foi técnico, sobre os estudos que fizemos. Mas espero que o BRB possa se fortalecer [com a aprovação]”, afirmou o Cardoso, que questionado sobre a permanência na base do governo foi enfático: “Sim, contínuo”.
Manzoni
Assim que a votação do projeto de socorro ao BRB foi encerrada um dos distritais atingidos foi o deputado Thiago Manzoni (PL). O deputado, ainda em plenário, afirmou que não estava saindo do governo, mas que a decisão seria do governador.
Manzoni disse ainda que o PL, mesmo diante da pré-candidatura da deputada federal Bia Kicis (PL) ao Senado – mesmo cargo que Ibaneis pretende concorrer nas próximas eleições – jamais pediu que o deputado saísse do governo ou que votasse contrário ao projeto do BRB.
Sufoco
Em uma rara cena, os 24 deputados distritais participaram de uma votação na Câmara Legislativa. Com a possibilidade de derrota, parlamentares confirmaram à reportagem que receberam ligações de membros do Executivo para que marcassem presença no sufrágio.
A tensão começou praticamente uma semana antes da votação dessa terça-feira (3), quando os deputados Thiago Manzoni e Rogério Morro da Cruz anunciaram que votariam contra o projeto.
Tentando convencer a base da necessidade de salvar o banco regional para que ele não fosse federalizado ou privatizado, uma reunião com a base foi marcada para a casa do deputado Roosevelt Vilela (PL) para consolidar uma posição favorável. Por fim, apenas uma parte do suposto 17 parlamentares compareceram e o governo ficou em uma berlinda.
O reflexo foi a votação. Dividida, a oposição chegou a contar 11 votos, mas, por fim, distritais governistas deram a vitória ao Palácio do Buriti.



