O Cristo Redentor foi iluminado na noite de terça-feira (3) com projeções de mensagens contra a violência a mulheres durante o lançamento da campanha ‘Feminicídio Nunca Mais’. A iniciativa, que utiliza o futebol feminino como plataforma de mobilização social para a Copa do Mundo da Fifa de 2027 no Brasil, foi realizada aos pés do monumento.
O evento reuniu a primeira-dama Janja Lula da Silva, a ministra Anielle Franco, da Igualdade Racial, dirigentes da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), da Embratur e da Petrobras, além de veteranas do futebol feminino. A campanha é liderada pela No More Week, uma mobilização internacional dedicada à conscientização sobre violência doméstica e sexual.
Para marcar o lançamento, o monumento recebeu iluminação na cor teal, símbolo global de solidariedade às sobreviventes de violência, e projeções com frases de enfrentamento ao feminicídio. A cerimônia foi aberta pelo reitor do Santuário do Cristo Redentor, Padre Omar Raposo, que destacou o simbolismo histórico do monumento e sua conexão com o protagonismo feminino, inspirado na princesa Isabel e em mãos de mulheres.
Durante o evento, foi lançado o Prêmio TV Brasil Petrobras para Elas, primeira premiação nacional dedicada ao futebol feminino. A diretora de Conteúdo e Programação da EBC, Antônia Pellegrino, enfatizou o papel da TV Brasil na visibilidade do esporte, afirmando que a emissora é a maior detentora de direitos de transmissão da modalidade na TV aberta desde 2024.
Pioneiras do futebol feminino, como Rosilane Camargo Mota, conhecida como Fanta 21, participaram de um vídeo institucional da campanha, que será exibido pela TV Brasil durante transmissões de jogos. Fanta 21 recordou as dificuldades enfrentadas quando o esporte era proibido e expressou esperança de que a Copa do Mundo ajude a reconhecer as atletas pioneiras.
A diretora executiva da No More Foundation no Brasil, Daniela Grelin, destacou o poder transformador do esporte para promover equidade de gênero e mudar normas sociais relacionadas à violência. A iluminação do Cristo Redentor se conecta a ações semelhantes em outros países, como Nova York, que também sediará jogos da Copa.
Janja Lula da Silva ressaltou o potencial do futebol para ampliar o debate sobre violência contra mulheres, alcançando diferentes públicos e combatendo misoginia e desigualdade salarial. Ela mencionou que as atletas podem ser protagonistas nessa pauta durante o torneio. O presidente da EBC, André Basbaum, chamou atenção para os altos índices de violência no Brasil, defendendo educação e punição.
Anielle Franco enfatizou o esporte como ferramenta de transformação social, impulsionando a redução da violência ao unir liderança e mulheres em espaços de poder. A ativista Dilceia Quintela destacou a importância de envolver homens na campanha e usar o futebol feminino para conscientização, citando aumento de violência doméstica em dias de jogos masculinos.
O lançamento foi antecedido por um debate no programa Sem Censura, da TV Brasil, com Janja Lula da Silva, Daniela Grelin e Antônia Pellegrino, que discutiram a mobilização contra o feminicídio. Janja lembrou que o Brasil registrou 1.470 assassinatos de mulheres em 2023, recorde histórico, e defendeu mudanças culturais e articulação entre poderes e sociedade.
Lançada em 2013, a campanha No More busca conscientização pública, apoio a sobreviventes e prevenção da violência. Durante transmissões de futebol feminino, a TV Brasil exibirá peças de conscientização com atletas e personalidades como Raí e pioneiras da modalidade.



