Crescimento do turismo no DF eleva arrecadação e transforma capital em polo nacional

Em entrevista ao JBr Entrevista, o secretário de Turismo, Cristiano Araújo, fez um balanço de sua gestão destacando a “virada de chave” que transformou a capital em um polo de grandes eventos nacionais e internacionais. Araújo detalhou parcerias com o setor privado e incentivos fiscais elevaram a arrecadação de ISS do turismo de R$ 7 milhões para R$ 130 milhões, consolidando a cidade como um destino movimentado muito além do funcionalismo público.

Às vésperas de deixar o cargo para disputar as eleições como pré-candidato a deputado distrital, o secretário também aborda o cenário político atual e os desafios da recuperação pós-pandemia. Ele reforça a importância da unidade do grupo político do governador Ibaneis Rocha (MDB) para garantir a continuidade de projetos estruturantes, como a revitalização do Teatro Nacional e a ampliação da malha aérea internacional de Brasília.

JBr Entrevista –Brasília é reconhecida por sua arquitetura, mas ganhou muito destaque nos últimos anos por grandes eventos. Como foi a atuação da Setur-DF nesse contexto?

Cristiano Araújo: É um trabalho contínuo. O governo Ibaneis Rocha (MDB) vem há sete anos organizando a cidade. Então, a cidade tem estrutura no que diz respeito à segurança pública, a logística, a limpeza da cidade. Isso tudo favorece o turismo. Temos um aeroporto que hoje é um dos melhores do Brasil, o quarto melhor do mundo em nível de pontualidade, segurança, comodidade. Foi feito toda uma estruturação, isso já na minha gestão, inclusive com os hotéis, com relação até aos impostos. O ISS é o menor do Brasil ou dos menores do Brasil, 3%. Os bares e restantes também tem uma das menores tributações do Brasil. Tivemos também o Perse, que foi um programa de incentivo ao setor de eventos, que permitiu às pessoas que se recuperassem da pandemia, empresas que tiveram visão também investiram no seu estabelecimento fazendo investimentos. Tudo isso ajudou a gente a trazer esses grandes eventos. Também a conexão de voos, com todas as capitais do país. Começamos com mais dois voos internacionais na minha gestão. Hoje são dez voos. Ou seja, foi toda essa estruturação que permitiu que o turismo crescesse.

Foram realizadas outras ações junto ao setor privado?

Foi feita a profissionalização da nossa parceria com o privado. Hoje o turismo se movimenta através do trade. A Arena BRB é administrada pelo privado e o governador apoia institucionalmente, dando todo apoio que precisa, mas essa abordagem é sempre do privado. O Centro de Convenções Ulysses Guimarães também ele é privado. A parceria do público com privado fortaleceu demais nessa captação de grandes eventos.

Hoje o DF recebe eventos que antes iriam apenas Rio e São Paulo. Como essa integração entre o público e privado possibilitou essa mudança de eixo?

A gente trabalhou, sob a orientação do governador Ibaneis, a parceria com o setor produtivo e sempre com aquela máxima: se eu não puder ajudar, eu não atrapalho. Organizamos os segmentos, ouvimos a necessidade de cada personagem do trade, então a BIH levou as reivindicações, o Sindhobar, a Abrasel, a RuralTur, que nós também temos hoje um turismo muito forte, com hotéis de charme, vinícolas, hotéis fazendas. Então assim, tudo isso a gente procurou organizar com o setor produtivo, de forma institucional e permitindo com que eles se organizassem. Eu acho que esse tripé do governo, as Ocipes também fazem parte do turismo através das emendas parlamentares e o privado ajudaram todos esses grandes eventos. Eu acho que isso foi muito importante. Nós investimos muito na promoção do turismo, e é um diferencial muito grande, o governador não mediu esforço para poder mostrar a capital para o Brasil e para o mundo. A Secretaria de Turismo participa das principais feiras do país, como o Salão do Turismo, da BTN e Gramado, enfim. E para as principais feiras internacionais, já que temos os voos, estamos conectados. Estamos participamos dessas feiras divulgando, promovendo, sempre lembrando que quem faz essas viagens são pessoas técnicas, competentes, turismólogos, pois a gente nunca politizou esse segmento. Foi o diferencial para ter essa atração toda, que a gente tem hoje de jogos, de futebol, conferências de medicina, de ortopedia, cardiologia. Fizemos um ano passado o Congresso Nacional do Ministério Público aqui em Brasília. Vamos receber agora esse ano o Congresso da Procuradoria Fiscal do DF. Tudo isso fez com que nós virássemos a chavinha do turismo fazendo de Brasília uma cidade extremamente movimentada através do segmento de turismo.

As cidades que mais atraem turistas são as litorâneas, como Brasília chegou a marca de 700 passageiros apenas em janeiro?

Noano passado, passaram por Brasília, algo em torno de 7 milhões de passageiros via aeroporto de Brasília, 1 milhão de passageiros chegaram pela Rodoviária Interestadual, fora quem chegou de carros, que a gente não controla. É um ganho expressivo e vem através desses produtos que nós criamos. Nós ativamos a Casa de Chá de Brasília, que antigamente era só um serviço de atendimento ao turismo. Temos parceria com Senac. Nós temos hoje em Brasília de festivais que também ajuda. Levamos para as feiras esses produtos. Em Brasília, a gente passa quase 12 meses com festivais, seja ele do Moto, em julho, de julho a agosto. A gente tem a abertura do Festival de Inverno que começa com a Aniversário de Brasília, depois da Funn Festival. Entramos no Festival de Verão, que é o Na Praia. O nosso Carnaval foi um sucesso. Além da arquitetura do Oscar Niemeyer que atrai muitos estrangeiros, que vem crescendo exponencialmente, com 60% a mais do que ano passado. Só ano passado você pode colocar mais de 100 mil turistas estrangeiros nessa conta.

A Setur também passou a investir em eventos nas regiões administrativas. O que levou a isso?

A gente procurou atender todos os nichos. Entendemos que para o turismo é importante esse dinheiro que vem de fora. Portanto, a nossa prioridade foi a captação de grandes congressos, grandes eventos, jogos de futebol, shows internacionais, grandes festivais nacionais. Essa é a nossa primeira missão, mas entendemos também que a cidade precisa ter vida. Brasília outrora era conhecida por uma cidade que funcionava de terça a quinta-feira. Cidade de políticos. Nós tentamos, através da democratização, mostrar que Brasília não é isso. Brasília tem muitos eventos de todos os gêneros. Então, o que a gente pode fortalecer no que diz respeito ao turismo de eventos, entendendo o que é turismo de eventos, a gente procurou democratizar como se usou o termo na Secretaria de Turismo a fim de também dar acesso à população nesses eventos. Temos festas regionais importantes, como por exemplo Festa da Uva, Festa do Morango, Festa da Goiaba. São festas democráticas grandes, de médio e grande porte gratuitas. A nossa preocupação foi ao mesmo tempo criar uma condição em que o povo pudesse ir dar o que fazer a população que gostaria de se divertir aos fins de semana ou durante a semana. Ter acesso a esses eventos de forma gratuita e com segurança, eventos organizados, foi isso que a gente procurou fazer. Foi dessa maneira que a gente foi crescer nos grandes eventos, mas também prestigiando os eventos da cidade que entendemos serem importante.

Como funciona a parceria da Setur com a Câmara Legislativa na execução de emendas?

Bom, eu estou nos últimos dias da minha gestão. A população de Brasília sabe que eu vou desincompatibilizar para ser pré-candidato a deputado distrital. E eu entendo que, com esse sucesso, eu fui competente para administrar, para juntar as pontas. Tive o apoio do Legislativo, tive muito apoio do sistema Fecomércio, do governador Ibaneis e da [vice-governadora Celina Leão (PP). Acho que foram todas essas alianças de poder que me fizeram caminhar bem. Sempre respeitei o legislativo, acho que, quando o deputado encaminha uma emenda ele vem de uma demanda popular, e muitos dos que estão lá hoje sabem que o turismo não é uma questão de pauta do Cristiano Araújo. O turismo é uma pauta de Brasília, porque o turismo virou uma atividade de desenvolvimento econômico para o Distrito Federal. O PIB do turismo já é de 3%. Se você pegar no início da nossa gestão, arrecadávamos de ISS algo em torno de R$ 7 milhões. Tudo bem que foi um pós-pandemia, mas estou contando do 2020 quando eu assumi. Entrego agora, ao final da minha gestão, com R$ 130 milhões de ISS. Veja que isso não foi só o Cristiano. Foram as emendas parlamentares, foi o orçamento do governo, foi o comércio que injetou também em turismo. Esse bom resultado, eu acho, jamais poderia ter sido só a minha gestão só o governo, então foi a força de todos os entes da Arena BRB, Centro de Conversões, o BRB.

Quais foram os grandes apoiadores?

O BRB apoiou demais o turismo, a Câmara Legislativa e eu consegui harmonizar. Eu entendo que o turismo aqui de Brasília não é uma pauta da direita ou da esquerda eu acho que ela é uma pauta tanto do PSol como do PL. Foi com esse espírito que eu procurei trabalhar pelo turismo.

Como o senhor analisa o pós-pandemia e como você entregará a pasta?

A pandemia foi uma crise mundial, mas teve o mérito do governador Ibaneis, que foi muito corajoso para fechar a cidade na hora certa e ser a primeira cidade reabrir. Alguns setores, ele não deixou parar, atividades que são essenciais para o Estado, a coleta urbana de lixo e de limpeza urbana ele não paralisou. No segmento de eventos, nós fomos os primeiros flexibilizando. Foi muito duro para o setor de eventos e isso não resta dúvidas, assim como para a população. Mas, ao mesmo tempo, com os pacotes de incentivos que o governo veio dando, quem soube se organizar organizou, conseguiu se recuperar e juntar dinheiro para investir. Ao em vez delas diminuírem ou sumir, elas investiram mais em mais casas, mais empregos. Eu vejo dessa maneira acho que foi um momento duro para todos, mas quem soube se reorganizar, o governo permitiu se reorganizar.

Qual instrumento ajudou nessa recuperação?

O BRB foi um banco extremamente importante para os empresários. Se você pegar o Banco de Brasília é um banco de fomento, mesmo que seja para obra, seja para bares e restaurantes, pequenas e grandes empresas. Então, o BRB cumpriu seu papel também de ajudar Brasília a sair disso, além do governo federal. Foram todos esses elementos que fizeram com que Brasília não sofresse tanto, Sofreu muito, mas não sofreu tanto quanto as outras cidades e lembrando que isso foi fundamental. Você vai aos Estados Unidos e vê a diferença de Miami para Nova York: a diferença de uma cidade outra e como foi a maneira que os dirigentes tocaram. Miami ficou pouco tempo fechada e a cidade está um boom. Nova York caminhou um pouco para trás está se recuperando; Eu acho que foi essa capacidade do governador, essa coragem dele.

Como você analisa atual crise com o nome do BRB?

Acho que é grave, tem que investigar o que aconteceu. Eu não estava lá dentro. mas é um assunto que é grave, tem que punir os culpados. A Câmara Legislativa tem que dar um apoio de salvar o banco. Isso vai ser apurado e quem faz isso é o Ministério Público é o Judiciário, o Supremo Tribunal Federal. Eu acho que isso vai ser apurado com todo rigor, porque todo o Brasil está de olho nisso. A Câmara Federal está de olho, o Senado o STF, o TRF1. Temos que apurar seguir com rigor e responsabilizar os culpados.

Às vésperas de mais uma eleição, como o senhor avalia o cenário político?

Eu acho que Brasília tem um eleitorado mais conservador de direita, assim como eu sou uma pessoa que sou católico, casado respeito os costumes da família. Então que esse é a maioria do eleitorado que temos, com uma forte influência do eleitor do Bolsonaro. Precisamos organizar os plays, quem serão os personagens para que as coisas continuem fluindo. Brasília não deu uma guinada acho que o governo tem as crises pontuais, como a do BRB, mas foi um governo que, no geral, teve uma boa aprovação de 70%. A gente vai apoiar o governador Ibaneis para o Senado e a Celina para o governo.

E como está a formação dessas alianças?

Dentro do nosso grupo a gente tem a lealdade ao governo Ibaneis e, mais do que isso, a gente acredita que foi feito um bom governo. Não sou eu que estou dizendo que foi bom, os números mostram que a gente conseguiu trazer resultado e acho que conforme a gente disse precisamos conversar com as pessoas, lembrando que dia 28 [de março] a gente se desincompatibiliza, pois queremos ser pré-candidatos. Essa decisão de quem são os nomes acontece até o dia 15 de agosto. Vamos ter um longo período ainda de conversas, de debate e de mostrar para a população o que foi feito de cada um. Acho que é importante a gente tentar manter uma unidade mínima dentro desse grupo, para que não caia e outros governos, que deixaram a grama alta, o próprio Teatro Nacional fechado, há mais de 15 anos, o Autódromo há mais de 12 anos, e tudo isso a gente com esforço próprio, sem recurso do governo federal, conseguirmos reabrir. Eu penso que a população tem que avaliar isso e é isso que é a preocupação maior. Não vamos deixar Brasília para grupos que vão deixar Brasília conforme a gente encontrou.

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