Antes das luzes do palco se acenderem e da música tocar, o verdadeiro show acontece nos bastidores. No Na Praia, desde colaboradores a fornecedores, passam por treinamentos promovidos pelas equipes da Mané e R2, com foco em sustentabilidade, equidade, inovação e consumo responsável. A cultura ESG (Ambiental, Social e Governança) é aplicada desde a preparação do evento, fortalecendo a empregabilidade e a inclusão produtiva. Encerrando com chave de ouro o JBr Talks – Edição Especial Na Praia, o último painel debateu “A Cultura ESG como Formação dos Profissionais do Futuro”, destacando a educação como motor de transformação para além do setor de eventos.
O Relatório Panorama ESG 2024, da Amcham Brasil, apontou que 71% das empresas brasileiras já implementam práticas ESG em nível inicial ou avançado. Desse número, 56% acreditam que a capacitação e o desenvolvimento de colaboradores são iniciativas essenciais para pôr em prática os conceitos ESG. Com base nisso, para abordar último tema “A Cultura ESG como Formação dos Profissionais do Futuro”, a mediadora do painel Paula Reis, gerente regional da Amcham em Brasília e Goiânia, recebeu os convidados: Wilson Kontoyanis, responsável pela plataforma de Liderança e Educação – Instituto CC; a executiva em Recursos Humanos, Carolina Bento; Ana Flávia Briceno, gerente de desenvolvimento humano e organizacional do Sabin; e Mariana Borges, especialista em estratégias ESG.
ESG na prática
Mariana Borges, especialista em ESG, também esteve presente no painel e destacou que a implementação da cultura ESG em uma empresa começa com o exercício da escuta. “Quando o profissional percebe que ali há espaço para escuta e conexão com seus valores, o engajamento vem de forma genuína. Nas empresas nas quais a gente vê esse movimento acontecendo, a gente começa a perceber as pessoas levando para casa esses novos hábitos, esse nível de consciência, sensibilizando às vezes até a família”, afirmou. Ela brincou, que para além de colocar no dia a dia da empresa, as pessoas precisam “tornar a sustentabilidade sexy”, ao transformar aqueles conceitos em práticas atrativas. “ESG tem que ser uma coisa corriqueira, que a gente queira falar no dia a dia, que a gente fale no boteco com um amigo, nos almoços em casa com a família, que seja algo natural”, explicou.
A gerente de desenvolvimento humano e organizacional do Sabin, Ana Flávia Briceno, observou que apesar da cultura ESG, ser um tema que nos últimos anos vem ganhando relevância no meio dos negócios, já se falava em responsabilidade socioambiental desde pelo menos 15 anos atrás. “E o grupo Sabin sempre teve um olhar e um propósito muito claro nesse sentido, que é o de inspirar pessoas a cuidar de pessoas”, destacou. Para colocar em prática os conceitos ambientais, sociais e de governança, para além dos indicadores, Ana afirmou na ocasião, que o essencial é o desenvolvimento e a capacitação que mostram a todos os colaboradores como aplicar isso no dia a dia de trabalho. “Porque às vezes esse ‘ESG’ parece uma coisa que está muito distante”, frisou.
Através dos treinamentos do Sabin, Ana identificou que as ações de desenvolvimento fazem a ponte entre a teoria e a prática. A materialização disso, é uma universidade corporativa da organização que cria conteúdos e forma os profissionais da rede desde 2009. “Nós demos esse passo, porque entendemos que somos formadores de conteúdo”, salientou. Para Ana, a educação das pessoas que compõem uma empresa deve ser um pilar que vai sustentar a cultura ESG e formar os profissionais do futuro. “O treinamento e desenvolvimento dos colaboradores é um motor que vai garantir que o ESG seja uma jornada viva”.
Ana Flávia apontou ainda, que a educação continuada e o desenvolvimento profissional das pessoas não deveria ser de responsabilidade somente do poder público. Para ela, as empresas privadas também podem devolver para a sociedade práticas de treinamento e capacitação. Como exemplo disso, o Sabin realiza cursos para o público externo, como a palestra que foi dada no fim de agosto sobre mercado de trabalho para pessoas com deficiência. A iniciativa foi realizada em todo o Brasil. “Tudo começou alguns anos atrás, com a família dos nossos colaboradores, quando fizemos cursos de elaboração de currículo e sobre o mercado de trabalho”, relembrou.
Cultura em movimento
A executiva em Recursos Humanos, Carolina Bento, acredita que um dos impactos sociais que a organização deve buscar ao implementar a cultura ESG no dia a dia da empresa é o cuidado com a saúde mental de seus colaboradores. Aliada à educação continuada, a preocupação com o bem-estar de quem está na equipe é importante para que essa pessoa se engaje com os valores da instituição. “É preciso ter os líderes como embaixadores. Por isso, também é preciso de um processo de desenvolvimento de liderança forte na parte de escuta”, disse. Reforçar esse movimento de líderes mais empáticos que saibam escutar, é essencial para que se crie um olhar mais humano dentro do ambiente de trabalho que vivencia a cultura ESG. “Mas o mais importante, é ter times de RH e líderes preparados para alinhar as expectativas dos colaboradores”, comentou.
Para ela, quando se fala em cultura organizacional, é necessário primeiro entender que cultura não é algo estático, mas sim dinâmico. Carolina afirma que, ao pensar em cultura ESG, é importante entender como encaixar esses elementos ao longo da jornada do colaborador para reforçar esse posicionamento. Jornada que começa na contratação e segue até o momento em que o colaborador deixa a empresa. “Se você atrai talentos para sua organização, que se conectem com a cultura da empresa, porque já sabem que você pratica aquilo no dia a dia, eles vão se desenvolver nesses pontos, para se tornarem os futuros líderes e promotores daquela cultura e vão perenizar”. Não vai ser algo pontual de uma gestão daquele momento. Para ela, a partir do momento que o colaborador realmente acredita naquela cultura e vivência ela junto da equipe, aquilo vai marcar a vida dele ao longo da carreira, independente de onde esteja.
Vocação
Wilson Kontoyanis, sócio fundador do Instituto.CC, já atuou com o grupo R2, onde foi diretor executivo, e lembra de como foi a implementação dos valores sustentáveis no Na Praia, como um diferencial competitivo. “Tudo começou lá atrás, em 2015, quando tivemos que adaptar o uso da areia perto do lago. Foi ali que a gente descobriu essa pauta do ESG, entendendo que aquilo poderia ser um grande diferencial de posicionamento”, contou. “Hoje, fico muito feliz de ver que isso não só continua dentro da R2, como ganha cada vez mais força. Quando você vai ao parque, no evento do Itália, por exemplo, dá pra ver o tanto de iniciativas legais que estão acontecendo, e o quanto isso aproxima as pessoas”, comentou. Para ele, o Na Praia hoje é a prova de que em um negócio, a consciência social e o propósito são maiores que a entrega de resultados.
Wilson acredita que para colocar os valores ESG no dia a dia, depende da vocação de cada empresa e de como ela pode traduzir esses princípios em ações que façam sentido a partir disso. Uma dica de Wilson, para as empresas darem o ponto de partida nas práticas ESG, está na disposição de continuar a aprender. “O problema não é parar de produzir ou de ser relevante, é parar de aprender. Empresas que continuam aprendendo têm mais chances de se adaptar, inovar e continuar fazendo diferença”, afirmou. Além disso, outra sugestão é focar em ações simples e pequenas, mas bem feitas. Um exemplo citado por Wilson, foi uma das primeiras ações da R2: o ingresso solidário. Ele também destacou uma campanha da Reserva, que doava um prato de comida a cada cinco peças vendidas. “É o simples que funciona, quando está alinhado ao negócio e tem propósito”, finalizou.
Experiência 360 une propósito, capacitação de colaboradores e proatividade
Edu Azambuja, sócio e diretor de Sustentabilidade da R2, destacou um dos projetos do Na Praia que reforça a importância do treinamento de pessoas com propósito: o Quero Te Ajudar (QTA), criado em 2016. Com o intuito de melhorar a experiência do cliente, Edu explica que os colaboradores atuam de forma proativa, com treinamento específico e autonomia para circular pelo festival com um “kit mágico” à disposição do público. “São colaboradores altamente treinados, que sabem tudo sobre o evento. E nessa pochete tem praticamente tudo que possa ajudar o cliente, desde equipamento de costura até um absorvente”, citou. Segundo ele, o QTA é um case de sucesso que mostra o impacto do desenvolvimento humano em eventos. “Nós levamos alguns QTA’s líderes para treinar pessoas de outros estados que se interessaram pelo serviço.”
Para ampliar esse cuidado e fazer a diferença na vida das pessoas, com foco no que Edu chama de “experiência 360″, o Grupo R2 está lançando uma plataforma interna de capacitação online para colaboradores, com conteúdos voltados à cultura de cada evento. A curadoria dos módulos será personalizada de acordo com a função de cada profissional. A plataforma terá temas como sustentabilidade, acessibilidade e igualdade de gênero, com conteúdos desenvolvidos em parceria com instituições como o Instituto Glória e a ONU, abordando os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Para Edu, a educação continuada das mais de 1.500 pessoas envolvidas por fim de semana é essencial para alinhar todos os colaboradores à cultura e aos valores do grupo. Para além dos treinamentos, o Na Praia valoriza a vivência de quem está nos bastidores, ao realizar pesquisas para ouvir o feedback dos colaboradores e adaptar suas ações com base nas demandas reais. “Nós queremos dar voz aos nossos colaboradores, para que eles tenham, cada vez mais, uma experiência melhor com a gente”, finalizou.