Embora a Reforma Tributária não deva produzir efeitos econômicos diretos sobre os preços dos produtos ao longo de 2026, o setor atacadista do Distrito Federal já registra impactos do novo cenário tributário e da necessidade de adaptação operacional. As empresas precisam ajustar sistemas, processos e rotinas para cumprir as novas exigências fiscais, sobretudo no que diz respeito à emissão de notas fiscais no modelo previsto pela reforma.
Segundo o presidente do Sindiatacadista-DF, Álvaro Júnior, o próximo ano exigirá planejamento e cautela por parte das empresas do setor. Ele afirma que, mesmo sem reflexos imediatos nos preços, haverá custos relevantes com adequação tecnológica, capacitação de equipes e ajustes operacionais, o que afeta a estrutura financeira das companhias.
Além das mudanças trazidas pela Reforma Tributária, alterações legislativas recentes já elevaram a carga tributária sobre o consumo, com modificações no PIS e na Cofins, além de ajustes no IRPJ e na CSLL para empresas optantes pelo Lucro Presumido. De acordo com a entidade, esse conjunto de fatores atinge toda a cadeia de abastecimento e pressiona custos logísticos e de serviços associados ao atacado.
Álvaro Júnior destaca que o setor ocupa posição estratégica na economia e que aumentos de carga tributária sobre prestadores de serviços tendem a ser repassados ao longo da cadeia, com impacto sobre despesas de armazenagem, transporte e distribuição.
Outro ponto citado pelo Sindiatacadista-DF é a retomada do debate sobre a tributação da distribuição de lucros, o que, na avaliação da entidade, gera insegurança para o ambiente de negócios. A medida pode reduzir a capacidade de investimento das empresas em um contexto de mercado instável e com níveis elevados de inadimplência.
Para a entidade, tributar a distribuição de lucros representa nova incidência sobre valores já tributados na pessoa jurídica, o que reduz o fôlego financeiro, desestimula investimentos e compromete a competitividade das empresas.
Diante desse cenário, o Sindiatacadista-DF informa que prepara uma agenda de cursos, workshops e um canal permanente de esclarecimento aos associados, com foco na orientação sobre as mudanças da Reforma Tributária, seus efeitos práticos e estratégias de adequação.
Segundo Álvaro Júnior, o objetivo é oferecer informação qualificada e apoio técnico para que as empresas do atacado no DF reduzam riscos e atravessem o período de transição com maior previsibilidade. Para o setor, 2026 deve ser um ano central de adaptação e capacitação, com foco na preparação para impactos mais amplos da reforma nos anos seguintes.

