A vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV, sigla em inglês) registra baixa adesão no Distrito Federal. A imunização tem como público-alvo as faixas etárias de 9 a 14 anos, mas a campanha foi estendida, de forma excepcional, para jovens de 15 a 19 anos até 31 de dezembro deste ano. Segundo a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SESDF), no início da estratégia havia 49 mil pessoas nessa faixa etária sem nenhuma dose da vacina. Até o dia 22 de agosto, 3.504 jovens entre 15 e 19 anos haviam sido vacinados, o que representa cerca de 7,15% dessa população no DF.
A ampliação busca alcançar quem perdeu a chance de se vacinar na idade recomendada, mas ainda enfrenta desafios. De acordo com a pasta de saúde, a cobertura vacinal entre crianças e adolescentes de 9 a 14 anos está em 81,5% entre meninas e 61,8% entre meninos.
Tereza Luísa, gerente da Rede de Frio da SESDF, explicou ao Jornal de Brasília, que a inclusão dessa faixa etária foi motivada por uma mudança no esquema vacinal ocorrida em setembro do ano passado. “O Ministério da Saúde alterou a rotina das crianças de 9 a 14 anos, que antes tomavam duas doses, para apenas uma. Com isso, o Ministério oportunizou que aquelas crianças e adolescentes que no período de 9 a 14 anos, perderam a oportunidade de se vacinar e que hoje estão entre 15 e 19 anos”, destacou.
A gerente também compartilhou como é organizada a campanha: Para a faixa etária de 9 a 14 anos, é trabalhado um cálculo de corte. Este ano entram crianças de 9 anos e saem as que completaram 15. Já a faixa de 15 a 19 anos é fixa e só está sendo trabalhada este ano.
A baixa adesão, como Tereza afirmou, está ligada a uma série de fatores, como o esquecimento dos pais sobre a importância da vacinação na adolescência. “essa é uma faixa etária muito difícil de vacinar, infelizmente os pais só lembram lá na infância, que os filhos tem que vacinar, dando foco apenas ao calendário infantil”, comentou. E a resistência a essa vacinação aumenta com o preconceito ou medo dos pais com relação ao despertar da vida sexual. “Infelizmente muitos pais acreditam nesse mito que ao aplicar a vacina, os seus filhos vão iniciar a atividade sexual mais precocemente, isso não é uma verdade. Pelo contrário, e o mais importante é que ela previne contra o câncer”, reforçou.
Tereza apontou ainda que o medo de agulha e reações psicogênicas também impactam a aceitação entre adolescentes. “Eles têm muita ansiedade, e às vezes isso leva a reações como desmaios ou histeria coletiva”, salientou. Mas a vacinação nas escolas é feita de forma individual, dentro da sala, para evitar esse tipo de situação.
Para ampliar o acesso, a secretaria tem atuado diretamente em escolas e universidades. “Já visitamos mais de 200 escolas e estamos também divulgando a campanha em universidades, onde parte dos jovens de 15 a 19 anos já está inserida”, ressaltou.
A vacina está disponível gratuitamente em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do DF. Aos sábados, cerca de 40 UBSs permanecem abertas para atender famílias que não conseguem levar os filhos durante a semana. “As escolas também enviam bilhetes informando a data da vacinação. É importante que os pais assinem a autorização, pois a aplicação só acontece com esse consentimento”, indicou.
A vacina contra o HPV é uma das principais formas de prevenção contra vários tipos de câncer. “Ela protege contra o câncer de colo do útero, de pênis, vagina, ânus e contra as verrugas genitais. É uma vacina quadrivalente e extremamente eficaz”, destaca Tereza. Além disso, ela enfatizou que os pais podem aproveitar e atualizar o cartão de vacina dos filhos. “Porque não existe só o HPV, e fica o meu alerta para o surto de sarampo em vários lugares do Brasil e do mundo”, completou.
O vírus
Ainda segundo a SESDF, o HPV é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) que pode infectar tanto a pele quanto as mucosas oral, genital e anal, não importa o gênero. Entretanto, mesmo que a principal forma de transmissão seja por via sexual, com penetração desprotegida, o contágio também tem chances de acontecer através do contato direto entre os órgãos genitais, mesmo sem penetração.
Em muitos casos, a infecção pelo HPV não apresenta sintomas, mas pode desenvolver verrugas ou lesões que, ao longo do tempo, chegam a evoluir para um câncer. Pessoas assintomáticas também são capazes de transmitir o vírus durante relações sexuais desprotegidas. Ainda segundo informações da pasta, em alguns casos, as lesões provocadas pelo HPV podem levar até 20 anos para se manifestar.