Estudantes da rede pública de ensino do Distrito Federal estão marcando presença na exploração espacial brasileira. Cerca de 30 alunos do ensino médio integraram o desenvolvimento de um nanossatélite lançado pela startup Ideia Space, sediada em Brasília, que agora faz parte da constelação orbital do país. A iniciativa integra o programa Desafio Espacial, promovido com o apoio da Agência Espacial Brasileira (AEB), e visa fomentar a formação científica e tecnológica de jovens.
A estudante Stephany Santana de Araújo, de 17 anos, do Centro de Ensino Médio Integrado (CEMI) do Gama, descobriu o programa por meio de um professor e se motivou pela curiosidade pela área espacial. “O que me motivou a me inscrever foi a curiosidade pela área, algo que eu já tinha interesse anteriormente”, relata. Durante o projeto, ela participou da concepção do satélite e destacou a importância do trabalho em equipe e da atenção aos detalhes na engenharia. A experiência reforçou sua decisão de seguir carreira nessa área, e ela incentiva os próximos participantes a serem persistentes.
Outro depoimento vem de Rebecca Santos, de 18 anos, egressa do ensino médio que participou da edição de 2025. “O projeto abriu muitas portas, aumentou minha confiança e me ajudou a enxergar com mais clareza o que quero para o meu futuro”, afirma. Ela elogiou a conexão entre o conteúdo escolar e a prática da astronomia, além do impacto social do satélite, que auxilia no monitoramento de queimadas no DF, ajudando a identificar focos de incêndio para apoiar agricultores, parques ecológicos e autoridades, reduzindo danos ambientais.
O fundador da Ideia Space, Leonardo Júlio Souza, enfatiza o potencial transformador da educação pública por meio de projetos como esse. “Estamos mostrando que o espaço pode ser um ambiente de aprendizado acessível e formador”, diz. Ele destaca que mais de 500 alunos participaram no último ano e planeja dobrar esse número para mil em 2026, com mais bolsas remuneradas e pelo menos um satélite anual desenvolvido por estudantes em órbita, visando tornar Brasília referência no país nessa área.
A constelação inclui também satélites de universidades brasileiras e iniciativas culturais, consolidando um modelo que une educação, pesquisa e inovação. A participação dos alunos do DF exemplifica como parcerias institucionais podem democratizar o acesso a áreas estratégicas do conhecimento.



