O ditador da Nicarágua, Daniel Ortega, e sua esposa, Rosario Murillo, enviaram uma mensagem de felicitações a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela reeleição à Presidência do Brasil.
Na carta, divulgada em 26 de outubro, os líderes chamaram o petista de “companheiro” e “irmão” e defenderam a continuidade da cooperação entre os dois países.
A mensagem destacou a intenção de manter uma agenda conjunta voltada à paz, à fraternidade e ao combate à pobreza.
A manifestação reforça a proximidade política entre o governo nicaraguense e o PT, apesar dos atritos diplomáticos registrados nos últimos anos.
O regime de Ortega é alvo de críticas internacionais por restrições à oposição, perseguição a adversários políticos e limitações à imprensa independente.
Organizações de direitos humanos também denunciam medidas contra integrantes da Igreja Católica e o enfraquecimento das instituições democráticas no país.
Em 2025, uma reforma constitucional ampliou os poderes do Executivo nicaraguense e formalizou a estrutura de copresidência, ocupada por Ortega e Rosario Murillo.
A mudança também estendeu o mandato presidencial para seis anos, consolidando a concentração de poder no governo.
As relações entre Brasília e Manágua sofreram um desgaste significativo em 2024, quando os dois países expulsaram seus respectivos embaixadores.
A crise ocorreu após o representante brasileiro não comparecer à cerimônia de aniversário da Revolução Sandinista.
Naquele período, o governo Lula também havia solicitado a libertação do bispo Rolando Álvarez, que ficou preso por mais de um ano antes de ser expulso da Nicarágua, em janeiro de 2024.
Ortega também criticou Lula em 2024 por sua posição diante da eleição presidencial venezuelana, após o brasileiro não reconhecer imediatamente a vitória proclamada de Nicolás Maduro.
Apesar das divergências, a nova mensagem de felicitações sinaliza a disposição do governo nicaraguense de manter o diálogo com Brasília e retoma a aproximação entre os dois governos.

