O candidato ao Governo do Distrito Federal Leandro Grass (PT) afirmou, nesta quinta-feira (22), que a divulgação do balanço do Banco de Brasília (BRB) será fundamental para dimensionar a situação financeira da instituição e admitiu que, a depender do cenário encontrado, o banco pode enfrentar dificuldades para se manter. A declaração foi dada durante sabatina à BandNews FM, na reta final da campanha para o segundo turno.
Questionado sobre a possibilidade de liquidação da instituição, Grass defendeu que qualquer conclusão depende, primeiro, da apresentação dos números do banco. “Pode ser que realmente não tenha salvação. Mas como é que a gente vai chegar a essa conclusão? Só tem um jeito de chegar a essa conclusão, que é publicar o balanço”, declarou.
O petista afirmou que, caso seja eleito, pretende buscar alternativas para preservar o BRB. Entre as possibilidades mencionadas estão tratativas com o Fundo Garantidor, o Banco Central e o governo federal. Segundo Grass, a prioridade seria conhecer a dimensão da situação financeira e, a partir disso, buscar mecanismos para manter a instituição.
Durante a entrevista, o candidato também elevou o tom ao tratar das investigações envolvendo o banco. Grass afirmou que eventuais responsáveis por irregularidades devem ser identificados e responsabilizados, independentemente de quem sejam. “Isso não é vingança, isso é justiça”, disse, ao citar nominalmente adversários e pessoas que, segundo ele, deveriam ser investigadas caso seja comprovado envolvimento em ilícitos
Saúde como prioridade
Outro tema que ocupou parte significativa da sabatina foi a saúde pública. Questionado sobre a demora enfrentada por pacientes com câncer para conseguir diagnóstico e tratamento na rede pública do DF, Grass prometeu ampliar o acesso a consultas, exames e equipamentos.
O candidato citou o programa federal Agora Tem Especialistas e defendeu a ampliação do número de carretas destinadas à realização de exames. Também voltou a prometer a construção de um hospital voltado ao tratamento do câncer em Brasília e a expansão da rede oncológica por meio de parcerias com entidades e clínicas privadas, dentro da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS).
Grass afirmou que pretende fazer da redução das filas uma das prioridades de uma eventual gestão. “No meu governo vai ser política de vida, política de saúde, vai ser a minha obsessão como governador”, declarou.
Campanha e redes sociais
A disputa eleitoral também entrou no centro da entrevista. Grass classificou a campanha como marcada pela circulação de desinformação e voltou a criticar a atuação das plataformas digitais. Segundo ele, o peso das redes sociais tornou mais difícil para o eleitor diferenciar informações verdadeiras de conteúdos falsos durante o período eleitoral.
O petista também citou episódios em que afirma ter sido prejudicado pela atuação da Meta e defendeu uma revisão mais ampla do papel das grandes empresas de tecnologia durante as eleições. “Nós vamos ter que revisar isso profundamente. A eleição vai ser do Brasil ou vai ser da Meta? Vai ser dos Estados Unidos? Vai ser de outro país? Quem é que vai decidir o voto aqui?”, questionou.
Para Grass, a dinâmica das plataformas também contribuiu para empobrecer o debate político. O candidato avaliou que conteúdos curtos e de forte apelo nas redes passaram a ocupar o espaço de discussões mais aprofundadas sobre propostas e políticas públicas. “Infelizmente, a forma como as redes sociais são utilizadas, a forma como elas funcionam, mata a política”, afirmou.
Transporte sobre trilhos
Na reta final da sabatina, Grass foi questionado sobre os congestionamentos no DF e voltou a defender investimentos em transporte coletivo de massa. Para o candidato, intervenções viárias, como ampliação de pistas e construção de viadutos, não são suficientes para solucionar o problema de mobilidade.
“Transporte de massa é trilho. Trilho”, resumiu. Segundo Grass, um sistema sobre trilhos seria a principal alternativa para reduzir a quantidade de carros nas ruas e, consequentemente, os congestionamentos.
Ao longo da campanha, o candidato tem defendido projetos de expansão da malha ferroviária, incluindo conexões entre o metrô e Luziânia, além de uma ligação entre Águas Lindas e Ceilândia. Na sabatina, Grass afirmou que a proposta busca fazer o DF deixar de depender do modelo centrado em carros e ônibus e ampliar a participação do transporte sobre trilhos.
A agenda de Grass nesta quinta-feira (22) prevê ainda uma sabatina na Rádio Bandeirantes e, à noite, participação no debate da TV Globo.


