O presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, e a mulher dele, Cilia Flores, se declararam inocentes nesta quinta-feira (15) de uma nova acusação dos Estados Unidos: a de conspirar para torturar opositores políticos. A audiência foi realizada no tribunal federal de Manhattan, em Nova York.
A acusação adicional foi apresentada na quinta-feira anterior (8) e ampliou de forma significativa o processo criminal contra Maduro, de 63 anos, e Flores, de 70. Os dois já haviam se declarado inocentes das acusações de tráfico de drogas, de terem abusado do poder para ajudar traficantes a transportar cocaína.
A audiência
Maduro e Flores compareceram diante do juiz Alvin Hellerstein com uniformes prisionais bege e algemados pelos tornozelos. Questionado sobre sua declaração, Maduro disse que as acusações já haviam sido feitas antes e eram falsas. “Eu vi tudo, juiz Hellerstein”, afirmou, referindo-se à acusação. “Rejeito este documento na íntegra.”
O juiz interrompeu Maduro e disse que seria registrada uma declaração de inocência em nome dele. Flores afirmou: “Sou totalmente inocente. Não sou culpada.”
O que dizem os promotores
Promotores do Ministério Público Federal de Manhattan afirmam que Maduro ordenou que autoridades venezuelanas torturassem políticos da oposição e militares acusados de conspirar contra ele, para manter o poder.
Em um dos episódios descritos na acusação, Maduro teria ordenado, em 2014, o sequestro de militares para obter informações sobre possíveis dissidentes. Quando alguns se mantiveram desafiadores, ele teria mandado “apertá-los com mais força”. Segundo a acusação, Flores concordou com o plano na reunião e rejeitou uma sugestão alternativa, a de obter informações por infiltração.
Maduro e Flores não são acusados de ter cometido pessoalmente atos de tortura. Cada um deles enfrentaria pena mínima obrigatória de 50 anos de prisão se fosse condenado em todas as acusações.


