Mais de cinco décadas depois do assassinato de Ana Lídia Braga, um dos crimes que mais marcaram a história de Brasília perde uma de suas últimas testemunhas diretamente ligadas ao episódio. Álvaro Henrique Braga, irmão da menina, morreu aos 71 anos, no Rio de Janeiro, onde vivia e trabalhava como médico desde 1983. O óbito ocorreu em 25 de novembro do ano passado e foi confirmado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (CREMERJ). A informação só se tornou pública nesta quarta-feira (16).
Álvaro tinha 18 anos quando Ana Lídia desapareceu, em 11 de setembro de 1973, depois de ser deixada pelos pais na porta de uma escola particular na Asa Norte. No dia seguinte, o corpo da menina foi encontrado nas proximidades da Universidade de Brasília (UnB). O crime, marcado por violência sexual e assassinato, provocou comoção nacional e permanece, até hoje, entre os casos mais emblemáticos e controversos do Distrito Federal.
Na época, Álvaro foi apontado pela polícia como um dos principais suspeitos de envolvimento no desaparecimento da irmã. Uma testemunha havia relatado ter visto um homem alto e loiro, usando blusa branca e calça verde militar, abordar Ana Lídia e sair com ela da escola. As investigações também levantaram suspeitas relacionadas ao envolvimento de Álvaro com drogas e a possíveis dívidas com traficantes.
O irmão da menina chegou a permanecer preso por cerca de um ano durante as investigações. Anos depois, porém, foi absolvido por falta de provas. Desde então, Álvaro seguiu a vida longe de Brasília e construiu carreira na medicina no Rio de Janeiro.
A morte dele ganha relevância para a história do caso porque Álvaro era considerado a última testemunha diretamente ligada à família e às circunstâncias investigadas na época que ainda poderia contribuir com informações sobre o crime. Com seu falecimento, desaparece também uma das últimas possibilidades de obter novos relatos em primeira pessoa capazes de lançar luz sobre as circunstâncias que permanecem sem esclarecimento.
O assassinato de Ana Lídia completa mais de 50 anos sem que todas as perguntas sobre o crime tenham sido respondidas. A passagem do tempo, a morte de pessoas relacionadas à investigação e a ausência de uma conclusão definitiva mantêm o caso como uma das histórias mais cercadas de mistério da capital federal.
A trajetória de Álvaro também evidencia uma das marcas deixadas pelo episódio na família. Depois de ser preso e posteriormente inocentado, ele deixou Brasília e recomeçou a vida no Rio de Janeiro.
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