Ativistas promovem degustações veganas em busca de conscientização de novos públicos

Por Joana Alves

A SBV Brasília em parceria com Pollination Project Foundation (TPP) promove mais uma vez o Projeto Prato Consciente, que busca ampliar a presença e a promoção da alimentação vegana nas universidades de Brasília.

O projeto combina ações em universidades, eventos educativos e degustações de alimentos veganos, com o objetivo de estimular as instituições a adotarem práticas mais inclusivas e fomentar o interesse pelo veganismo. 

As duas primeiras edições do Prato Consciente foram realizadas no Instituto Federal de Brasília (IFB), nos campus de São Sebastião e Samambaia.

A programação é construída em conjunto com professores e gestores das instituições, de forma que o veganismo seja abordado de maneira transversal e relacionado aos interesses e à realidade dos cursos oferecidos. A  próxima edição acontece nesta segunda (31), às 19h15 no IFB do Riacho Fundo.

O evento conta com palestras de profissionais da educação ambiental e ativistas ambientais.

Também oferece um lanche totalmente vegano e gratuito, que tem como objetivo apresentar a alimentação vegetal de forma gostosa, acessível e desmistificada. 

A maioria dos participantes não é vegetariana ou vegana, e a experiência busca justamente apresentar novas possibilidades de alimentação. 

O evento é aberto aos universitários, a alimentação servida como degustação é gratuita e vegana.

“Acreditamos que os estudantes universitários, assim como toda a comunidade acadêmica, estão dispostos ao diálogo e são potenciais divulgadores do veganismo”, conta a ativista Beatriz Lima Torres, professora e coordenadora da SVB Brasília.

Ela destaca a divulgação da alimentação vegana como essencial para a sustentabilidade, ética e respeito à vida.

“Reduzir o consumo de carne, ovo, leite e derivados, priorizar o consumo de vegetais e se possível, oriundos da agroecologia, são estratégias para a sustentabilidade”, explica.

Beatriz de Lima Torres é professora, pedagoga e atuante na educação ambiental e ativismo animal.

A escolha do ambiente universitário é intencional “A universidade, por sua missão educativa e transformadora, é o espaço ideal para reverter essa lógica”, diz Beatriz.

Mas admite que ainda existe muito preconceito. “Muitas pessoas, antes mesmo de conhecerem os argumentos para o modo de vida vegano, o rotulam como “frescura “,”bobagem “,”imposição “.”

Beatriz comenta que os estudantes são receptivos nesses eventos, trazem curiosidades e perguntas, o que fortalece os objetivos da causa animal .

“A transformação de hábitos alimentares, a consideração pelos direitos dos animais, o convívio com a natureza enxergando-se parte e codependente dela, é o que nós queremos.” ,conta.

Mila Monteiro, empresária e vice-coordenadora da SVB, explica como as escolhas do que colocamos no prato, ajuda ou agrava as crises ecológicas “No Brasil 74% das emissões de gases do efeito estufa vêm da pecuária e da mudança do uso da terra para pecuária e plantações de soja, milho e sorgo para ração animal.” ,conta.

Mila Monteiro, empresária e ativista ambiental há mais de 9 anos, acredita que a alimentação vegana pode frear as crises ecológicas de um jeito saudável e saboroso.

Dentre os assuntos abordados no projeto, estão 3 grandes crises planetárias associadas ao tema, as mudanças climáticas, crises hídricas e o desequilíbrio da biodiversidade.

A exploração excessiva da alimentação de origem animal, segundo ela, contribui para esses efeitos negativos.

Entre os problemas estão a poluição química por compostos de microplásticos, aumento dos gases do efeito estufa, adoecimento do solo por excesso de fertilizantes, exploração da água doce e acidificação dos oceanos.

“Todos os limites se inter-relacionam e se potencializam. Alguns podem ser irreversíveis” , conta.

O projeto Prato Consciente, visa também desmistificar alguns estereótipos relacionados à alimentação vegana, como a falta de proteínas e valor excessivo das alimentos. Mas Mila garante que comida vegana é simples, saborosa e saudável.

 “A alimentação vegetariana baseada em vegetais, grãos, sementes e cogumelos é mais acessível do que a com produtos de origem animal.No entanto, há produtos industrializados que buscam similaridade com a textura, sabor e aparência dos produtos de origem animal que pela dinâmica de oferta e procura, ainda são mais caros.” , diz ela.

O prato típico do brasileiro, com arroz, feijão, legumes e salada é um exemplo de alimentação vegana, barata e saudável. “A carne não precisa ser necessariamente substituída por carnes vegetais, o aumento do consumo de leguminosas (feijões, ervilhas, lentilhas, grão de bico) podem suprir a necessidade diária de proteínas.” , conclui.

“Um dos nossos maiores objetivos com o projeto Prato Consciente é garantir que os alunos e professores que já fizeram a opção pela alimentação vegetariana estrita e também novos adeptos tenham acesso à alimentação adequada no ambiente escolar, com mais opções e variedade.” , conta Mila e acrescenta a vontade de expandir a iniciativa para adotar as Segundas Sem Carne, campanha mundial que convida pessoas a não comer carne pelo menos uma vez na semana.

Evento do Projeto Prato Consciente no IFB de São Sebastião.

Segundo Mila, o prato consciente começa com mais vegetais no prato “ A esperança é que a humanidade perceba que está indo na direção errada em relação ao nosso sistema alimentar o mais rápido possível e adote a alimentação vegetariana, pelos animais, pelas pessoas, pelo Planeta.”

Supervisão de Luiz Claudio Ferreira

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