O Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB) abriu uma investigação sobre um incidente aéreo ocorrido em 4 de agosto, em Washington, envolvendo o helicóptero presidencial Marine One, que transportava Donald Trump, e um avião comercial fabricado pela brasileira Embraer.
O órgão norte-americano também notificou o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Força Aérea Brasileira, por se tratar de uma aeronave cujo projeto é de origem brasileira.
O caso aconteceu nas proximidades do Aeroporto Nacional Ronald Reagan, quando o avião comercial se preparava para decolar.
O jato era um Embraer E-170 operado pela Envoy Air, companhia que presta serviços regionais para a American Airlines.
Segundo informações preliminares do NTSB, Marine One e o avião comercial chegaram a ficar separados por cerca de 0,94 milha lateralmente, aproximadamente 1,5 quilômetro, e 700 pés de distância vertical, pouco mais de 200 metros.
A distância ficou abaixo dos parâmetros de separação exigidos para aquele espaço aéreo.
A investigação aponta que uma falha de comunicação contribuiu para o episódio.
A tripulação do Marine One precisava avisar a torre de controle com pelo menos três minutos de antecedência antes da decolagem, permitindo a interrupção temporária das operações comerciais que pudessem entrar em conflito com a rota presidencial.
O aviso, porém, não chegou adequadamente aos controladores.
De acordo com o relatório preliminar, a equipe do helicóptero tentou estabelecer comunicação por diferentes meios, mas enfrentou problemas de transmissão e recepção.
Um dos fatores identificados foi a mudança temporária do ponto de operação do Marine One.
Por causa das obras realizadas na Casa Branca, as operações do helicóptero presidencial foram deslocadas do gramado sul para a região do Ellipse.
A alteração afetou a comunicação por rádio com a torre do aeroporto.
Com a comunicação comprometida, o tráfego comercial continuou operando enquanto o helicóptero presidencial se preparava para seguir seu trajeto.
O avião da Envoy Air chegou a receber alertas do sistema de prevenção de colisões durante a aproximação.
Apesar da perda momentânea de separação, não houve colisão, danos ou feridos.
A Casa Branca informou que Trump não esteve em perigo durante o episódio. As duas aeronaves prosseguiram com seus respectivos voos.
O episódio ocorre em uma região que passou por mudanças importantes nas regras de tráfego aéreo depois da colisão fatal registrada em janeiro de 2025, também nas proximidades do Aeroporto Reagan.
Desde então, foram adotadas restrições adicionais para impedir que determinadas operações de helicópteros e aeronaves comerciais ocupem simultaneamente áreas consideradas de conflito.
A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) também passou a adotar medidas corretivas após o incidente de agosto.
Entre elas está a mudança da localização de uma antena utilizada nas comunicações e alterações nos procedimentos operacionais para reduzir o risco de novos problemas de comunicação.
O NTSB continua apurando as circunstâncias que levaram à perda de separação entre as aeronaves.
O Cenipa foi comunicado pela autoridade norte-americana em razão da participação brasileira no caso, já que o avião envolvido foi projetado pela Embraer.
A investigação deverá analisar os procedimentos adotados pela tripulação do Marine One, a atuação do controle de tráfego aéreo, as condições de comunicação e os efeitos provocados pela mudança temporária do local de operação do helicóptero presidencial.



