AMANDA KAROLYNE, DÉBORA OLIVEIRA, OLAVO DAVID E THAMIRES PINHEIRO
redacao@grupojbr.com
A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão para os candidatos ao Governo do Distrito Federal começa nesta sexta-feira (28), dando início a uma nova etapa da disputa pelo Palácio do Buriti. Os programas destinados aos candidatos ao governo serão exibidos às segundas, quartas e sextas-feiras, em blocos de nove minutos do primeiro turno, que poderão ser exibidos até 1º de outubro.
A maior fatia ficará com a coligação Propósito e Ação, da governadora Celina Leão, que terá 5 minutos e 11 segundos por programa, o equivalente a 57% do tempo disponível. A vantagem é resultado da representação parlamentar da aliança, que reúne Republicanos, MDB, Podemos, PL, a federação PRD/Solidariedade e a federação União Brasil/PP. Juntas, as legendas somam 316 representantes considerados no cálculo da Justiça Eleitoral.
Na sequência aparece a coligação DF do Povo, do candidato Leandro Grass (PT), com 1 minuto e 57 segundos por programa. A aliança reúne 112 representantes, considerando o PSD, a federação PT/PCdoB/PV e a federação PSOL/Rede.
O terceiro maior tempo é da coligação Resgatar Brasília, encabeçada por José Roberto Arruda (PSD), com 57 segundos. Formada por PSD e Avante, a aliança possui 91 representantes. Paula Belmonte, da Federação PSDB-Cidadania, terá 27 segundos, enquanto Ricardo Capelli, do PSB, ficará com 25 segundos.
A distribuição combina uma parcela mínima igualitária destinada às legendas com outra parte calculada proporcionalmente à representação de cada partido, federação ou coligação. Ao todo, são considerados 510 representantes para a definição do espaço destinado às candidaturas.
Além dos programas em bloco, os candidatos terão direito a inserções de 30 segundos espalhadas pela programação das emissoras. A Justiça Eleitoral prevê 978 inserções distribuídas inicialmente, número que chega a 980 com a divisão das sobras de tempo.
A coligação de Celina Leão também lidera nesse formato, com 566 inserções. O volume corresponde a 8 minutos e 5 segundos de exposição diária e a 283 minutos e 2 segundos ao longo da campanha.
A coligação DF do Povo terá 213 inserções, equivalentes a 3 minutos e 2 segundos por dia. Já a aliança Resgatar Brasília contará inicialmente com 104 inserções e ganhou uma unidade adicional após a distribuição do tempo residual, chegando a 105.
A Federação PSDB-Cidadania terá 50 inserções na divisão inicial e recebeu mais uma após o cálculo das sobras. O PSB, de Ricardo Capelli, ficará com 45 inserções.
A diferença entre os números decorre da necessidade de converter o tempo total de propaganda em blocos inteiros de 30 segundos. Quando há segundos restantes que não permitem formar uma nova inserção, o chamado tempo de sobra é redistribuído conforme os critérios estabelecidos pela Justiça Eleitoral.
TRE-DF reforça regras para a propaganda
Com o início da propaganda eleitoral, o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) também detalha as regras que devem ser observadas por candidatos, partidos, federações, coligações e emissoras durante a campanha.
Entre as normas está a exigência de transparência na divulgação de pesquisas eleitorais durante o horário gratuito. Quando uma pesquisa for apresentada, deverão ser informados de forma clara o período em que o levantamento foi realizado e a respectiva margem de erro. Não é obrigatória a menção aos demais concorrentes, desde que a forma de apresentação dos resultados não induza o eleitor a uma interpretação equivocada sobre o desempenho do candidato em relação aos adversários.
A legislação também permite a veiculação de entrevistas com candidatos em cenas externas que mostrem realizações ou eventuais falhas administrativas, além de atos parlamentares e debates legislativos.
As emissoras, por sua vez, devem conservar as gravações da propaganda eleitoral por períodos determinados pela legislação. Para emissoras de até 1 kW, o material deve ser mantido por 20 dias após a transmissão. Nas demais emissoras, o prazo é de 30 dias.
O TRE-DF destaca ainda que é proibida a divulgação de propaganda eleitoral paga no rádio e na televisão. Candidatos, partidos políticos, federações e coligações podem ser responsabilizados pelo conteúdo divulgado. Também não é permitida a utilização comercial da propaganda eleitoral ou qualquer ação, ainda que disfarçada ou subliminar, destinada à promoção de marcas ou produtos.
Outra restrição envolve a participação de candidaturas majoritárias e proporcionais nos respectivos horários eleitorais. Partidos e coligações não podem utilizar o espaço destinado às eleições proporcionais para promover esse outro tipo de candidatura, nem fazer o contrário. A legislação, no entanto, permite referência ao nome ou número das candidaturas majoritárias, com ou sem a utilização de fotografias e cartazes.
Conteúdos que possam degradar ou ridicularizar candidatos também estão proibidos. Em caso de infração, o partido, a federação ou a coligação responsável pode perder o direito de veicular propaganda no horário eleitoral gratuito do dia seguinte à decisão que reconhecer a irregularidade.
As orientações integram a Cartilha de Propaganda Eleitoral – Eleições 2026, elaborada pelo TRE-DF por meio da Coordenação de Organização e Fiscalização de Propaganda Eleitoral (COFPE). O material reúne as principais regras previstas na legislação eleitoral e nas resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com orientações sobre as condutas permitidas e proibidas durante a campanha.
A COFPE é coordenada pelos juízes Ana Cláudia de Oliveira Costa Barreto, Geilza Fátima Cavalcanti Diniz e Vitor Feltrim Barbosa. O TRE-DF recomenda que candidatos, partidos, federações, coligações, profissionais da comunicação, advogados e fiscais consultem a cartilha antes da realização de atos de campanha.
Celina Leão (PP)
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), que lidera a corrida às urnas para o Palácio do Buriti com 34% das intenções de voto, de acordo com a pesquisa eleitoral mais recente, feita pela Quaest, vai usar seu tempo na TV e no rádio para evidenciar que conhece o DF e a realidade da população. A governadora é a candidata que representa a coligação Propósito e Ação, que reúne Republicanos, MDB, Podemos, Solidariedade, União Brasil, PP e PL. A chapa terá o maior espaço na propaganda partidária entre os nomes da disputa, somando 5 minutos e 11 segundos em cada bloco e 566 inserções ao longo do primeiro turno.
Celina tem visitado as regiões administrativas do Distrito Federal desde o início da campanha eleitoral, focada em conversar com a população em feiras, centros comerciais e ruas das cidades. Em todos os compromissos à frente do governo e como candidata à reeleição, ela tem defendido o contato corpo a corpo com o eleitorado para dialogar diretamente com os moradores do DF.
Segundo a coordenadora de campanha de Celina, Giselle Ferreira, a candidata vai revelar sua história de vida e sua trajetória política de mais de 20 anos em defesa do Distrito Federal. “Vai mostrar, também, o que já realizou nesses quatro meses à frente do Governo.” O material, que vai ao ar a partir desta sexta-feira, foi gravado para destacar que Celina conhece o DF. “Ela entende a realidade da nossa população e tem experiência para governar.”
Como Giselle contou para a equipe de reportagem do Jornal de Brasília, a campanha nas rádios e TVs terá o mesmo estilo que a governadora tem adotado em suas caminhadas pelo DF. “A campanha será como a própria Celina: verdadeira, pé no chão, próxima das pessoas e cheia de energia”, afirmou.
José Roberto Arruda (PSD)
A campanha de José Roberto Arruda (PSD) é quase uma volta no tempo. Por estar há 16 anos fora do cenário eleitoral – seu último pleito foi em 2006 -, o ex-governador tem passeado pelo DF com carreatas sob o mote “estou de volta”. É a forma do pessedista fazer o que muitos falam que ele sabe fazer de melhor: corpo a corpo com o eleitorado. Com a chegada do horário eleitoral, ele entende que “é uma batalha de Davi contra Golias”, pois tem quatro minutos a menos do tempo amealhado pela atual governadora Celina Leão (PP) por meio das alianças partidárias.
Ao Jornal de Brasília, Arruda não considera que seja “questão de moda antiga ou nova”, mas de “gostar de gente”. “Eu boto fé mesmo no corpo a corpo, na sola do sapato. Quando você vai nas cidades é que você sente os problemas reais da cidade, é isso que modela nosso discurso, a nossa proposta”, comenta. Nos programas, gravados na última semana, ele foca em atrelar a Celina a responsabilidade pela “quebra do BRB”, o que ele classifica como “o mais escândalo da história de Brasília”.
Nos roteiros, também estão mescladas a ideia de que Brasília “precisa de mudança”, ainda que Arruda se apresente como alguém “com legado”, que já passou pelo GDF e entregou obras que ele considera fundamentais, como a ampliação da EPTG, o metrô em Ceilândia e a construção de hospitais. “Eu tenho legado (…), eu tenho experiência. Claro que os problemas de Brasília mudaram, a gente também tem que mudar, mas eu já demonstrei que sei fazer”, diz ao JBr.
Mudanças
Para o sociólogo e marqueteiro político Marcelo Senise, a TV não perdeu relevância, como alguns tendem a repetir, mas “passou a ter outra função”. “Na rede social você fala com quem já te descobriu, a TV permite essa descoberta”, pondera. “Tem que saber utilizar uma para retroalimentar a outra. Tempo de televisão sozinho não ganha eleição, mas negligenciar a televisão pode custar uma eleição”, pontua o presidente do Instituto de Regulação da Inteligência Artificial (Iria).
Senise ainda pontua que Arruda, assim como o presidente Lula (PT), têm as características ideais para furar as “bolhas” criadas pelas redes sociais, onde, em geral, só chega à tela “o que você quer ver”. “No caso específico do Arruda, ele conseguiu e vem conseguindo romper a bolha justamente nesse trato de apertar de mão, de fazer o trabalho de rua. Eu acredito muito nessa questão híbrida, de conciliar o real com o virtual”, completa.
Leandro Grass (PT)
Nos bastidores das filmagens da campanha para TV e rádio, Leandro Grass (PT) tem levado para os programas temas que já fazem parte da sua rotina pelas regiões do Distrito Federal. O candidato combina problemas vividos pela população com as soluções que pretende trazer para cada um deles e busca uma linguagem mais próxima do eleitor, com falas que possam ser compreendidas por quem acompanha, sem o tom formal de um discurso que pareça distante da realidade de quem escuta.
Um dos exemplos foi a cena acompanhada pelo JBr no Hospital Regional de Taguatinga. No local, Grass aborda a situação da saúde pública do DF e faz críticas à atual gestão e ao que considera abandono de hospitais, como o HRT. A estratégia é levar as filmagens para locais que, na avaliação da equipe, representam problemas que precisam de atenção em uma nova gestão, passando por temas como saúde, educação, segurança e comércio.
Na distribuição do tempo da propaganda eleitoral gratuita feita pela Justiça Eleitoral, Leandro terá 1 minuto e 57 segundos no rádio e na televisão para expor as propostas.
Durante o acompanhamento das gravações, Grass também participou dos ajustes feitos pela equipe. O candidato buscou que a fala fosse trazida de forma mais natural e humanizada, evitando que o conteúdo ficasse com um tom excessivamente formal ou ensaiado. A preocupação com a linguagem acompanha uma campanha que tem buscado apresentar os problemas do DF junto às propostas para cada área.
A escolha dos locais de gravação segue a mesma linha. Em vez de concentrar todo o material no estúdio, a equipe utiliza espaços que tenham relação com os temas abordados e que, segundo Grass, precisam de melhorias.
Os programas também devem trazer propostas para outras áreas do governo. A intenção é aproveitar o espaço eleitoral para organizar o discurso que o candidato vem apresentando durante caminhadas, panfletagens, encontros com categorias profissionais e visitas às regiões administrativas.
Paula Belmonte (PSDB)
Com menos de 30 segundos disponíveis no horário eleitoral gratuito, Paula Belmonte (PSDB) pretende transformar o pouco tempo de rádio e televisão em uma vitrine para ampliar sua presença na campanha ao Governo do Distrito Federal.
A estratégia da candidata será apostar em mensagens rápidas, com foco na apresentação de sua trajetória, no convite para que os eleitores a conheçam pelas redes sociais e na divulgação de propostas.
A campanha também deve utilizar os programas para destacar apoios políticos à candidatura, entre eles o do ex-senador Reguffe. A ideia é aproveitar cada segundo para reforçar a imagem de Paula e direcionar o público para os canais digitais, onde poderá apresentar de forma mais detalhada suas propostas.
Entre as principais bandeiras da candidata estão o combate à corrupção e a transparência na administração pública, com a promessa de uma auditoria na máquina do Governo do Distrito Federal e no Inas-DF. Paula também defende a redução do número de secretarias e a criação de um gabinete específico para combater irregularidades.
Na saúde, a candidata propõe ampliar o número de profissionais e implementar cirurgias robóticas pelo SUS. Educação, primeira infância, geração de empregos, fortalecimento do comércio local e aumento do efetivo das forças de segurança também estão entre os temas que devem aparecer na campanha.


