O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma nova elevação das tarifas sobre produtos canadenses, ampliando a disputa comercial entre Washington e Ottawa.
A partir de 1º de janeiro de 2027, automóveis, caminhões, autopeças e produtos de aço fabricados no Canadá poderão enfrentar tarifas de até 50% para entrar no mercado americano.
A decisão ocorre após os dois governos não conseguirem concluir um acordo para reorganizar as relações comerciais.
As negociações terminaram sem consenso na sexta-feira (21), depois de os Estados Unidos já terem colocado em vigor uma tarifa de 50% sobre aproximadamente US$20 bilhões em produtos canadenses.
A primeira rodada da nova tributação alcança mais de 550 produtos, incluindo mel, cosméticos, bebidas, tecidos, eletrônicos e tacos de hóquei.
O conjunto corresponde a cerca de 5% das exportações canadenses destinadas aos Estados Unidos.
Trump justificou a ofensiva com críticas a práticas comerciais do Canadá que, segundo seu governo, prejudicam empresas americanas.
Entre os setores citados estão agricultura, bebidas alcoólicas, laticínios e indústria automotiva.
O setor de veículos passou a ocupar o centro da disputa. Trump afirmou que pretende aplicar a tarifa de 50% sobre carros, caminhões e autopeças canadenses a partir de 2027.
A medida atinge uma cadeia industrial integrada, na qual peças e componentes atravessam a fronteira entre os dois países antes da montagem dos veículos.
O aço também está entre os produtos atingidos pela escalada.
A estratégia de Trump é elevar o custo de entrada de produtos estrangeiros nos Estados Unidos e estimular a produção doméstica.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, anunciou medidas de retaliação.
O governo do Canadá pretende aplicar tarifas equivalentes sobre produtos americanos a partir de 8 de setembro, atingindo setores como aço, eletrônicos e equipamentos agrícolas.
A disputa coloca sob pressão uma das relações comerciais mais integradas do mundo.
Estados Unidos e Canadá movimentam centenas de bilhões de dólares em comércio anualmente, com cadeias produtivas compartilhadas principalmente nos setores automotivo, siderúrgico, energético e agrícola.
Apesar da escalada, novas negociações ainda podem ocorrer.
A ameaça de tarifas maiores para 2027 estabelece um novo prazo para que Washington e Ottawa busquem um acordo antes da entrada em vigor das alíquotas sobre veículos, autopeças e aço.

