O mercado de imóveis chinês voltou a apresentar resultados negativos em julho, com queda nos preços, nos investimentos e no ritmo de novas construções.
Os dados oficiais divulgados nesta segunda-feira (17) reforçam a dificuldade de Pequim em recuperar um dos principais segmentos da economia.
Os preços dos imóveis novos nas 70 principais cidades chinesas recuaram 0,1% em julho na comparação com junho.
No acumulado de 12 meses, a queda foi de 3,2%, após retração de 3,3% registrada em junho.
Dos 70 municípios acompanhados pelo Escritório Nacional de Estatísticas da China, apenas 17 apresentaram aumento mensal nos preços.
O desempenho também foi desigual entre as maiores cidades.
Nas chamadas cidades de primeira linha, os preços dos imóveis novos ficaram estáveis em julho, depois de uma alta de 0,1% em junho.
Nos centros de segunda linha, houve queda de 0,1%, enquanto os municípios de terceira linha registraram recuo de 0,3%.
No mercado de imóveis usados, as maiores cidades tiveram desempenho um pouco melhor.
Os preços avançaram 0,2% em julho nas cidades de primeira linha, mas o ritmo foi inferior ao crescimento de 0,3% observado em junho. Nas cidades menores, os valores continuaram em queda.
A deterioração fica ainda mais evidente nos indicadores de atividade.
O investimento em desenvolvimento imobiliário caiu 19,2% entre janeiro e julho, na comparação com o mesmo período de 2025.
No primeiro semestre, a retração havia sido de 18%.
O início de novas construções também se reduziu, com queda de 24% nos sete primeiros meses do ano, ante recuo de 23,4% até junho.
As vendas também continuam pressionadas.
Em valor, as vendas de imóveis recuaram 13,2% entre janeiro e julho, embora a queda tenha sido ligeiramente menor que a registrada no primeiro semestre, de 13,7%.
O comportamento mostra que a redução dos preços ainda não foi suficiente para produzir uma retomada consistente da demanda em todo o país.
A crise imobiliária tem impacto direto sobre a atividade doméstica chinesa.
A fraqueza das vendas e a desvalorização dos imóveis reduzem o ritmo de investimentos e afetam o consumo, enquanto setores ligados à construção também enfrentam menor demanda.
O resultado ocorre em um momento em que outros indicadores da economia chinesa começaram a perder velocidade.
O Produto Interno Bruto chinês cresceu 4,3% no segundo trimestre, no ritmo mais baixo em mais de três anos.
Em julho, a produção industrial avançou 4,5% em relação ao mesmo mês de 2025, abaixo dos 5,3% registrados em junho, enquanto as vendas no varejo cresceram apenas 0,6%.
O governo chinês vem adotando medidas direcionadas para tentar estimular o mercado.
Pequim, por exemplo, flexibilizou no início de agosto algumas restrições à compra de imóveis e ampliou as possibilidades de financiamento por meio do sistema de fundo habitacional.
As medidas, porém, ainda não produziram uma recuperação nacional do setor.
O cenário reforça a diferença entre os grandes centros urbanos e cidades menores.
Enquanto algumas das principais cidades chinesas apresentam sinais pontuais de estabilização, boa parte do mercado continua enfrentando queda de preços, excesso de imóveis disponíveis e redução da atividade de construção.
Os dados oficiais mais recentes indicam que o setor ainda permanece em processo de ajuste.


