Em entrevista à CNN Brasil, nesta segunda-feira (17/8), a governadora e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), fez um balanço dos primeiros meses à frente do Governo do Distrito Federal e apresentou propostas para um eventual segundo mandato. Primeira entrevistada da série do canal com os candidatos ao Palácio do Buriti, Celina falou sobre a crise do BRB, saúde, educação, segurança pública, população em situação de rua e sua relação com o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB).
Um dos principais assuntos foi a situação do Banco de Brasília (BRB), que enfrenta dificuldades após a operação envolvendo o Banco Master. Celina afirmou que a instituição continua sólida e cumprindo seus compromissos, mas precisa de uma oportunidade para superar a crise.
“O BRB é um banco sólido, é um banco que se mantém de pé, pagando todas as dívidas em dia, e o que o BRB precisa é de uma oportunidade”, afirmou.
A governadora também assumiu a responsabilidade pela condução do processo após assumir definitivamente o Executivo local.
“Como governadora que hoje sou, herdei um problema que eu tenho que ter responsabilidade de resolvê-lo. O que recai sobre mim hoje, é a responsabilidade de salvar o banco e é isso que eu tenho feito”, disse.
Apoio federal
Celina defendeu a participação do governo federal na construção de uma saída para o BRB, mas afirmou que eventual apoio não deve ser tratado como caridade. Segundo ela, a distância política entre as administrações federal e distrital dificulta as negociações.
A governadora também citou a atuação do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, no caso. Segundo Celina, a determinação para apresentação de documentos ajudou a avançar as tratativas envolvendo o banco.
Distância de Ibaneis
A relação com Ibaneis Rocha também foi tema da entrevista. Vice-governadora durante os dois mandatos de Ibaneis, Celina assumiu o GDF após a saída dele e disputou a reeleição com o apoio do MDB.
Apesar da aliança, a governadora reforçou que possui trajetória própria e não pretende assumir responsabilidades por decisões que não foram tomadas por ela.
“Eu fui vice do Ibaneis, eu não fui governadora do Ibaneis”, afirmou.
Celina disse ainda que não é obrigada a assumir erros de outras pessoas, embora reconheça avanços da gestão anterior, principalmente na infraestrutura. “Eu não sou obrigada a assumir o erro de ninguém”, disse.
Saúde e educação
Na avaliação de Celina, a saúde deve continuar entre as principais prioridades do governo. Ela citou a ampliação do atendimento e a contratação de profissionais, além do acompanhamento das cirurgias realizadas pela rede pública.
“A saúde começa na UBS ao lado dessa casa. A urgência e emergência são nas nossas UPAs”, afirmou.
Na educação, a governadora reconheceu que o Distrito Federal precisa melhorar os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
“Eu não tenho dúvida que eu tenho os melhores profissionais do Brasil, que a gente tem a melhor rede pública do Brasil”, disse. “Aquilo que a gente precisa melhorar, que é no Ideb, a gente vai melhorar.”
População em situação de rua e segurança
Celina também defendeu as medidas adotadas pelo governo para atender a população em situação de rua. Ela destacou a legislação que estabelece regras para acolhimento e atendimento e afirmou que o problema precisa ser enfrentado com ações concretas.
“Nós somos o primeiro estado que tem isso legislado”, afirmou.
Crítica a Arruda
Ao comentar a disputa eleitoral, Celina criticou o ex-governador José Roberto Arruda e a antiga ideia de justificar irregularidades por resultados administrativos. “Brasília mudou, a cidade mudou”, afirmou. Para ela, a política local precisa superar a lógica do “rouba mas faz”.


