A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, prometeu, na quarta-feira (15/7), rigor nas investigações sobre as mortes de duas gestantes no Hospital Regional de Samambaia (HRSam), ocorridas em um intervalo de quatro dias, e de um homem na porta do Hospital de Base. Após visitas técnicas a obras no Itapoã, a chefe do Executivo enfatizou que não tolerará falta de atendimento ou desumanidade na rede pública.
Ao lado do secretário de Saúde, Juracy Cavalcante Lacerda Júnior, a governadora detalhou as providências adotadas pela pasta e expressou solidariedade às famílias. Celina explicou que, além de reforçar as diretorias e chefias com foco na humanização, o GDF estuda a atualização dos protocolos de atendimento no pré-natal.
“Chamamos várias reuniões. O secretário, inclusive ontem, chamou toda a equipe, porque a gente não vai tolerar esse tipo de atendimento nos nossos hospitais. Estamos reforçando as nossas diretorias, as nossas chefias, trabalhando muito na humanização. Há também uma previsão de mudar o protocolo do atendimento pré-natal. Isso também está sendo feito pelas equipes e eu tenho certeza de que a gente precisa realmente melhorar”, afirmou.

Em uma mensagem de tolerância zero, a governadora reforçou que o desrespeito aos pacientes não será admitido. “Não vamos tolerar a falta de atendimento, a falta de humanidade ou a naturalização do sofrimento das pessoas”, enfatizou.
Ao prestar solidariedade às famílias, Celina assegurou ainda que sua gestão adota uma postura de enfrentamento, sem esconder problemas. “Precisamos melhorar. Nossa solidariedade às famílias. Sou uma governadora que encara as dificuldades. A diferença da nossa gestão é não esconder o problema e tomar providência”.
Sobre a transparência das investigações, a governadora revelou que a rede pública é totalmente monitorada e que todas as imagens do HRSam já foram compartilhadas com as autoridades policiais e com as famílias.
“Hoje, nós estamos 100% com a nossa saúde monitorada. Não tem como falar o que não aconteceu. Está lá nas câmeras e a gente está abrindo essas câmeras para todos os familiares, para a polícia também, e apurando. Não vamos passar a mão na cabeça de ninguém”, declarou.
Por fim, Celina reconheceu o sucateamento da rede e anunciou a meta de convocar 508 novos profissionais, entre médicos generalistas e especialistas, como oncologistas e ginecologistas. A governadora explicou que a recomposição do quadro enfrenta desafios, uma vez que certames recentes não foram suficientes para preencher todas as vagas.
“Não é algo da noite para o dia. No último concurso que nós fizemos, com o cancelamento do show de Brasília, nós não conseguimos prover todas as vagas. Só 34 tomaram posse, eram 114 vagas”, lamentou Celina.
Mortes
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investiga duas mortes recentes ocorridas na rede pública de saúde. O primeiro caso é o de Maria Graciana Andrade Alves, de 36 anos, que faleceu na última sexta-feira (10/7) durante o trabalho de parto no Hospital Regional de Samambaia (HRSam). Segundo familiares, a paciente, que estava com 41 semanas de gestação, passou horas em procedimento de parto normal. A filha sobreviveu e permanece internada na UTI da unidade.
No mesmo hospital, Maria Aparecida Galdino dos Santos, de 25 anos, faleceu na segunda-feira (13/7) após dar à luz. De acordo com parentes, a jovem buscou atendimento no domingo (12) e teria solicitado uma cesariana, que não foi realizada pela equipe médica.
Já um terceiro caso envolve Rodrigo Resende Prado, de 46 anos, que morreu no domingo (12) após sofrer um mal súbito na porta do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), enquanto aguardava atendimento.



