Comunidade aponta necessidade de mais segurança para o Lago Norte

Às margens do Lago Paranoá, uma associação comunitária que surgiu no Lago Norte procura entender as principais demandas para o desenvolvimento da Região Administrativa. No dia 27 de junho, a Agremiação Pró-Desenvolvimento às Margens da Estrada Parque Paranoá, ou simplesmente Agremiação Pró-EPPR, promoveu um encontro para reafirmar esse compromisso com a cidade. Entre alguns dos temas debatidos estavam a segurança pública, a mobilidade e planejamento urbanos e a preservação ambiental.

A Agremiação Pró-EPPR é o resultado de um trabalho comunitário que teve início há alguns anos visando a segurança dos moradores. O projeto evoluiu para buscar o desenvolvimento socioeconômico do Lago Norte. Um dos membros é Aldo Zagonel, que conduziu o encontro entre os moradores da região, lideranças comunitárias e figuras que atuam na cidade. Entre os convidados da reunião, que aconteceu no Patu Anu, estava o ex-administrador regional do Lago Norte, Marcelo Trator.

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Foto: Luiz Rodrigues/Especial para o Jornal de Brasília

Aldo, que mora no Setor de Mansões em uma propriedade que pertence à família desde 1980, colabora com as pautas da população local há pelo menos 10 anos. O morador do Lago Norte tem se articulado junto a associações de moradores a respeito das principais demandas da comunidade.

A integração das diferentes regiões do Lago Norte, de acordo com a associação, é essencial para o desenvolvimento adequado da cidade, especialmente no combate a um dos principais problemas da região: a grilagem e a ocupação irregular de terras.

Como mostrou o Jornal de Brasília em reportagens no mês de maio – e em matérias ao longo dos últimos quatro anos –, o crescimento urbano desordenado e a grilagem têm se tornado problemas recorrentes na região, ameaçando principalmente áreas de preservação ambiental e mananciais.

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Foto: Luiz Rodrigues/Especial para o Jornal de Brasília

Com essa e outras preocupações, os moradores da RA têm procurado alternativas junto ao poder público para a evolução socioeconômica. Para o advogado Ricardo Marques, morador do Setor de Mansões do Lago Norte há mais de três décadas, a cidade tem um perfil singular, reconhecida pela elevada qualidade de vida, forte participação comunitária e relevante contribuição econômica e social para o Distrito Federal. “O Lago Norte possui identidade própria, demandas específicas e uma população altamente participativa”, comentou.

Ao longo do encontro, os moradores apresentaram sugestões, críticas e propostas voltadas à melhoria dos serviços públicos e ao planejamento do crescimento urbano, com ênfase na importância da participação popular na formulação de políticas públicas. As demandas se concentraram principalmente na segurança pública, na mobilidade urbana e no meio ambiente.

Questão ambiental

A região da Serrinha do Paranoá, cuja grande extensão está localizada no Lago Norte, tem sofrido com parcelamentos irregulares de terra e grilagem. 

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Foto: Luiz Rodrigues/Especial para o Jornal de Brasília

Na região do Núcleo Rural Capoeira do Bálsamo o problema é recorrente, com moradias irregulares chegando próximo da Área de Proteção de Mananciais (APM) Taquari. Desde 2023, a Secretaria de Estado de Proteção da Ordem Urbanística do Distrito Federal (DF Legal) já realizou 11 operações de derrubadas na região para coibir a atividade ilegal.

Para a comunidade do Lago Norte, essa é uma questão central para a RA. Entre os pedidos, o “aproveitamento pleno, com sustentabilidade, desta região, solucionando as ocupações e fracionamentos irregulares, coibindo invasões, executando redes pluviais, implantando bacias de acumulação para amortecer a força das enxurradas e redes de saneamento básico onde necessário”, conforme pontuou Aldo, são alguns deles. Além disso, os moradores também querem a implantação de projetos comerciais e habitacionais com critérios e urbanização adequados.

“A nossa agremiação pretende reunir os diferentes segmentos às margens da EPPR – habitacional, rural, comercial e de serviços – na discussão e no planejamento urbano e ambiental, transversal (sistêmico), de médio e longo prazos, visando o desenvolvimento socioeconômico, sustentável, criterioso, legal e ordenado, às margens da EPPR, e na divisa com as RAs adjacentes ao Lago Norte”, completou Aldo.

Segurança pública e no trânsito

A comunidade também defendeu políticas de segurança que abrangem desde o policiamento interno e às margens do Lago Paranoá, como a manutenção e o aprimoramento dos Conselhos de Segurança Comunitários.

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Foto: Luiz Rodrigues/Especial para o Jornal de Brasília

“A preocupação com a segurança pública vem do fato de que aqui nós não somos atendidos pela Polícia Militar do Lago Norte. Nós somos atendidos pela Polícia Militar do Paranoá. Então, nós queremos ser atendidos pela Polícia Militar do Lago Norte, e estamos em vias de conseguir isso”, afirma Aldo.

Ele diz que os lotes de ML também são vulneráveis pelo lago. “Então, a nossa preocupação da segurança vem não só do risco da rua, mas do risco que vem do lago. Então, segurança é sempre a maior preocupação de todos aqui”, disse Aldo.

Além disso, os moradores também cobram pela implantação das pontes que ligam o Plano Piloto ao Lago Norte e a duplicação da EPPR. Segundo eles, isso traria não só benefícios para a RA, mas para toda a região nordeste do DF.

Administração diz estar atenta às demandas

Em nota ao JBr, a Administração Regional do Lago Norte informou que já recebeu em diversas oportunidades representantes da agremiação para tratar demandas relacionadas à infraestrutura, segurança pública e demais melhorias de interesse da sociedade.

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Foto: Luiz Rodrigues/Especial para o Jornal de Brasília

“No que se refere à segurança pública, a pauta é frequentemente apresentada nas reuniões do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg). Contudo, cumpre esclarecer que a administração não detém competência legal ou técnica para atuar diretamente nessa área. No entanto, desempenha papel de interlocutora entre a população da região e os órgãos de segurança pública competentes, encaminhando as demandas e acompanhando os desdobramentos sempre que necessário”, pontuou em nota.

Sobre as questões ambientais, afirmou que todas as denúncias e os supostos casos de grilagem de terras e de danos ao meio ambiente que chegam ao conhecimento da administração são prontamente encaminhados aos órgãos competentes para apuração e adoção das medidas cabíveis. 

“A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) informa que as polícias Civil e Militar atuam de forma integrada, no âmbito de suas respectivas competências, no enfrentamento à grilagem de terras e a outros crimes correlatos, por meio de ações de investigação e de policiamento ostensivo. Ambas as corporações contam com unidades especializadas na prevenção e repressão a crimes ambientais”, completou.

A reportagem também questionou a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Habitação do DF (Seduh) sobre o processo de urbanização e regularização fundiária na região, mas não obteve retorno até o fechamento da edição.

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