O desaparecimento de uma encomenda contendo álbuns personalizados de 22 crianças, com idades entre 6 e 7 anos, tem mobilizado famílias do Distrito Federal há uma semana. Mais do que o prejuízo financeiro estimado em cerca de R$ 1,5 mil, os pais relatam preocupação com a possível exposição de fotografias e dados pessoais dos alunos, que estavam reunidos no material desaparecido.
Os álbuns foram produzidos como uma homenagem à Copa do Mundo. A iniciativa partiu da advogada Vanessa Carvalho, mãe de uma das crianças. Segundo ela, a ideia surgiu após conhecer um projeto semelhante realizado durante o Mundial do Catar, em 2022. “Achei a proposta muito interessante e resolvi adaptá-la para as nossas crianças”, conta.
Cada álbum continha fotografias dos alunos, nome completo e data de nascimento, além de informações utilizadas para personalizar o material. A encomenda foi entregue a um motorista vinculado à Uber no dia 16 de junho, mas nunca chegou ao destino final.
Vanessa afirma que a principal preocupação das famílias não está relacionada ao valor dos álbuns. “O que mais me preocupa é a possibilidade de exposição das imagens e dos dados das crianças, em razão da vulnerabilidade delas. A perda material dos álbuns é secundária diante do risco de uso indevido dessas informações por terceiros”, relata.
O desaparecimento também afetou emocionalmente as crianças. O filho da advogada, de apenas 6 anos, demonstrou frustração ao descobrir que não receberia o álbum. “Mãe, como alguém pode pegar algo que só serve para nós? É pessoal, tem a minha foto e a dos meus amigos”, questionou o menino, segundo relato da mãe.
As famílias registraram ocorrência na Polícia Civil do Distrito Federal e aguardam o andamento das investigações. Até o fechamento desta reportagem, a corporação não havia se manifestado sobre o caso.
Enquanto isso, Vanessa atua como porta-voz dos pais envolvidos e acompanha as tentativas de localizar o material. “Todos os pais estão acompanhando a situação e aguardam um posicionamento da plataforma contratada para realizar o transporte, bem como o andamento das apurações pelas autoridades competentes”, afirma.
Além do registro policial, a ocorrência também foi comunicada à Uber e ao portal Reclame Aqui. Segundo a advogada, até o momento não houve esclarecimentos capazes de indicar o paradeiro da encomenda.
Procurada pela reportagem, a Uber informou que o motorista afirmou ter tido problemas com o celular durante o trajeto.
De acordo com a empresa, o aparelho teria entrado em processo de atualização durante a corrida, o que provocou o cancelamento da viagem. A Uber informou ainda que o motorista se dispôs a concluir a entrega e forneceu seu número de telefone para ser compartilhado com o solicitante. Posteriormente, segundo a plataforma, a pessoa responsável pela solicitação localizou o motorista por meio do Instagram e ambos passaram a se comunicar pela rede social. “A empresa segue tentando contato com as partes e permanece a disposição para auxiliar na resolução do caso”, afirmou em nota.
Apesar de a Uber informar que disponibilizou o contato do motorista, as famílias afirmam que as tentativas de comunicação não tiveram sucesso. Após receberem o número, as mães realizaram diversas ligações, mas não obtiveram atendimento e nem retorno das tentativas de contato pelo Instagram. A reportagem também tentou contato com o motorista para ouvir sua versão dos fatos e esclarecer o paradeiro dos álbuns, porém as chamadas não foram atendidas até o fechamento desta edição.
Mesmo após sete dias do desaparecimento, o material ainda não foi localizado.
Para Vanessa, o caso levanta dúvidas sobre a segurança oferecida pelos serviços de entrega quando o conteúdo transportado envolve informações pessoais. “A ausência de mecanismos eficazes de controle, rastreabilidade e resposta diante de ocorrências como essa gera insegurança quanto à proteção dessas informações”, afirma.
As famílias esperam que o material seja recuperado e defendem uma apuração rigorosa do caso, diante da possibilidade de exposição de dados e imagens de crianças. “Existe esse receio. A ausência de retorno e de controle sobre o material aumenta a preocupação quanto à possibilidade de uso indevido dessas informações”, conclui a advogada.



