Celina determina auditoria externa na folha de pagamento do GDF após investigação sobre descontos

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), determinou a contratação de uma auditoria externa para analisar a folha de pagamento do Governo do Distrito Federal (GDF). A medida tem como objetivo investigar denúncias de possíveis irregularidades relacionadas a descontos aplicados nos contracheques de servidores ativos, aposentados e pensionistas.

Além da auditoria independente, a Secretaria de Economia deverá instaurar um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar internamente os fatos. A Procuradoria-Geral do Distrito Federal (PGDF) também foi acionada para adotar medidas que possibilitem eventual ressarcimento de valores aos servidores, caso sejam confirmadas irregularidades.

Por meio de publicação nas redes sociais, Celina Leão afirmou:

“Determinei, ja na semana passada, que o secretário de Economia, Valdivino de Oliveira, contratasse uma auditoria externa na Folha de Pagamentos do GDF para apurar denúncias de possíveis irregularidades nos descontos de salários e benefícios de servidores ativos e inativos e pensionistas do GDF.

Essa ação será concomitante à abertura de um PAD interno conduzido pela secretaria de Economia.

O objetivo é ir atrás dos recursos retirados dos servidores e pensionistas do GDF. Determinei, ainda, que a PGDF busque meios legais para garantir o ressarcimento dos recursos dos servidores públicos. O salário, as aposentadorias e pensões dos servidores do GDF são sagrados.”

Operação investiga suposto esquema

A decisão do governo foi anunciada poucos dias após o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagrar a Operação Juros Zero. A investigação apura a existência de um suposto esquema envolvendo descontos realizados diretamente na folha de pagamento de servidores públicos do DF.

Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra instituições e órgãos ligados à gestão dos descontos. Entre os alvos estão o Banco de Brasília (BRB), sua subsidiária BRB Serviços S.A., a Secretaria de Economia, o Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev-DF), o PicPay e entidades associativas relacionadas ao caso.

Descontos chamaram atenção do TCDF

A investigação teve como um dos pontos de partida uma inspeção realizada pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF). Os auditores identificaram um aumento expressivo nos valores descontados da folha de pagamento por meio de uma modalidade vinculada ao serviço oferecido pelo PicPay.

Dados levantados pelo tribunal apontam que os descontos nessa categoria somaram cerca de R$ 11,7 milhões em 2024. Já nos oito primeiros meses de 2025, o montante alcançou aproximadamente R$ 70 milhões.

Entenda o caso

Segundo relatório produzido pelo TCDF, o PicPay teria realizado cobranças relacionadas ao serviço de antecipação salarial oferecido a servidores do GDF por meio de um contrato firmado com a Secretaria de Economia em setembro de 2024.

A Corte de Contas apontou que, entre 2024 e 2025, os descontos associados à operação chegaram a R$ 81,7 milhões. Em fevereiro deste ano, o tribunal determinou a suspensão de novos descontos em folha vinculados ao serviço após identificar possíveis irregularidades na cobrança de taxas aplicadas sobre a antecipação de salários.

O relatório também aponta que o PicPay passou a ser a única instituição autorizada a efetuar descontos automáticos dessa modalidade diretamente na folha de pagamento dos servidores do Distrito Federal. O processamento das operações era realizado pela BRB Serviços, empresa controlada pelo Banco de Brasília.

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