Entenda como evitar problemas com barulho, bandeiras e salão de festas em condomínios durante a Copa

BÁRBARA SÁ
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Bandeiras nas sacadas, telões improvisados, salões de festas disputados e grupos de vizinhos reunidos para assistir aos jogos da Seleção devem mudar a rotina dos condomínios durante a Copa do Mundo.

O clima de celebração, porém, também costuma aumentar as reclamações por barulho, os conflitos pelo uso das áreas comuns, a circulação de visitantes e as preocupações com segurança.

Para Rodrigo Karpat, advogado condominial e presidente da Comissão Especial de Advocacia Condominial da OAB-SP e do Conselho Federal da OAB, e Angélica Arbex, diretora de Marketing e Estratégia da Lello Condomínios, o torneio exige planejamento dos síndicos.

Regras claras e bom senso dos moradores são necessários para que a festa não termine em atrito, multa ou risco ao condomínio.

Abaixo, entenda os principais pontos de atenção durante a Copa.

BRAULHO É A PRINCIPAL FONTE DE CONFLITO

O problema mais comum durante grandes eventos esportivos é o excesso de barulho. As comemorações, os gritos durante os jogos e as festas depois das partidas podem incomodar moradores que não participam da celebração.

Karpat afirma que, em prédios maiores, a chance de conflito aumenta justamente porque há realidades diferentes convivendo no mesmo espaço.

“Grande parte da população gosta do momento de festividade, mas sempre há pessoas em situações diferentes, como idosos, famílias com crianças pequenas ou pessoas enfermas, que não querem participar. Isso acaba gerando atrito”, diz.

TOLERÂNCIA PRECISA EXISTIR DOS DOIS LADOS

Para o advogado, eventos como Copa do Mundo, festas de fim de ano ou decisões esportivas em cidades com grande concentração de torcedores exigem uma dose maior de tolerância. Isso vale tanto para quem não quer participar da festa quanto para quem está comemorando.

Segundo Karpat, o limite está no respeito. Quem não acompanha os jogos precisa compreender que se trata de um momento excepcional para boa parte dos moradores.

Por outro lado, quem participa da comemoração deve evitar abusos que provoquem prejuízo acima do tolerável aos vizinhos.

SÍNDICOS PODEM FLEXIBILIZAR ALGUMAS REGRAS

A gestão condominial não deve ser completamente rígida em eventos excepcionais, afirma Karpat. Para ele, o síndico pode flexibilizar algumas normas de forma pontual, como permitir bandeiras, tolerar um pouco mais de barulho durante os jogos e organizar eventos coletivos em espaços adequados.

“Momentos como esse exigem algumas concessões. A gestão condominial não é estática, ela é dinâmica”, afirma.

Essa flexibilização, no entanto, não autoriza a mudança completa da rotina do prédio. O condomínio pode permitir uma festa no salão, por exemplo, mas não transformar o hall social em área de evento ou liberar espaços que não foram feitos para esse tipo de uso.

SEGURANÇA NÃO PODE SER FLEXIBILIZADA

Se algumas regras podem ser ajustadas, a segurança deve continuar como prioridade. A identificação de visitantes, o controle de acesso e os procedimentos da portaria precisam ser mantidos mesmo durante os jogos.

Arbex afirma que o aumento da circulação de pessoas exige atenção redobrada. “O ponto que não pode ser flexibilizado é a segurança. A identificação de visitantes e o controle de acesso são fundamentais para garantir a proteção de todos os moradores”, diz.

Karpat também alerta para problemas em portarias durante os jogos, quando funcionários podem se distrair acompanhando as partidas. Para ele, os condomínios devem reforçar previamente as orientações para evitar falhas na entrada e saída de moradores e visitantes.

MAIS VISITANTES AUMENTAM OS RISCOS

A Copa costuma aumentar o fluxo de convidados, familiares e amigos nos prédios. Esse movimento pode gerar problemas quando não há lista prévia de visitantes, limite de convidados ou regras claras sobre o uso dos espaços.

Karpat afirma que festividades em condomínios costumam envolver consumo de bebidas alcoólicas e pessoas sem vínculo com o prédio.

Isso aumenta o risco de discussões, algazarras, danos ao patrimônio e uso inadequado das áreas comuns.

“Nós temos mais pessoas alcoolizadas, pessoas que não têm vínculo com o prédio e que às vezes acabam utilizando as áreas comuns de forma inadequada. Isso aumenta o risco de insegurança”, afirma.

SALÕES DE FESTAS E CHURRASQUEIRAS PRECISAM DE ORGANIZAÇÃO

A disputa por salões de festas, churrasqueiras e espaços gourmet tende a crescer durante o torneio. Em alguns prédios, mais de um grupo de moradores quer reservar o mesmo espaço para assistir aos jogos, o que pode gerar atritos.

Arbex afirma que, durante a Copa, há aumento significativo nas reservas e na utilização das áreas comuns. Por isso, recomenda que síndicos definam previamente regras para reservas, horários, capacidade máxima dos ambientes e orientações de uso.

Karpat diz que a melhor saída é antecipar as regras. O condomínio pode definir número máximo de pessoas, se haverá som, se convidados serão permitidos, se haverá cobrança ou limitação de uso dos espaços e quais horários deverão ser respeitados.

EVENTOS COLETIVOS PODEM REDUZIR DISPUTAS

Alguns condomínios optam por organizar a própria programação da Copa, abrindo o salão de festas, instalando telões e reunindo os moradores em um evento único.

A medida pode reduzir disputas por reservas individuais e transformar o torneio em um momento de convivência. Mas, mesmo nesses casos, os especialistas afirmam que é preciso estabelecer regras de uso, controle de acesso e responsabilidade pela organização.

DECORAÇÃO TEM LIMITES

Bandeiras, enfeites e itens temáticos costumam ser tolerados quando instalados de forma razoável em janelas, varandas e sacadas. O problema começa quando a decoração ocupa áreas comuns sem autorização ou compromete a segurança.

Karpat afirma que, em áreas comuns, a instalação de enfeites deve ser feita pelo condomínio ou autorizada pela administração. Dentro das unidades, a tolerância costuma ser maior, mas ainda assim o morador deve observar as normas internas.

A bandeira nacional também tem regras próprias. A legislação brasileira permite sua exibição, mas o símbolo não deve ser usado rasgado, desvirtuado ou de forma desrespeitosa.

REGRAS INTERNAS CONTINUAM VALENDO

Antes de instalar bandeiras, reservar áreas comuns ou organizar festas, moradores devem consultar a convenção do condomínio, o regulamento interno, atas de assembleias e comunicados da administração.

Se houver deliberação prévia sobre o tema, ela deve ser seguida pelos condôminos. O descumprimento pode resultar em advertência, multa e exigência de retirada da instalação irregular.

COMUNICAÇÃO EVITA PROBLEMAS

A recomendação de Arbex é que os comunicados sejam enviados antes dos jogos, com orientações sobre horários, reservas, visitantes e uso das áreas comuns.

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