A Argentina se prepara para defender seu título na Copa do Mundo de 2026 em meio a um certo grau de incerteza, dividida entre investigações judiciais envolvendo o presidente da Associação do Futebol Argentino (AFA), Claudio Tapia, e os problemas físicos que afligem vários de seus astros, incluindo Lionel Messi.
Com pouco mais de uma semana para o início do Mundial, ‘Chiqui’ Tapia e o tesoureiro da AFA, Pablo Toviggino, estão sendo investigados em relação à movimentação suspeita de milhões de dólares.
O jornal argentino La Nación noticiou recentemente que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, justamente a jurisdição onde a ‘Albiceleste’ disputará seus jogos da primeira fase, iniciou investigações sobre a movimentação de contas na Flórida e em Washington, vinculadas a empresas estreitamente associadas à AFA.
Há três meses, na Argentina, um juiz acusou formalmente a própria associação – juntamente com Tapia e outros dirigentes – de evasão fiscal. Essa acusação coincidiu com alegações feitas pela entidade máxima do futebol contra o governo ultraliberal de Javier Milei, a quem acusam de orquestrar uma perseguição judicial contra eles.
A Justiça determinou a acusação formal de Tapia sob as imputações de “apropriação indevida de receitas tributárias” e “apropriação indevida de fundos da seguridade social”.
Além disso, o tribunal impôs o bloqueio de bens no valor aproximado de US$ 250 mil (cerca de R$ 1,27 milhões na cotação atual) e emitiu uma proibição de saída do país. Contudo, acabou concedendo permissão ao dirigente para que viaje com a delegação, que já desembarcou nos Estados Unidos.
– Seleção tenta manter distância –
A decisão judicial veio em resposta a uma denúncia criminal apresentada pela autoridade fiscal, que acusou a AFA e seus executivos de retenções tributárias indevidas e do não pagamento de impostos e contribuições previdenciárias, totalizando aproximadamente US$ 13 milhões (R$ 66 milhões).
Além deste caso, a poderosa entidade presidida por Tapia desde 2017 está sob investigação por lavagem de dinheiro, um caso que levou a uma operação de busca e apreensão nas instalações da organização em dezembro, para investigar suas transações com uma empresa financeira privada.
A seleção argentina tem procurado se manter alheia a todas essas situações controversas, não oferecendo nem apoio explícito aos executivos, nem qualquer justificativa para as críticas dirigidas a eles.
“Às vezes, somos um país que, em vez de se unir, muitas vezes destrói ou incita controvérsias. Somos jogadores de futebol e estamos aqui para jogar futebol. Não nos envolvemos em política e não pretendemos entender dessa esfera”, observou o meio-campista Rodrigo de Paul, um dos principais nomes da equipe, em março deste ano.
“Somos jogadores que vieram defender o nosso país. Não estamos aqui para fazer política, não somos políticos. A melhor abordagem é evitar espalhar desinformação ou semear a divisão. Precisamos estar mais unidos do que nunca, porque conquistar a Copa do Mundo é difícil. Queremos ser julgados e aclamados pelo que fazemos em campo”, acrescentou o jogador do Inter Miami.
– Messi com problemas físicos –
No âmbito esportivo, a tricampeã mundial chega com vários jogadores machucados, entre eles sua maior estrela, Lionel Messi.
O capitão, que fará 39 anos durante o torneio, está se recuperando de uma lesão muscular, enquanto o goleiro Emiliano ‘Dibu’ Martínez sofreu uma fratura no dedo, o que fará com que chegue apenas no limite de sua condição física para a estreia no Grupo J, em 16 de junho, contra a Argélia.
“Não acho que ele esteja pronto para 90 minutos”, disse à AFP o técnico argentino Ricardo La Volpe, campeão mundial como jogador em 1978, a respeito da situação do camisa 10.
“Precisamos encontrar um jogador que possa desequilibrar, dar um passe decisivo e finalizar”, observou.
Em busca de um bicampeonato (consecutivo) que nenhuma seleção consegue há mais de seis décadas, desde que o Brasil venceu em 1958 e 1962, a Argentina enfrentará também a Áustria e a Jordânia na fase de grupos.
A chave parece acessível, mas os sul-americanos carregam o que muitos consideram um fardo: não terem enfrentado nenhuma potência europeia desde que venceram a final da Copa do Mundo de 2022, no Catar, contra a França.
O técnico Lionel Scaloni acredita, contudo, que seu elenco, uma mescla de juventude e experiência (17 dos 26 jogadores convocados fizeram parte da equipe campeã de 2022), está destinado a desempenhar um papel de protagonismo, assim como faz em toda Copa do Mundo.
“Depois a bola pode entrar ou não. O fundamental é saber o que nos propomos a fazer, respeitar a nossa tradição, respeitar a nossa cultura. E então o campo dará o seu veredito. Jogar bem, por si só, não basta. Depois são necessários vários fatores”, disse o treinador em entrevista publicada na terça-feira pelo jornal Olé.
AFP

