Racha entre Celina Leão e Ibaneis deve dividir aliados

Por Suzano Almeida e Luiza Melo

A madrugada e o dia após a troca de farpas entre a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), e seu antecessor, o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), até então aliados, tiveram repercussões na rotina política do DF. De um lado, aliados de ambos ainda perdidos quanto ao desenrolar dos fatos do outro a comemoração de quem acha que a leoa deve se juntar ao Partido Liberal (PL).

Nos bastidores, aliados da governadora Celina Leão afirmaram que a chefe do Executivo local não foi pega de surpresa, mas precisava marcar posição sem se distanciar das aliadas Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, ambas do PL, e se distanciando dos problemas deixados pelo seu antecessor, como um rombo de R$ 4 bilhão e o escândalo do Banco de Brasília (BRB) e do Banco Master.

“Eu respondi ontem. Há um sentimento de submissão, e isso jamais vai acontecer. Eu tenho identidade, sou uma mulher com personalidade forte, tenho quatro mandatos e trabalhei muito para chegar até aqui. Jamais vou aceitar ser uma governadora que não seja de verdade”, reforçou em entrevista durante agenda.

O deputado distrital Pastor Daniel de Castro (PP), aliado de primeira hora das duas gestões, alertou para a exposição de ambos os lados. “Se for para uma ruptura definitiva, ele tem todo o direito de fazer, mas for para um realinhamento, isso é lavação de roupa suja e roupa suja se lava em casa”, declarou. “Essa divisão leva a derrota. Temos que todos marcharemos juntos. O governador terá que entender que a governadora é a Celina. Ela foi uma vice fiel e é ele quem tem a devolver a ela”, completou o parlamentar, lembrando que o oposicionista Chico Vigilante (PT) comemorou a “briga” na tribuna da Câmara Legislativa.

O clima entre os parlamentares antes base de Ibaneis e agora de Celina ainda está indefinido. Antes de deixar o cargo, o ex-governador firmou alianças com deputados, especialmente distritais, e presidentes de partidos. A intenção do ex-mandatário era garantir apoio à sua candidatura ao Senado. Até sua saída, Ibaneis se mantinha forte, com parlamentares fiéis, o mesmo não se pode dizer agora.

“Eu penso que a governadora Celina não pode sair à reeleição sem o PL. Se ela for com Ibaneis, eu votarei no [ex-] governador Ibaneis e na Michelle Bolsonaro, mas não farei campanha para ele, caso eles rompam”, afirmou um aliado, que preferiu se manter no anonimato.

Outro deputado afirmou que, apesar das realizações do ex-governador, sempre com o apoio de uma ampla base, Ibaneis não tratou bem seus aliados, o que pode pesar ao fim e ao cabo das eleições, uma debandada.

“As pessoas não têm coragem de defender, nesse momento, o governador Ibaneis. A imagem dele está ruim, com essa questão do BRB e do Banco Master e, quando estava no governo, ele não cuidava dos deputados como um aliado”, desabafou outro parlamentar.

Rafael Prudente

A presença de Rafael Prudente no encontro de Ibaneis e líderes partidários, entre eles Wellington Luiz, presidente regional do MDB, e Baleia Rossi, presidente nacional da legenda, além de uma reunião de emergência de apoiadores do deputado federal, ainda na quarta-feira (20), foi um aviso de que, caso Celina prefira andar sozinha, Prudente está – como sempre esteve – no aquecimento para disputar o Palácio do Buriti.

Rafael tem bom trânsito junto aos caciques nacionais e influência na política local, principalmente pelo fato de já ter presidido a sigla no Distrito Federal e por ter presidido o Legislativo local.

Republicanos

Concretizando-se o rompimento de Ibaneis e Celina Leão, a estrutura da “já lançada” chapa à reeleição, que teria como vice-governador o ex-secretário Gustavo Rocha pelo Republicanos, está com os dias contados. A tendência é de que o partido, que possui dois deputados federais, uma senadora e uma nominata para deputado distrital muito forte, rachará no que diz respeito para que lado vai.

De acordo com uma fonte da direção do Republicanos, a tendência é que, estando com a máquina na mão e com a possibilidade de se reeleger, mantendo cargos e espaços, a legenda irá com Celina Leão. Ibaneis perderia no cabo-de-guerra, por não ter mais o que oferecer. “Rei morto, rei posto”, disse a fonte.

“O Ibaneis fechou o apoio do Republicanos por cima, para garantir o Gustavo Rocha como vice da Celina. Não sei nem se ela [Celina] foi consultada. Se eles romperem, o que eu vejo é um partido dividido, mas com certeza a vice mudará. Pode até ficar com a gente, mas não será o homem de confiança do Ibaneis”. concluiu.

Outro ponto a pender para o lado de Celina é a amizade tanto dela quanto de Michelle Bolsonaro e da deputada Bia Kicis com a senadora Damares Alves (Republicanos). A parlamentar tem voz ativa no partido – mesmo contra alguns caciques – e seu apoio independerá de quem a sigla apoie oficialmente.

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