DF atende mais de 4 mil bebês com leite humano, mas estoques seguem em baixa

Mais de 4 mil recém-nascidos foram beneficiados com leite humano no Distrito Federal entre janeiro e março deste ano, segundo dados da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF). Apesar do volume de atendimentos, os estoques da rede seguem abaixo do ideal, o que reforça a necessidade de novas doações.

Ao todo, 4.089 bebês receberam leite humano no período. Somente em março, foram atendidos 1.439 recém-nascidos.
A maior parte dos beneficiados é formada por bebês prematuros e de baixo peso, que apresentam maior vulnerabilidade devido à imaturidade do sistema imunológico e digestivo. O leite humano também é destinado a recém-nascidos internados em unidades neonatais, incluindo aqueles com doenças graves, submetidos a cirurgias, com intolerâncias alimentares ou dificuldades de sucção, além de casos em que as mães ainda não conseguem amamentar.

Segundo Maria das Graças Cruz Rodrigues, coordenadora substituta das Políticas de Aleitamento Materno do Distrito Federal, o leite humano é essencial nesses casos. “O leite humano doado é essencial para esses recém-nascidos porque oferece proteção contra infecções, fortalece o sistema imunológico e reduz o risco de doenças graves, como a enterocolite necrosante”, afirma. Nessas situações, o alimento se torna indispensável por oferecer proteção imunológica e auxiliar na recuperação do bebê. “Ele é fundamental quando a mãe ainda não consegue produzir leite suficiente ou amamentar diretamente”, explica.

O uso do leite humano doado é indicado principalmente em casos de maior vulnerabilidade clínica, como prematuridade, baixo peso ao nascer e internação em unidades neonatais. Nessas situações, ele se torna essencial por ser de fácil digestão e oferecer proteção imunológica, contribuindo para a recuperação e o desenvolvimento dos bebês. Embora existam fórmulas infantis, elas não substituem os benefícios do leite materno. “O leite materno é um alimento único, de fácil digestão e rico em anticorpos, enzimas e fatores de proteção”, ressalta Maria das Graças. Por isso, sempre que possível, o leite humano, seja da mãe ou doado, é a opção mais segura.

Estoques abaixo do ideal

A Rede de Bancos de Leite Humano do Distrito Federal (RBLH-DF) enfrenta baixa nos estoques desde novembro do ano passado. O período de férias costuma reduzir as doações, e a recuperação ainda não foi suficiente para equilibrar a demanda. Atualmente, o DF conta com 14 Bancos de Leite Humano e 7 Postos de Coleta. Apesar da estrutura, a demanda é contínua e, em muitos momentos, supera a oferta disponível. “Quanto maior o volume de doações, maior é a capacidade de atendimento e de salvar vidas, garantindo que mais bebês em situação de vulnerabilidade recebam esse alimento essencial”, afirma a coordenadora.

Para doar, é necessário estar amamentando, ter boa saúde e apresentar produção excedente de leite. O cadastro pode ser feito pelo telefone 160, opção 4, pelo site Amamenta Brasília ou pelo Portal do Cidadão. Após o registro, a coleta é realizada em domicílio por equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF). Além da coleta e distribuição do leite, os Bancos de Leite Humano (BLHs) e os Postos de Coleta (PCLHs) também oferecem apoio à amamentação, com orientação às mães sobre dificuldades, manejo e cuidados durante o aleitamento.

Amamentação e apoio

Késia Caetano Martins, de 38 anos, relata que recebeu apoio fundamental da equipe do banco de leite durante o período de internação da filha, Cecília, que nasceu prematura extrema, com 28 semanas de gestação. Segundo ela, as orientações foram decisivas para conseguir estimular a produção de leite. “Fui orientada pelo Banco de Leite sobre a importância da estimulação do leite e sobre como fazer a massagem para ajudar na produção. Também me explicaram que era importante beber bastante água e manter uma alimentação saudável. Depois que comecei a seguir essas orientações, consegui produzir leite”, relatou. A bebê ficou internada por 58 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal e recebeu leite doado durante todo o período. “Ela recebia a dieta a cada 3 horas com leite doado. Se não fosse esse leite, ela não teria conseguido ganhar o peso necessário e teria mais complicações”, disse.

A criança apresentou complicações após o nascimento. “Ela teve meningite, infecções e o quadro era grave quando cheguei ao hospital, pois ainda não havia iniciado a produção de leite”, afirmou. A mãe conta que o acesso ao leite doado trouxe alívio durante a internação. “Foi um alívio saber que existia essa doação. O leite humano faz muita diferença na UTI neonatal, porque ajuda na recuperação e não causa rejeição”, disse. Ela também destacou a importância da doação. “Quando a mulher tem leite em excesso, mesmo uma pequena quantidade pode salvar vidas. Mais pessoas deveriam doar”, afirmou.

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